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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

04
Jan21

Costeletas...

Às vezes assistimos involuntariamente a momentos cringe, é uma pena, ninguém quer mesmo passar por isso, mas raramente podemos evitar. 

Estava hoje de manhã a passear na Praça do Comércio e estava um gajo a fotografar uma rapariga, toda jeitosa, mas vestida apenas com um crop-top! Aqueles tops que deixam a barriga toda à mostra. Fiquei admirada, porque com o briol que estava, a rapariga ainda não estava ali tesa que nem um bacalhau, a morrer de hipotermia. Eis que ouvi A CENA mais descabida de sempre. O gajo estava a gritar-lhe "dá-me mais costela! isso dá-me mais costela! vai, vai, boa, boa, iiiiisso"

Olho para trás, para ver que raio era "dar mais costela", e não é que a rapariga estava agarrada à cabeça, em posição de extensão das costas, a apontar as costelas inferiores para fora! Tanto que nem sei como é que uma costela flutuante não saiu dali disparada contra a cara de algum transeunte!

O gajo para além de ser fotógrafo deve ser talhante nas horas vagas e gosta de observar atentamente a xixa alheia...

 

Beijo na bunda! 

01
Abr20

A história do fim do mundo que nunca contarei aos meus filhos!

Isto ainda é só o início do capítulo.

Epah, até estava tudo mais ou menos bem. Não era tão bom como os anos 90, que para mim foram anos sem preocupações nenhumas, e os teus avós sempre me disseram que foi a melhor década da vida deles, e correspondeu à década dos 20 anos deles, por isso não me admira que tenha sido espectacular. Toda a gente merecia ter uma boa década para passar os seus vintes.

Ora bem, no início dos meus 20 anos foi a crise em Portugal. Uma merda, só se ouvia falar nisso, e na Troika, e na austeridade, e nos sacrifícios, foram tempos fodidos. Tirei o curso com a ideia (e o desejo de emigrar). E emigrei. 

Depois, tive ali 5 aninhos de emigração mais-ou-menos, era feliz, mas podia ter sido melhor sabem? Tinha uma doença mental para tratar. A ansiedade, já ouviram falar? No início vivi aquilo tudo com bastante ansiedade mas a coisa lá foi melhorando, uma pessoa até ia ouvindo falar de fome no mundo, da poluição, havia ali uma tipa, a Greta, que era marada dos cornos, mas até tinha razão numas cenas... Falava-se de guerras em países distantes, mas nada de especial, nada que nos afectasse muito enquanto europeus. Ah, quase me esquecia, houve aquela situação dos refugiados que partiram a Grécia toda e fizeram mais umas cenas noutros países, mais uns quantos naufrágios no mar Mediterrâneo, mas nada de especial, uma pessoa ouvia isso nas notícias mas depois voltava tudo ao normal, sabem como é, futebol, Eurovisão, jogos Olímpicos, a Carolina Deslandes que fez uma música a falar de racismo, umas estátuas que aparecerem com lágrimas azuis no Porto, uns cidadãos de Lisboa que reclamaram das rendas demasiado altas. Nada de mais, a vida corria como sempre a conhecemos.

Tranquilo. 

Mas escutem, no ano em que decidi que ia deixar de ter ansiedade e arriscar mais, mudar radicalmente de vida, pumbas, um chinês decidiu fazer uma sandes de Pangolim e apanhou um vírus que infectou o mundo todo. 

E foi assim que toda aquela merda que vocês aprenderam nos livros de história começou.

 

coronavirus_fim_do_mundo.jpg

 

 

 

21
Mar20

Ode ao isolamento social. Ou como ficar maluco em 5 dias.

Já não faço uma ode desde 2015, ano prolífero em inspiração, em que não só fiz uma ode ao kebab, como fiz outra ode aos tomates.

 

Vejam lá, que hoje acordei inspirada da minha vida, com aquela luz divina a cair-me nos cornos em modo angelical com direito a música de coro, e decidi escrever umas merdas no meu blog, à boa moda da dESarrumada, que aquela bitch nem sempre cá vem, mas quando vem parte a barraca toda.

 

Vamos lá?

 

Vamos pois.

 

 

Ode ao isolamento social

 

Tudo começou de um dia para o outro

O que era só uma simples gripe, segundo Emmanuel Macron,

Tranformou-se numa guerra sanitária,

E veio acabar com o famoso papel higiénico para limpar o bujon.

 

Já estou aqui que nem posso, de dormir mais de 10h por dia,

O sol esse, a trabalhar que nem um cão, já nem o via,

Mas agora ainda vejo menos, porque o velux do estúdio,

Uma limpeza já merecia.

 

Para sair, é preciso uma autorização,

Antes dava para preencher online e mostrar no telemóvel,

Mas um hacker decidiu que era a altura ideal para roubar informação,

E agora temos que copiar aquela merda toda à mão.

 

Já não escrevia tanto à mão desde a primária.

 

É a oportunidade ideal para ver séries, filmes e pornografia até cair,

O Pornhub aqui em França até já ofereceu uma conta premium gratuita.

Ok, esta quadra não vai rimar,

Mas com tanto porno em HD disponível até a patareca vai ficar aflita.

 

Se sempre quiseram testar os limites sebáceos do vosso cabelo,

esta é oportunidade perfeita.

Ver quanto tempo aguentam sem um banho.

Saber quanto é que crescem os vossos pêlos púbicos,

Podem testar aquele desodorizante zero waste, que tresanda, mas que sempre tiveram medo que os vossos colegas do work conseguissem cheirar.

 

Deixar o buço crescer até ao pescoço,

E apará-lo com o facalhão da cozinha.

Ok não se metam com o facalhão. Isso vai correr mal.

 

Qual cozinha? Não tenho. Estava só a brincar.

Já acumulei tanta tralha no estúdio que tenho que saltar obstáculos para chegar à cama.

Qual cama? Também não tenho.

É um sofá com um colchão mais fino que a pila do cachalote.

 

Não deixou saudades. Mas a experiência de quase morte que tive com ele, é tipo a experiência de morte eminente que o sistema de saúde público francês vai viver, brevemente, num hospital público perto de si. Porque entretanto os privados já deram à sola. Como em Portugal.

 

Mas isso já são outros quinhentos, como dizia a Avó Maria.

 

Pronto, isto no início rimava, já valeu pelo esforço,

Agora vou só dizer umas tretas soltas que me vierem à cabeça.

 

A minha vida tem sido:

Masturbação

Yoga

Meditação

Journalling

Visualização

Afirmações positivas

Ir comprar comida

Descer as escadas

Voltar para cima porque me esqueci da autorização

Copiar a autorização

Reparar que me enganei na data do decreto-lei

Recomeçar do zero

Escrever tudo outra vez

Tentar alegar que só tinha uma folha de papel em casa e deixar tudo entregue nas mãos de Deus

Ir às compras

Comer moelas pela terceira vez em dois dias porque é a única merda que sobra no corredor das carnes

Chegar à conclusão que o peixe aqui, para além de ser escasso, é nojento

E caro. Muito caro. Mas ainda não tão caro como o papel higiénico.

Esta gente pensa que o mundo vai acabar se não tiverem o rabo limpo?

Ou foi porque o Pornhub ofereceu um mês de premium grátis?

Não me digam que o papel higiénico é para se limparem depois?

 

Ok, foda-se, esta ode já descambou.

 

Vou só ali dormir a quarta sesta do dia.

 

E rezar para que a minha saúde mental aguente este isolamento em 12 metros quadrados.

 

Ontem bebi alcool sozinha, pela primeira vez na vida.

 

E ainda só vamos no 5º dia.

 

Arre foda-se.

 

Rogai por nós, irmões.

 

Beijo na bunda! 

 

 

27
Jan20

Um abre-olhos: o teste do Rosé!

Depois deste encontro falhado na passagem de ano... só voltei a ver o Half-French mais uma vez. Perto de minha casa porque ainda havia greve e eu ainda não sou nenhuma maluquinha das trotinettes - ainda! um dia meto-me numa e nunca mais me apanham, é ver-me por aí a dar à perna por Paris a fora!...

 

Ele chegou, 2 horas atrasado, em frente ao meu prédio (só avisou à última da hora como de costume), "desce" foi a mensagem dele. Fomos jantar ao restaurante que fica literalmente do outro lado da rua, passo lá todos os dias e quando vejo alguém a comer alquele hamburguerzão com guacamole até salivo... "olha vou pedir o hamburguer, e tu?" - perguntei. "Eu estou com vontade de uma tábua de enchidos para dois, não queres?" ... "não, para mim isso não é jantar, preciso de algo que encha mais...".... "ai, tu vens lá com aqueles hábitos de Portugal de quem come dois porcos inteiros ao jantar, come a tábua comigo, vais ver que enche"...

 

Aceitei o raio da tábua. Mas já estava a ver o meu futuro a andar para trás... já vão perceber...

 

"E vinho queres?" - perguntou.

 

"Não quero alcóol, estava mais numa de Coca-cola" - disse. Sim, sou Coca-cola addict, não julguem.

 

"Bebe uma garrafa de vinho comigo, que vinho preferes, queres tinto?" (rouge em francês)

 

"Epah... se tiver que escolher um vinho, prefiro ou branco ou rosé, mas tinto não" - ele aquiesceu.

 

Estávamos na conversa , ainda sobre os hábitos alimentares de Portugal e de como ele acha que quanto mais um país dá importância à quantidade de comida em vez da qualidade, mais pobre esse país é... (sim, ele é filho de portugueses e, diz gostar de Portugal, mas não perde uma oportunidade para mandar Portugal abaixo e dizer que a França é que é requinte, classe, boa educação, etc).

Chega o garçon.

Ele pede a tábua de enchidos. "E para beber?"

"Uma garrafa de tinto se faz favor"

...

...

...

...

...

Comecei a imaginar-me dali a 3 anos numa relação de submissão com este rapaz. Em que ele vai decidir tudo, o meu futuro profisisonal, quantos filhos vamos ter, a cor das minhas cuecas (é de notar que no primeiro date ele me disse que DEVIA usar batom mais escuro para combinar melhor com o meu cabelo escuro - de notar que nesse dia tinha metido o meu batom cor de rosa clarinho da Clinique, que custou nada menos que 32€, e ele ali a pedir-me para trocar de batom - FUCK!)

 

Estava eu a pensar nisto... quando o garçon chega com a garrafa de Rouge e pergunta se eu quero provar... respondi que não, que o Monsieur podia provar. Quando o garçon foi embora o Half ainda mandou para o ar "sabes que é a mulher que prova o vinho não sabes?". "sei, mas tu também sabias que não queria tinto e pediste na mesma". Ele não respondeu, mudou de assunto.

 

Nesse momento decidi que não estava ali o homem da minha vida. E que já o devia ter percebido desde o primeiro encontro. Mas gosto de ver até onde vai o ser humano, e sou pessoa de dar segundas oportunidades... Desta vez dei, mas ele não merecia.

 

Acabámos a noite no meu quarto, e foi muito bom. Mas eu sabia que ia ser a nossa última queca e por isso aproveitei ao máximo. Gosto quando sei que não vou voltar a ver o gajo. Normalmente já sou desinibida, mas quando sei que não é para ser sério, atrevo-me mais a fazer pedidos estranhos. No final "não tens aí nada que se coma? estou cheio de fome"... "eu avisei que a tábua não enchia!" - dei-lhe um iogurte que ele comeu logo...

 

Na manhã seguinte eu tinha que ir trabalhar, ele ficou a dormir lá em casa. "Quando nos voltamos a ver?" perguntou. Eu respondi "sábado às 15h para dar uma voltinha no parque de Belleville?".

 

"Ah, ainda não sei, depois digo algo..." - este moço é incapaz de assumir um compromisso com antecedência. É sempre tudo à última da hora. Não suporto, e não mostra empenho nenhum.

 

Sexta à noite e ele ainda sem confirmar nada. Recebo mensagem às 22h da noite "olha estou a beber uns copos com um amigo na tua zona, se não acabar muito tarde posso ir aí ter contigo?"

 

PFFFFFFF.... É que nem que ele tivesse pintado de ouro eu ia aceitar ser uma booty call! Never! Nunca! Jamé!

 

"Olha desculpa mas estou cansada e tenho a minha meditação para fazer... vemo-nos amanhã às 15h em Belleville?"... Silêncio... nem uma resposta.

 

No dia seguinte fui à minha aula de Yoga, que é ao lado do parque de Belleville... o Yoga acabou às 14h30. Fui passear no parque, plena, serena, tranquila. Estava um céu azul espectacular, mas frio com'ós cornos. Às 15h10 mandei mensagem "morreste?"

 

Continuei o meu passeio, depois voltei para casa. As 16h23 recebo mensagem: "sim, morri, ontem bebi demais e só acordei agora."

 

"d'accord" respondi.

 

Até terça não recebi mais nada dele. Depois, nessa noite, perguntou quando nos voltávamos a ver... respondi que tinha pensado muito e que não queria voltar a vê-lo... "desejo-te uma boa continuação", terminei assim a mensagem que lhe mandei.

 

A resposta dele "ah então és assim? quando as coisas não correm como queres, desistes de tudo? por um lado talvez não seja má ideia ficarmos por aqui, vê-se que és o tipo de mulher que cria conflitos por tudo e por nada"...

 

Não respondi.

 

...

...

...

...

...

 

Bendito Rosé! Va de retro Satanás!

 

Este gajo é tóxico! E estou feliz e contente de me ter apercebido a tempo! E foi assim que acabou esta história do Half-french, um gajo que tem claramente problemas de auto-estima e que é, muito provavelmente, um narcissista, como o meu EX.

 

Obrigada a todos que, por aqui ou pelo Instagram, ou Whatsapp, me ajudaram a abrir os olhos! Apaguei as apps todas. Estou em fase de detox, a pensar só em mim. E que bem que tenho estado 

 

Beijo na bunda! 

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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