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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

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31
Out19

4. Chocolate.

Da última vez falei-te dos "e se..." da minha vida. Aliás, falei-te de um deles, ainda tenho tanta coisa para te contar... Mas nem tudo tem sido mau na minha vida. 

Relativamente ao chocolate, disse-te que é um grande vício meu, e que foi ficando pior desde que vim para França... Atingindo o seu auge com a minha vinda para Paris.

 

Decidi procurar ajuda no dia em que comi 1 tablete daquelas grandes da Milka à tarde, e très pequenas de outra marca à noite. 600 gramas de chocolate no mesmo dia! Quase um quilo! De vício, descontrolado.

 

Já tinha ouvido falar na hipnose para diminuir vícios. Primeiro por uma antiga colega de trabalho que tem um mini gabinete de hipnose em casa dela, e que dava consultas nas horas vagas... Para ganhar uns extras. 

 

E depois, a pesquisar na Internet, encontrei informação sobre a auto-hipnose para perder o vício do chocolate, até cheguei a fazer um pouco através de vídeos no YouTube... Sentia que no dia seguinte ficava menos "compulsiva", então decidi procurar ajuda a sério, fui à Internet, escolhi a melhor terapeuta de hipnose que consegui encontrar no arrondissement onde trabalho.

 

E ainda bem que o fiz... Ela descobriu rapidamente o "porquê", aliás, "os porquês" de eu ter este vício...

 

Eu sabia que vinha de algo mais profundo, mas esse algo, é algo que não está. Algo a que ela chama de "vide émotionnel" (tradução : vazio emocional).

 

E é isso, esse vazio, que tento preencher com carradas de chocolate. Daí comer quando estou sozinha... Ou quando me sinto frustrada...

 

Há muitas cordas que usamos para jos mantermos à tona de água quando nos sentimos afogar... A minha corda durante muitos anos foi o chocolate... Mas já não vai ser, durante muito mais tempo. Há 2 semanas para cá que uma tablete de chocolate (preto!) me dá para 2 ou 3 dias! 

 

Pode parecer pouco para alguns, mas eu já não sabia o que era ter um dia de vida sem um pico de insulina, há muito, muito, tempo!

 

Posso ainda ter recaídas, a terapeuta avisou-me que tal pode acontecer, mas não me preocupa nada.... Sabes porquê? Consegui ver a luz ao fundo do túnel. Por isso sei que, algures, há uma saída. 

06
Out19

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.

 

Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...

 

Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 

 

Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.

 

Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 

 

Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.

 

Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.

 

Para o ano já é a minha vez. 

 

Foda-se. 

 

Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.

 

Boas eleições malta.

 

Beijo na bunda! 💋 

08
Jul19

O lado negro das aplicações de encontros.

Aplicações de encontros. Tornam tudo mais fácil e acessível. 

 

Estou sozinha no fim--de-semana? No worries, vamos lá ver quem está online.

 

Vontade de ir beber um copo, ir ao cinema, ter relações sexuais? No worries, vamos lá escolher aqui um moço qualquer e passar algum tempo com ele.

 

Não me queixo. Afinal, sem as aplicações de encontros eu não teria conhecido quase nenhum ser do sexo masculino nos últimos 4 anos e meio. Para mim estas aplicações são nada mais, nada menos, do que "facilitadores de encontros". E relativamente a esse aspecto resultam e bem.

 

O que me anda a dar a volta à cabeça é que é extremamente fácil cair-se ne tentação de tratar o ser humano como descartável... largar tudo e desatar a correr à mínima dificuldade... "Ah e tal, se não resulta com este , é porque deve haver um melhor ao virar da esquina".

 

E quando damos por nós estamos perdidos no loop sem fim das aplicações de encontros. Cujo objectivo é manter-nos viciados naquilo... afinal, sejamos sinceros, se pudessemos encontrar o amor nas ditas aplicações, eles ficavam sem trabalho, certo? E a sua utilidade ficava ameaçada...

 

Escrevo este post porque ando com um dilema recente na minha vida.

 

sacre-coeur-paris.jpg

 

Há cerca de uma semana, na sexta-feira dia 28, comecei a sair com um rapaz chamado Gui.

 

O Gui corresponde a tudo que eu possa ter incluído na minha check-list de futilidades... tem cabelo castanho, olhos castanhos, é mais alto do que eu, pratica desporto, cuida de si próprio, veste bem, tem um bom emprego, tem um apartamento no centro de Paris, vem de uma boa família... O Gui não pressiona para fazer sexo, sabe esperar... com ele bati um novo record pessoal: 3 dates sem fazer sexo! Eu até festejava isto... se não tivesse vergonha do que acabei de escrever.  

 

Só para verem como tem sido perfeito... um dos nossos dates consistiu em encontrarmo-nos depois do trabalho (ele também trabalha até tarde), comer um gelado na Amorino que fica ao lado da basílica do Sacré-Coeur e ir para o jardim das escadas, às 22h da noite, beijarmo-nos que nem uns adolescentes deitados na relva, até à meia noite... Foi grande momento na minha  vida, que recordarei com carinho... E mais, já não me lembrava da última vez que tinha beijado um rapaz durante tanto tempo, sem acabar a noite com a pila dele na minha boca - ou noutro orifício do meu corpo.

 

Sendo que o Gui tem tantas qualidades, porque é que estou a escrever isto? Porque o Gui tem um defeito. Mas que não é culpa dele. Esse "defeito" é que há gajos bem mais giros que ele no Tinder. Ou no Happen. Ou no Once. Ou mesmo no metro. Ou no ginásio. Há gajos giros, e que poderiam fazer muito mais o "meu estilo", por todo o lado. E isto é um problema para mim... Há demasiada escolha. Fico sempre com aquela sensação de que "posso arranjar melhor"... e ao mesmo tempo penso "não sejas convencida, se calhar ele é o melhor que consegues". E isto é mau. Muito mau. Esta cena de valorizar as pessoas consoante a sua aparência física é horrível... Tanto para a minha auto-estima como para a percepção que tenho da dele... que é um rapaz extremamente simpático e que, para já, não tenho nem um único defeito a apontar.

 

Só consigo culpar as aplicações de encontros por esta sensação de "há mais peixe no mar". Demasiado peixe. Paletes e paletes de peixe. Haja paciência para lidar com isto... Conselhos? Já vos aconteceu saírem com alguém que preenche todos os requisitos, mas mesmo assim, sentirem que "falta algo" e que deviam continuar à procura? 

 

Beijo na bunda! 

18
Mai19

Sobre o Panda de Ouro.

Já lá vão 2 meses e meio, mais coisa menos coisa, sem ter relações sexuais. Para já aguento-me bem. É como fazer um detox. Mas desta vez, é um detox de energias... 

 

Sabiam que quando estamos com outra pessoa captamos a sua energia?

 

Por isso é que às vezes ficamos alegres só de estar com alguém alegre, e tristes mal uma pessoa triste entra na sala...

 

Tomei a decisão do Panda de Ouro, pelas razões que expliquei no último podcast, mas também porque li algures num artigo que ao termos relações sexuais com alguém, estamos a trocar / absorver a sua energia ao mais alto nível. É uma das formas mais profundas de receber / dar a energia de alguém. É tipo aquela funcionalidade nova dos telemóveis que carregam a bateria só de estar em contacto com outro telemóvel... Com os humanos, diz-se, acontece algo parecido.

 

Depois de 1 ano inteiro de one night-stands, decidi fazer um detox energético e deixar de ter relações sexuais com rapazes que mal conheço ...

 

Queria que isto durasse 12 meses inteiros. Mas não sei se vai dar... 🤷🏻‍♀️ De qualquer forma, prometi a mim própria, esperar mais antes de dormir com alguém . Dar tempo ao tempo. Tudo com o objectivo de saber se a energia que essa pessoa emana é de "boa qualidade".... É que, diga-se de passagem, estar com o Cachalote arrumou comigo... De um ponto de vista energético, claro. Que de resto não soube bem... Não aqueceu nem arrefeceu... Ele é uma pessoa depressiva, com graves problemas de aceitação de si próprio, e eu sabia-o, e mesmo assim fui ter com ele... Not good idea. 

 

Antes dele, tinha estado com um médico todo jeitoso e lindo, mas super egocêntrico, foi o #pila3. Sobre o qual acho que não falei aqui, porque quase, quase! me apaixonei por ele. Até ao dia em que ele me fez "ghost"... Puffff!! Desapareceu! E isso não me ajudou nada... De um ponto de vista energético... Porque esse na cama até era bom (e pagava bons restaurantes) 😇 fiquei com saudades dele... 

 

Espero que percebam melhor a minha pausa nas aventuras ... Ainda estou a tentar descobrir-me enquanto pessoa e mulher sexual. Acredito que a sexualidade é uma evolução e descoberta ao longo da vida. Cheira-me que até aos 30 anos, a coisa fica boa. Muito boa! 

 

Oremos irmãos. 

🙏🏻

 

15
Mai19

Conan Osiris onde escondeste os ataques epilépticos?

Gostei muito da performance do Conan Osiris e do João na Eurovisão. Mas... Quando actuaram aqui em Portugal senti mais aquele efeito "WOW". Ele estava mais sorridente, a curtir milhões, o outro gajo la atrás a fazer a cena dele, a dançar como lhe dava na telha, um "estilo" diferente, a divertirem-se, quase como se estivessem sozinhos na sala. Ontem não vi isso, vi um Conan com uma expressão mais séria, quase agressiva, um João que fazia too much ballet, nem parecia que estavam ali juntos. Houve muito menos cumplicidade, e notou-se.

 

De um ponto de vista técnico, sinceramente, os operadores de camera não devem pescar nada daquilo, porque abriam o plano nas partes em que a dança era mais interessante. (fizeram o mesmo com a gordinha que dançou com o Bilal Hassani e outros...)

 

Tudo isto para dizer que tenho saudades dos ataques epilépticos. E que tenho mesmo muita pena da maior parte dos artistas portugueses introduzirem uma actuação cá, e depois mudarem tudo até ao último dia... Porque não manter a mesma actuação até ao final? Qual a necessidade de mudar tudo? Nesse aspecto o Salvador Sobral foi mais "daqui não saio, daqui ninguém me tira"... Fez a cena dele até ao fim (ainda hoje não sei como não tocou trompete na final 😝) e ganhou aquilo tudo.

 

Somos todos borregos. 

13
Mai19

Dizer ou não dizer?

Quando era mais novinha contava os meus planos futuros a toda a gente que conhecia e isso trazia-me alguns dissabores, especialmente se não os cumprisse.... "então não disseste que ias fazer X?", "então afinal mudaste de ideias?", "oh, isso é outra coisa que nunca vais cumprir..."

Isto acontece-me porque mudo de ideias frequentemente... Ultimamente tenho evitado contar os meus planos a toda a gente. Só conto aos mais próximos, aos que sabem que os meus planos, às vezes, são só rascunhos 😇, e que muitas vezes, ainda vou aperfeiçoar a ideia, ou aperceber-me que afinal esta não me convém e passar a outra coisa. Pois, esses são poucos, cada vez menos. Mas não é fácil encontrar pessoas de confiança, pessoas que não julguem os outros pelas suas escolhas... E às vezes, quem mais julga os outros por mudarem de ideias, são aqueles que nunca decidem nada, que estão sempre na mesma...

E pensar que durante anos me deixei afectar pela opinião de pessoas assim... 🤔

09
Mai19

Em Ponto Maria: Ejaculação Feminina

É difícil fazer um post sobre este assunto sem entrar em detalhes técnicos... vou tentar não ser muito chata, ok? Vamos lá!

 

Ejaculação feminina, a eterna questão! Será que existe? Será que é tudo um mito criado pela indústria da pornografia? Pois. Talvez a ejaculação feminina como a conhecemos não seja real! Falo do squirt que vemos nos filmes porno; aquilo sai assim tipo esguicho mortal, direcionado aos olhos de alguém até é capaz de vazar uma vista.

 

Efectivamente, durante o orgasmo algumas mulheres libertam um líquido pela vagina, de quantidades variáveis, que ainda não está 100% identificado. Nalgumas mulheres esse líquido é esbranquiçado e em pequena quantidade, noutras o líquido é mais abundante e transparente, e até já se fizeram estudos recorrendo a ultra-sons, que mediam a quantidade de urina na bexiga antes e após orgasmo, e sim, verificou-se que algumas mulheres perdem urina durante as relações sexuais, e ainda mais durante o orgasmo (não há razão para ter vergonha aqui! acontece mais vezes do que aquilo que se pensa e muitas vezes no calor do momento passa despercebido...) 

 

A maior parte das mulheres que refere já ter tido uma ejaculação feminina, descreve uma sensação quente e de "libertação" de líquido, assim tipo tsunami, como se uma "porta de barragem" se abrisse, e não um jacto de líquido como se vê nos filmes porno... Tenho cá para mim que o que vemos nos filmes é SÓ urina... não pude ir analisar esta situação em detalhe porque não tenho dados móveis suficientes para tal, mas daquilo que me recordo, já vi filmes de squirting em que se vê claramente que a mulher está a fazer força para o jacto sair... se fosse uma "ejaculação" feminina verdadeira, não era preciso fazer força...

 

E é isto meus caros... desta vez não tenho nenhuma experiência ou história pessoal para vos contar porque nunca vivi isto. Nunca tive algo a que possa chamar "ejaculação feminina"... só me lembro de uma vez me estar a masturbar, ter tido um orgasmo super forte (e bom!) e ter um líquido branco nos dedos... será que era? Como tinha acabado de tomar banho pensei que fosse sabão e não liguei hahahaha. 

 

Hmmmm.... tenho que ficar mais atenta para ver se volto a ver algo do género... 

 

E vocês, homens e mulheres que estão a ler este post, já se depararam com esta situação? Meninas, já alguma vez ejacularam? 

 

Beijo na bunda! 

 

**************************

 

Em Ponto Maria Oficial.jpg

 

"A coisa andou a cozinhar e eis que atingimos o ponto!!! Quinta-feira quente. Quentinha. A escaldar! A Maria chegou para tornar este dia banal da semana no dia mais ansiado por vós. Conjuntamente com o Triptofano tivemos a ideia de lançar uma rubrica semanal que vai abordar temas da actualidade que são completamente aleatórios e imprescindíveis ao mesmo tempo. Fiquem por aí e percam-se nos nossos devaneios."

 

 

22
Abr19

Amizades sinceras... ou não.

Já vos aconteceu sentirem que alguém só fala com vocês porque tem a crença de que vocês são inferiores a ele/ela?

 

dementors_falsos_amigos_desarrumada.jpg

 

Desde muito nova que isto me acontece imenso. Não sei se por falta de auto-estima minha, ou se este meu sexto sentido é verdadeiro... Às vezes debruço-me sobre esta sensação e analiso todas as pessoas com quem a tal pessoa se dá para ver se o meu palpite é correcto. E muitas vezes é. São pessoas que estão rodeadas, não de amigos, mas de vassalos.

 

Considero-me alguém tímida, com tendência a aceitar o que os outros dizem, sem oferecer muita resistência... e quando alguém me deixa desconfortável e com a sensação que estou a pisar-me a mim própria, normalmente essa pessoa é alguém que vive rodeada de pessoas "como eu". E isto agora é um grito de alerta para mim!

 

Antigamente tentava afirmar-me, discutia com essa pessoa até, tentava "mostrar-me", tentava chamar a atenção "hey, estou aqui", "hey, olha para mim", "hey, eu existo", "hey, não estou aqui só para dizer que sim a tudo que tu queres". Mas isso acabou este ano.

 

Hoje em dia afasto-me. Quando alguém me provoca desconforto, seja de que tipo for, já não sinto aquela necessidade de agradar, simplesmente vou embora. Explicações são servem de nada com pessoas assim. São pessoas que absorvem todas as energias que estão à volta delas, e quanto mais dermos de nós, mais nos sentimos drenados, sugados, esgotados.

 

São os dementors da vida. E eu decidi dizer basta. Só este ano já foram 3 pessoas com quem deixei de falar. E estou muito melhor assim. Menos cansada, menos esgotada, sem necessidade de provar nada aos amigos que ficaram. Pessoas assim já não me fazem falta. 

 

08
Abr19

Perioditivismo // Um pedido para todas as mães de menino(s)

perioditivismo.png

Mães desse país à beira mar plantado chamado Portugal. Mães portuguesas que estão noutro país. Mães de outras nacionalidades que encontraram aqui o blog mais desarrumado da Internet.

 

Por favor, tal como falam sobre o período com as vossas filhas, falem sobre esse assunto com os vossos filhos. Estou farta de ouvir homens falar sobre o período como se fosse o diabo encarnado nas suas mulheres / namoradas, de falarem disso como se fosse uma incapacidade, ou fazerem piadas, ou terem nojo, quase pior que tudo isto: TEREM VERGONHA DE ABORDAR ESSE ASSUNTO!

 

Aconteceu-me no ano passado: saí alguns meses com um rapaz que sempre que eu estava com o período me mandava a boquinha "Ainda tens isso? Porque não tomas daquelas pílulas que param o período? A minha ex tomava e era o paraíso para ela e para mim". Pois, chocante ouvir um discurso destes em pelo século XXI, não???

 

E sempre que lhe dizia ou falava de período tinha a impressão que esse assunto o aborrecia ou o deixava irritado, como se ele encarasse a menstruação como algo acessório na mulher, prescindível, uma doença que deve ser exterminada, uma verruga que deve ser arrancada. "Trata disso" dizia ele. Tratar como? Deixar de ser mulher? Impedir o meu corpo de fazer aquilo para o qual foi programado? Parar de ovular só porque o menino não queria ter 7 dias sem sexo? Não tenho dores na menstruação, não tenciono tomar nenhuma contracepção hormonal, não me incomoda nada ter relações durante o período (respeito se o sangue incomodar o rapaz com quem estou e não obrigo ninguém a nada)... mas tomar algo só porque algum rapaz não acha bem eu ter o período. NUNCA. NEVER. JAMÉ!

 

Fiquei a questionar-me sobre esses assuntos... Quantas mulheres tomam a pílula devido a pressão psicológica exercida pelo parceiro? Quantas mulheres não têm o controlo absoluto de tudo que ingerem ou colocam no seu corpo? Os rapazes não são educados para aceitar o período como algo que faz parte de ser mulher? E este problema vem de onde? Não tiveram contacto com mulheres ao crescer? Elas não falaram sobre esses assuntos com eles? Se estivermos à espera que seja o pai a falar sobre período com os filhos homens... acho que, na maior parte dos casos, podemos esperar sentadas.

 

Eu lembro-me da minha mãe, mal eu tive o primeiro período, me ter metido um caixotinho do lixo no quarto para eu não deitar os meus produtos menstruais usados na casa-de-banho familiar, evitando assim que o meu pai e irmão vissem... quando íamos às compras com eles nunca comprávamos pensos higiénicos ou tampões... a minha mãe comprava quando fazia compras sozinha. E conheço outras famílias onde isto acontece. Só hoje em dia me apercebo do quão tóxico este comportamento pode ser. Apercebo-me que, como este assunto fica sempre escondido, muitos homens partilham a casa, durante uma infância e adolescência inteiras, com as suas mães e irmãs sem nunca se aperceberem que elas têm o período. Depois, já adultos, começam a sair com uma rapariga e quando ouvem falar em período é o "ai meu Deus, que doença nojenta é essa? Livra-te disso!"

 

Por isso, mães de meninos, irmãs de meninos, tias de meninos, avós de meninos, falem sobre o período com os homens da vossa vida. A futura mulher dele agradece.

 

Beijo na bunda! 

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