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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

25
Out19

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.

 

Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 

 

Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 

 

Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 

 

O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.

 

A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.

 

Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 

 

A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 

 

Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 

 

08
Out19

Meditações... e outras divagações.

Por vezes dou por mim a ver o tempo passar. Aliás, eu nem o vejo, ele passa por mim sem eu dar conta... qual trotinette desvairada que serpenteia pelos passeios de Paris.

 

Quando vou por elam já não sei em que mês estou, a quantas ando... já não sei para onde foi o Verão, e como assim... já é quase Natal? Ia apostar que ouvi um esboço de uma música de Natal ali numa loja para os lados de Montmartre. Mas deve ter sido só imaginação minha.

 

Talvez isto seja uma depressão sazonal... talvez me esteja a aperceber que só sou feliz quando está sol. Como em todos os outros 27 anos de vida... Neste vigésimo oitavo outono, não podia ser diferente. Nas ci em África, num país onde estava sempre sol, e depois morei em Portugal, esse país mimado com o sol mais brilhante de todos os sóis. E por tudo isto sei que pertenço, definitivamente, ao verão.

 

Gostava era de estar bem em todo o lado, de sentir-me bem a todos os momentos... ainda bem que não emigrei para um daqueles países em que é de noite 6 meses por ano. Já tinha ido desta para melhor. Ou voltado, talvez fosse mais fácil. 

 

Porém, nem sempre dá para estar sempre bem... e por isso vou andando por aí, por esse mundo fora, à procura de algo que não consigo encontrar - já estive mais longe! Dizem as más línguas na minha cabeça, que teimam em dar-me esperança, mesmo quando só quero sucumbir ao cansaço dos dias.

 

Voltei a meditar. E penso, como pensei de todas as outras vezes em que deixei a meditação e acabei por voltar... porque raio me esqueço desta prática que me faz tão bem??? 

 

E voltei... voltei a procurar-me dentro de mim... voltei a fazer aquele caminho de volta para casa.

 

Vamos lá ver se é desta que descubro que o caminho é o melhor destino... já tem sido assim das outras vezes, não é mesmo? Mais uma moedinha, mais uma voltinha.

 

Beijo na bunda,

da vossa dESarrumada

18
Ago19

Em Paris o mês de Agosto é como um domingo prolongado.

Desde o dia 1 de Agosto que Paris ficou com um terço da população habitual. Podia estar a exagerar, mas não estou. Os parisienses vão de férias, as lojas todas fecham, a maior parte dos restaurantes também não estão a funcionar...

 

Pasmem-se! Quase todas as manhãs consigo ir sentada no metro das 8h30! Algo que no resto do ano é praticamente impossível 🤷🏻‍♀️

 

Mas estou a ADORAR ver a cidade assim... Adoro ter espaço quando caminho nos passeios para andar e olhar para os edifícios com calma, adoro não estar sempre a esbarrar contra pessoas, adoro não ter desconhecidos a cheirar a cavalo colados a mim no metro, adoro conseguir chegar a casa sem ter que caminhar pela estrada porque o passeio em frente aos restaurantes está cheio de bêbados viciados em after-works... 

 

Mas está quase a acabar, daqui a uma semana o frenesim começa e deixo de ter Paris "só para mim". 

 

Até lá é aproveitar estes dias de sossego. 

 

Beijo na bunda 💋

 

Se gostam do blog partilhem com os amigos. Se não gostam partilhem com as inimigas. E não se esqueçam, este canto desarrumado também tem Instagram, e as conversas nos stories de vez em quando até são interessantes. Aqui! >>>@adesarrumada

 

 

 

08
Jul19

O lado negro das aplicações de encontros.

Aplicações de encontros. Tornam tudo mais fácil e acessível. 

 

Estou sozinha no fim--de-semana? No worries, vamos lá ver quem está online.

 

Vontade de ir beber um copo, ir ao cinema, ter relações sexuais? No worries, vamos lá escolher aqui um moço qualquer e passar algum tempo com ele.

 

Não me queixo. Afinal, sem as aplicações de encontros eu não teria conhecido quase nenhum ser do sexo masculino nos últimos 4 anos e meio. Para mim estas aplicações são nada mais, nada menos, do que "facilitadores de encontros". E relativamente a esse aspecto resultam e bem.

 

O que me anda a dar a volta à cabeça é que é extremamente fácil cair-se ne tentação de tratar o ser humano como descartável... largar tudo e desatar a correr à mínima dificuldade... "Ah e tal, se não resulta com este , é porque deve haver um melhor ao virar da esquina".

 

E quando damos por nós estamos perdidos no loop sem fim das aplicações de encontros. Cujo objectivo é manter-nos viciados naquilo... afinal, sejamos sinceros, se pudessemos encontrar o amor nas ditas aplicações, eles ficavam sem trabalho, certo? E a sua utilidade ficava ameaçada...

 

Escrevo este post porque ando com um dilema recente na minha vida.

 

sacre-coeur-paris.jpg

 

Há cerca de uma semana, na sexta-feira dia 28, comecei a sair com um rapaz chamado Gui.

 

O Gui corresponde a tudo que eu possa ter incluído na minha check-list de futilidades... tem cabelo castanho, olhos castanhos, é mais alto do que eu, pratica desporto, cuida de si próprio, veste bem, tem um bom emprego, tem um apartamento no centro de Paris, vem de uma boa família... O Gui não pressiona para fazer sexo, sabe esperar... com ele bati um novo record pessoal: 3 dates sem fazer sexo! Eu até festejava isto... se não tivesse vergonha do que acabei de escrever.  

 

Só para verem como tem sido perfeito... um dos nossos dates consistiu em encontrarmo-nos depois do trabalho (ele também trabalha até tarde), comer um gelado na Amorino que fica ao lado da basílica do Sacré-Coeur e ir para o jardim das escadas, às 22h da noite, beijarmo-nos que nem uns adolescentes deitados na relva, até à meia noite... Foi grande momento na minha  vida, que recordarei com carinho... E mais, já não me lembrava da última vez que tinha beijado um rapaz durante tanto tempo, sem acabar a noite com a pila dele na minha boca - ou noutro orifício do meu corpo.

 

Sendo que o Gui tem tantas qualidades, porque é que estou a escrever isto? Porque o Gui tem um defeito. Mas que não é culpa dele. Esse "defeito" é que há gajos bem mais giros que ele no Tinder. Ou no Happen. Ou no Once. Ou mesmo no metro. Ou no ginásio. Há gajos giros, e que poderiam fazer muito mais o "meu estilo", por todo o lado. E isto é um problema para mim... Há demasiada escolha. Fico sempre com aquela sensação de que "posso arranjar melhor"... e ao mesmo tempo penso "não sejas convencida, se calhar ele é o melhor que consegues". E isto é mau. Muito mau. Esta cena de valorizar as pessoas consoante a sua aparência física é horrível... Tanto para a minha auto-estima como para a percepção que tenho da dele... que é um rapaz extremamente simpático e que, para já, não tenho nem um único defeito a apontar.

 

Só consigo culpar as aplicações de encontros por esta sensação de "há mais peixe no mar". Demasiado peixe. Paletes e paletes de peixe. Haja paciência para lidar com isto... Conselhos? Já vos aconteceu saírem com alguém que preenche todos os requisitos, mas mesmo assim, sentirem que "falta algo" e que deviam continuar à procura? 

 

Beijo na bunda! 

09
Jun19

Ainda era tão novo...

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Pronto. O Panda de Ouro ficou-se pelos 3 meses e 6 dias. Ainda era tão novo... paz (pás! pás! pás!) à sua alma. Oremos irmãos.

 

Já dizia o outro :

 

Por cada uma que dás, é um Panda de Ouro que morre.

 

Querem saber como aconteceu? Se sim, em post normal ou formato TindAdvisor?

 

Beijo na bunda! 

 

05
Jun19

Um brunch que não é suficientemente francês para os meus fãs.

Recentemente postei foto de um brunch e alguém referiu que não era suficientemente francês (ou algo do género, sorry, mas a minha vida anda de loucos e não consigo responder aos comentários individualmente). 

 

Mas aquilo na foto foi o prato da lista que eu pedi. O restaurante tem um menu de brunchs onde podemos escolher a bebida quente, o prato e a sobremesa. O sumo de laranja e as cenas de pastelaria estão sempre incluídas nos brunchs aqui para estes lados.

 

Querem coisas à la française ?

 

Tomem lá então uns pains au chocolat. Um papel de parede perverso. E uma imagem romântico-parisiense. 

 

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04
Jun19

Primeiro dia de trabalho.

Uma loucura. Não parei um só segundo. Acho que gosto deste ritmo. Apesar de achar que ainda é muito cedo para tecer prognósticos...

 

Ontem, domingo, comi o primeiro brunch, de muitos espero eu, aqui em Paris.

 

Foto para provar (porque já se sabe que hoje em dia fazer algo e não tirar foto é como se não tivesse acontecido) :

 

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A zona onde moro 😍:

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Sacré cœur ! ❤️

11
Jun18

Em Paris, ou vai ou racha.

Este fim-de-semana foi passado em Paris com a H. Foi tudo muito bom, passeámos muito e reflectimos muito sobre a vida, mas tudo muito descontraído, sem stresses. Já há muito tempo que não tinha uma viagem assim. O pior acontece quando estávamos a ir para a peça de teatro de uma amiga dela, o motivo principal pelo qual fomos a Paris este fim-de-semana...

 

Estávamos no metro, que teve um problema na linha e estava atrasado, sentadinhas na carruagem fizemos as contas, íamos chegar 8 minutos antes da peça de teatro, mas a paragem de metro ficava a 13 minutos do teatro. Quando se chega em cima da hora, já não nos deixam entrar. Recebemos uma mensagem da amiga da H. a pedir para lhe tirarmos fotos durante a peça. Aiii, tirar fotos até tiramos, mas para isso é preciso conseguir entrar a horas! Um desafio avizinha-se... Barney Stinson* que está dentro de cada um de nós, mostra o que és capaz! Gritei bem alto cá dentro da minha cabeça:

 

Challenge accepted! 

 

H: "Vou activar o GPS, assim que as portas abrirem corremos o máximo que podermos, ok?" 

Eu: "Vamos a isso!"

 

Partida.

Lagarta.

* as portas abrem*

Fugida!

 

Corremos tanto, mas tanto, que nem me lembro de como saímos do metro. Aquilo foi descer escadas rolantes, aquilo foi voltar a subir escadas, aquilo foi fazer slalom entre as pessoas, ir contra malas, tropeçar em carrinhos de bebé. O que vale é que estamos super habituadas a correr juntas e já temos o mesmo ritmo de corrida (da última vez fizemos 7km sem pausa, kudos para nós! )

 

Eis que chega a luz do sol. Estávamos na rua. Estão a ver quando uma pessoa está tão concentrada na tarefa que está a fazer que se esquece que está no meio do passeio, que há passadeiras com sinais vermelhos, que há pessoas por todo o lado, que está numa grande cidade movimentada e que o mundo continua a girar? Foi isso que aconteceu. Escapamos por um triz a sermos atropeladas por uma mota de entregas de comida, "mas nem que a vaca tussa, hei-de chegar a horas àquela peça!"

 

E chegámos, 2 minutos antes da hora. A transpirar rios e rios de suor. A senhora da bilheteira olha para nós ofegantes e vermelhas que nem tomates. 

 

"Calma, calma, ainda têm tempo, os expectadores estão todos em fila à entrada e ainda ninguém entrou!"

 

Expiração de alívio. Aquilo foi correr para o WC para fazer um xixi de stress, que estava a apoquentar-me desde que entrei no metro e vi que este estava atrasado, depois esfregar-me dos pés à cabeça com papel higiénico para ensopar o suor. Fomos para a peça, a cheirar a cavalo. E conseguimos tirar as fotos que a amiga da H. pediu.

 

 


* personagem de How I Met Your Mother que diz Challenge Accepted quando se auto-propõe a desafios algo estúpidos

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