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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

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18
Set19

Hoje é dia de voltar.

Que sentimento agridoce este de voltar para Paris... Não sei o que pensar. Queria tanto conseguir decidir outra coisa para mim... Mas não sei bem o quê. 

 

Ontem choveu bastante aqui... E caiu granizo. Bastante.

 

Queria dizer algo eloquente. Mas não consigo. 

 

Xau, xau. Voltamos a ver-nos em Paris. 

 

Beijo na bunda 💋 🍑

30
Mai18

O meu avô é o mais forte #2

Nem acredito que já passaram quase dois meses desde que falei aqui sobre o AVC do meu avô. O tempo passa a correr.

 

Tem recuperado aos pouquinhos, já mexe um bocadinho o lado direito do corpo, mas falar, não fala nada. E não conseguimos ter noção daquilo que ele percebe ou não. Lido com casos destes todos os dias, mas quando é um membro da minha família a coisa pia mais fininho. 4 anos de licenciatura mais, o que já vai sendo uma catrefada de anos de experiência em neurologia, não servem de nada. É o meu avô, porra. Uma pessoa volta a ter 5 anos. Só queria ter uma varinha mágica e ajudá-lo a ficar melhor, com pózinhos de perlim-pim-pim.

 

Entretanto, fui a Portugal no final do mês de Abril festejar os meus anos com a minha família. E entre visitas no hospital, receber notícias da minha avó que vai vê-lo todos os dias com vários membros da família - o hospital ainda fica longe de onde os meus pais e avós moram, e as pessoas revezam-se para ir lá vê-lo - não foi fácil. Nada disto foi fácil. Ainda fizemos um jantar pelo meu aniversário, mas ver o lugar dele à cabeceira da mesa vazio... Fogo, que aperto no peito. Que medo de que as coisas não estabilizem ou que volte a acontecer.

 

Entretanto começaram as questões familiares e económicas. Para onde vai? Quem vai tomar conta do senhor? Quem vai pagar? Aquelas perguntas que acontecem nas famílias todas, acabam por ser naturais quando há alguém doente/muito idoso, mas que deixam sempre aquele gosto amargo na boca. Nunca ninguém se imagina numa situação destas, nunca ninguém quer lá chegar. A idade e a doença deviam ficar sempre longe.

 

Ontem soube que foi para o lar da nossa terrinha, está em lista de espera para uma Unidade de Cuidados Continuados. Já está mais perto. A minha avó, a avó Maria, já pode ir vê-lo a pé, com a bengalita a ajudar. E ele chora quando vê toda a gente ali, chora quando lhe dizem que está a 5 minutos de casa, faz um gesto com a mão como que a dizer "levem-me com vocês" quando as visitas estão a ir embora.  Estar longe e não poder ajudar só dificulta mais as coisas. Nada disto é fácil, mas levemos um dia de cada vez.

 

11
Abr18

O meu avô é o mais forte.

O meu avô é aquele homen forte e corajoso, muinto maior do que eu. O meu avô sobe às oliveiras com o pau de varejar para fazer cair a azeitona. O meu avô poda a vinha toda de alto a baicho sozinho sem ajuda. O meu avô condus um tractor sozinho, e nunca quis tirar a carta de condução porque o tractor sempre lhe chegou para ir onde precisa. Eu gosto de ir na parte de tras do tractor quando vou à vinha com ele. Às vezes ele senta-me à frente do volante, naquele banco minúsculo, entre as pernas dele, e diz que se a polícia o apanha podem o chatear muito porque é proibido levar meninos e meninas de 5 anos na parte da frente do tractor. O meu avô esteve 11 anos emigrado na Suisa para dar de comer à mamã e ao tio, porque me disseram que só avia uma lata de atum para 3 pesoas na mesa. Mas depois voltou para Portugal porque tinha muintas saudades da avó Maria e do monte.

O meu avô enervase facilmente e manda nos falar mais baicho quando quer ver o jogo de futebol na televisão, às vezes chateia-se mesmo muinto e sai de casa para ir ver o resto do jogo no café. O meu avô gosta de comer broa de milho com queijo da serra, às veses com chouriça, outras veses com presunto e muitas veses come um papo-seco com marmelada. O meu avô gosta de cortar uma masã aos pedaços com a navalha que traz sempre no bolso e dá me um bocado cada vez que vou com ele ao monte. O meu avô fez-me um ancinho pequenino com paus de madeira e pregos para ir com ele apanhar caruma à mata. Ouvi diser que construiu a casa da avó Maria sozinho. O meu avô é o mais forte e o melhor do mundo! Quando for grande quero ser corajosa como ele!

 

 

O meu avô cresceu muito, hoje já é um senhor crescido e cheio de força, apesar de, com o passar dos anos, ter ficado mais baixo do que eu em altura. Festejei muitos aniversários com ele, mas nos últimos 3 anos não pude estar em nenhum fisicamente. O meu avô às vezes esquece-se do meu aniversário, mas fica muito contente e fala horas e horas a fio quando eu ligo para lhe desejar um bom dia de anos, apesar de já ser uma menina grande e estar muito longe. Ainda há duas semanas festejou os seus 75 anos, e que alegria foi quando eu lhe liguei "das Franças". Ele fala alto para eu o conseguir ouvir bem aqui, e porque está a ficar "môco", como ele diz.

O meu avô é muito forte, no entanto, ontem teve um AVC e está numa cama de hospital sem conseguir falar e mexer-se. O meu avô é aquela pessoa que toda a gente devia ter na sua vida de criança. E mesmo mais tarde, nunca se é demasiado crescido para ter um avô tão forte e corajoso como o meu.

12
Jul15

O lado menos bom de emigrar.

Quando vim para França e lia aqueles textos pseudo-depressivos sobre ser emigrante, que falam de tudo que se perde quando se está longe, ficava triste e revoltada. Quando estamos longe surgem sempre aquelas dúvidas estúpidas, que vai ser dos meus pais quando forem velhinhos? Porque é que já houve 5 aniversários de familiares desde que aqui estou e ainda não consegui estar fisicamente presente em nenhum? Quantos mais aniversários/casamentos/festivais vou faltar? E quando alguém morrer, que faço? 
Tudo perguntas para as quais não tenho resposta,  e não sei se quero ter! Prefiro não ter.
Tudo isto é difícil, sim! Mas ler este tipo de textos não ajuda. E se falássemos sobre as coisas boas da emigração? E se nos lembrássemos mais vezes do motivo que nos fez sair? E se somos tão infelizes por ter emigrado porque não voltamos? Eu sei que parece duro dizer isto. Mas sei, ou acho que sei, que o dia em que achar que isto não dá, o dia em que deixar as saudades ultrapassarem a vontade de estabilidade profissional... nesse dia volto. Espero.

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