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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

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06
Abr19

TindAdvisor // O cachalote

Por falta de tempo para detalhar tudo, sinto que vou saltar aqui várias etapas nos relatos das minhas curtas relações do Tinder mas queria que o #pila4 aka Cachalote passasse à frente do #pila2 e do pila#3. Por razões que se resumem única e exclusivamente a ter sido uma experiência traumática para mim... 

 

Queria contar aqui esta história, porque, apesar de defender o positivismo corporal, também sou a primeira pessoa a dizer-vos que excesso de gordura faz mal à saúde, sendo umas das causas das mais diversas doenças do foro cardio-vascular, entre outras a dispneia ou falta de ar. 

 

Claro que não vos quero maçar com estes factos de saúde mas tinha mesmo que abordar esta temática visto que tive uma experiência de quase-morte e só não passei para o outro lado porque tive o discernimento de parar a coisa a tempo e só me safei sabe-se lá como. Neste momento podia não estar aqui a escrever este post. Estou viva, sobrevivi ao #pila4 e só isso merecia um daqueles posts do Diário da Gratidão tão famosos por aqui na Sapolândia. Fica aqui a dica a todos que não agradecem este género de coisas.

 

Mas sem mais demoras comecemos o relato.

 

Também conheci o cachalote no Tinder. Já o tinha adicionado em Outubro mas íamos falando de vez em quando, nada de mais... lá para Dezembro adicionámo-nos no Instagram e começámos a falar por lá. Com as nossas contas pessoais. Entretanto fui viajar e íamos falando, trocando fotos, etc. 

 

Houve uma noite em que estávamos a falar e a conversa aqueceu. Começámos a trocar fotos e o moço mandou-me uma foto da pila dele. Só vi a cabeça... referi o facto de ele não ter mostrado toda a pujança do dito instrumento ao que ele respondeu "o resto fica para quando nos virmos pessoalmente, mas aproveito para te avisar que não sou muito abonado". Ok, tudo bem. Eu disse que não havia problema, onde couberam os 25cm do Plutónio, também cabem menos. Mas estava longe de imaginar o que me esperava. 

 

Nas fotos o rapaz era girinho. Olhos verdes. Brinco de argola no nariz. Intelectual. Dono de uma rádio pirata. Já leu todos os clássicos franceses. Opah, pronto, fomos falando e quando cheguei da viagem à Austrália combinamos encontro em casa dele. Fiz uma hora de ida e outra de volta para estar com ele e até lhe fiz a proposição poética de irmos comer frango frito depois do bem bom. Que ele aceitou de bom grado.

 

Cheguei à rua onde ele morava, era de noite e liguei-lhe porque não o via. Só via um rapaz em fase de pré-obesidade, com uns chinelos felpudos de velho no meio do passeio, agarrado ao telemóvel, ao fundo da rua. Enquanto ia avançando à procura do número do prédio dele comecei a ver que me estava a aproximar do tal rapaz, decidi pegar no meu telemóvel e ligar ao moço do Tinder para que ele descesse e me viesse buscar porque estava um gajo enorme assustador no meio da rua... "que não seja ele... que não seja ele..." pego no telemóvel e o rapaz gordinho, que parecia um cachalote bebé, chama por mim, pelo meu nome!!! DESGRAÇA!!!! Era ele!!! Que me veio buscar à rua de chinelos!!!

 

TIREM-ME DESTE FILME.

 

Paniquei dentro da minha cabeça... mas disse para mim própria: dESarrumada, ele parece ter acabado de sair de algum santuário de elefantes africano, mas muita calma, o facto de ter uns quilos a mais não significa que não seja bom na cama, dá o benefício da dúvida, deixa-o mostrar o que vale. O intelecto dele convenceu-me a tentar. Mas mal eu imaginava que devia ter saído dali a correr nesse mesmo instante.

 

Mal chegámos ao apartamento minúsculo dele, serviu-me um sumo de laranja TOP BUDGET num brick. Não percebo estes gajos de hoje em dia, querem paxaxa a baixo custo, sem avançar um único euro de investimento na manutenção do estado hídrico da sua parceira de actividades nocturnas. Logo ali senti-me defraudada "então eu faço uma hora de carro para vir aqui vê-lo e ele nem sequer me serve um daqueles sumos mais caros com pedaços de polpa verdadeiros?" Começamos mal.

 

Foi fumar um cigarro à janela. Só faltava isto, fuma. Imaginei logo o fumo a sair pelo buraco na cabeça de cachalote. Fui à casa-de-banho, ainda com esta ideia mental. A rir para não chorar. A tentar ganhar coragem para o que vinha a seguir.

 

Saí. Agarrou-se a mim qual baleia branca assassina, parecia que não via um filet mignon há muito tempo. Acredito que fosse o caso. Beijámo-nos. Mas porra, beijar um gajo que fuma é das piores sensações do mundo. Não fumem. Não sejam obesos. Olhem as doenças cardio-vasculares, as causas de morte diversas e variadas que advêm de um estilo de vida desregrado. E a mais importante de todas: a morte por esmagamento. Não para ele, mas para quem vai para a cama com ele.

 

Era aqui que queria chegar. Ele lambeu. Ele meteu dedos. Houve muita coisa gira. Mas depois veio o momento de baixar os boxers. E... o pânico, o horror! Não havia nada, excepto uma espécie de apêndice de carne de 7cm. Juro. No meio dos pêlos todos havia uma coisita tímida a espreitar. Ele tentou meter preservativo e aquilo quase que ficou a boiar... Tentámos penetração e MINHA GENTE.... nunca tinha tido esta sensação na vida: não senti nada. Quando digo nada é mesmo nada! O típico "já meteste?"

 

Ele tentou compensar com movimentos fortes de vai-e-vem, eu comecei a olhar para o tecto a tentar perceber como cheguei àquele ponto da minha vida. Ele transpirava que nem uma baleia molhada, a barriga dele caía em cima de mim, uma tristeza, porque, o moço já não sendo muito abonado, ainda por cima tem uma barriga enorme que lhe rouba preciosos centímetros de pila! Ninguém merece ter tanta pouca sorte na vida.

 

A gota de água que fez transbordar a minha paciência - literalmente! - foi quando vi uma gota de suor dele a cair directamente da sua testa em cima da minha... parecia que estava a ver a cena em slow motion. Tínhamos literalmente acabado de começar e ele já estava a ter um pré-enfarte. Estava com sintomas de angina de peito, de certeza. Fiquei na dúvida se devia chamar logo ali o INEM e dizer que um cachalote deu à costa na minha vagina ou se fingia uma diarreia e ia embora. "Desculpa, não estou muito em forma" - diz ele. "Devias praticar algum desporto" - disse eu, empaticamente. 

 

"Dói-me a barriga. Tenho que ir ao wc" e empurrei-o de cima de mim. Peguei em metade da minha roupa que estava no chão e fui vestir-me para o WC. Saí de lá já meia vestida a aleguei uma caganeira. "Sou intolerante à laranja." "Ah não queres ficar mais um bocado? Mesmo que não acabemos o que começámos, podemos ficar a trocar mimos e até podes dormir aqui." Ouvi o som do mar a ecoar na minha mente, a rebentação das ondas a ressoar no meu cérebro, um barulho de cachalote bebé no fundo do horizonte...

 

Fui embora... e fui comer o frango frito sozinha. Era por demais evidente que o moço não precisava de mais gordura saturada na vida dele. Disse que mandava mensagem quando chegasse a casa e foi o que fiz... para ele não pensar que morri ou algo do género. Mas nunca mais lhe falei. E entretanto nunca mais fui ao Tinder. Consigo auto-diagnosticar-me com stress pós-traumático pós-cachalote. Uma doença real e documentada. Por mim. E enquanto me lembrar desta experiência não volto a sair com um gajo sem ir tomar um café antes para uma avaliação não formal do material. Para evitar voltar a ficar soterrada debaixo de um peso daqueles, com os pulmões a pedir clemência, com os alvéolos a entrar em necrose com falta de oxigénio e o cérebro a entrar em isquemia. Não me apanham noutra destas tão cedo. 

 

Quantas estrelas merece este moço?


ZERO



Opinião:

 

Pontos positivos : o colchão era confortável.

 

Pontos a melhorar : deitar os chinelos fora. Deixar de fumar! Fazer exercício físico por motivos de saúde e performance 

 

Beijo na bunda! 

 

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