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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

30
Out19

3. Carro.

Disse que voltava aqui para te falar do meu carro.

 

Vendi o meu carro. O segundo que tive na vida. O primeiro comprei em Portugal com o meu primeiro salário, e dinheiro que tinha poupado durante 3 anos para fazer Erasmus. Intercâmbio no Reino Unido, para o qual fui seleccionada, somente duas vagas disponíveis! e do qual acabei por desistir, por pressão do meu pai, devido a dificuldades económicas... Estão a ver quando estamos entusiasmados para realizar um sonho, e os nossos pais, dos quais somos financeiramente dependentes, nos dizem a frase-mata-sonhos: "eu não tenho dinheiro para te pagar isso".

 

E vocês, ingénuos, aceitam o que os vossos pais decidiram que era o melhor para vocês... Apesar de saberem que, há bolsa, há formas de trabalhar para a universidade e ganhar uns trocos... Havia tanta forma de me ter safado, tanta solução, tinha tanta certeza de que ia correr bem, e mesmo assim ouvi o meu pai, e desisti. Lembro-me daquela quarta-feira, acordei cedo para ir falar com a professora responsável pela colocação nos Erasmus... 

 

"Professora, vim aqui para desistir da minha vaga e passá-la ao próximo na lista" (eu era a primeira a ter ficado colocada... Com a minha desistência, o terceiro colocado foi no meu lugar...)

 

"Você tem noção da oportunidade que está a deitar fora? Tem noção da quantidade de pessoas que queriam estar no seu lugar?"

 

"Tenho sim, mas por razões familiares não vou conseguir ir". 

 

Este foi um daqueles dias que mudou tudo na minha vida. O sonho de emigrar para o UK foi-se...

 

Saí daquela sala e contornei a minha escola por trás, para evitar o caminho principal e ter de me cruzar com pessoas conhecidas, em apneia fui caminhando entre os departamentos, até chegar à parte de trás da biblioteca, onde dava para ver a ria, e aquela paisagem magnífica que me acompanhou em muitas tardes de estudo... Era mesmo muito cedo, estava um bocado de nevoeiro. E a apneia foi-se. Comecei a chorar. Chorei tanto. Chorei (quase) tudo. Naquele dia senti que um caminho, de entre tantos outros caminhos que podia ter escolhido, tinha desaparecido para todo o sempre.

 

Chorei:

Por não ter nascido com mais posses monetárias,

Por não ter tido coragem de dizer foda-se ao meu pai,

Por ter tido medo de falhar e ouvir um "eu bem te avisei que o dinheiro não ia chegar".

 

Tive medo, muito medo... E com medo de desiludir os meus pais, desiludi-me a mim própria. E desisti...

 

Hoje não sei como teria sido a minha vida se tivesse ido para o Reino Unido e não para França? É engraçado... E ao mesmo tempo não tem piada nenhuma! Como um só segundo de indecisão, pode mudar tudo. O plano era: erasmus e depois procurar trabalho por lá. 

 

Entretanto, com o curso acabado, comprei o meu primeiro carro, com o qual não tinha sonhado, com o dinheiro de outro sonho... porque o trabalho que tinha na altura era relativamente longe de onde morava... Depois com as poupanças que voltei a fazer nesse trabalho, emigrei. Para França. O Reino Unido tinha um sabor tão agridoce que nem voltei a considerar essa hipótese. O primeiro carro lá ficou, com os meus pais, e irmão, são eles que o usam, já não me pertence... Mas quando vou a Portugal e vejo a puta daquele carro, não consigo deixar de pensar "e se tivesse ido?" 

 

Traz-me recordações pesadas. 

 

Chegada a França, numa terrinha com mais vacas do que habitantes, tive que voltar a comprar outro carro após um ano. Um carrinho pequenino, que ficou comigo por 3 anos. Chorei muito naquele carro, mas também ri muito. E as quantidades industriais de chocolate que comi lá dentro... Um carro tem sempre tantas histórias para contar não tem? Até o raio da matrícula tinha as minhas iniciais! 

 

Vendi-o no dia 2 de Setembro deste ano. Foi muito mal negociado e perdi quase tudo que paguei por ele... Só em TGV para o ir vender, foi quase tudo que me pagaram... Carros nunca são um investimento, mas isso eu já sabia. Contudo, fiquei mais leve. Não há gasolina para meter, não há inspecção para fazer, não há mais seguro para pagar. Aqui em Paris, quando quiser partir, é só pegar na troxas que tenho, meter tudo num saco (ou dois!) e bazar. Já não há mais nada para vender.

 

Sobre o carro#1: consegui perdoar o meu pai. E, 7 anos depois, a mim também... Mas só porque aprendi a aceitar que estou onde tenho que estar. É preciso deixar de pensar em quem podia ter sido, e concentrar-me na pessoa que sou e quero ser. 

 

Em termos materiais, não há mais nada que me prenda.

 

Ouve o que te digo, uma pessoa só se arrepende do que não faz... E isto que acabei de te contar é, provavelmente, o meu maior "e se..."

 

Mas a lista de arrependimentos a expurgar ainda é longa. Espero que estejas com paciência para ouvir. Obrigada por estares aí. 

 

 

20
Set18

Aqueles momentos em que tenho vergonha de mim própria.

Epahhhh, pronto, deixa-me cá construir os factos devagarinho: andava há montes de tempo sem sofá. Falei nisso aqui, aquiaqui (e em tantos outros posts porque andei a falar do raio do sofá durante um ano e só agora a pesquisar posts para este link é que me apercebi das inúmeras vezes que falei nele). Finalmente, arranjei o sofá em Agosto. Fui com umas amigas minha na carrinha de uma delas buscar o sofá a Orleães, a casa de um tio de uma delas que já não precisava do sofá e estava a dá-lo de graça.

 

Já disse que foi DE GRAÇA???

 

 

 

O sofá chegou cá a casa não sei como - nem queiram imaginar quatro raparigas, uma delas com 1 semana de pós-parto - a trazer um sofá até ao 4º andar de um prédio. Limpei-o com cuidado, encontrei muitas teias de aranha e os cadáveres dos ditos cujos bichos, quase que vomitava várias vezes durante todo o processo de limpeza, mas ele lá foi ficando operacional. 

Entretanto, como já sabem que sou desarrumada e não é pouco, ele andou cheio de tralha em cima durante uns tempos. No último fim-de-semana decidi tirar a tralha e o sofá ficou ali lindo e pleno à espera que eu me sentasse nele, com uma chávena de chá, a ler, ver series, ver filmes, e tantas outras coisas que tinha planeadas para ele.

 

Pois bem, gostei tanto do sofá que ando a dormir nele desde domingo. Peguei na almofada e no edredão e ala para o sofá bater um soninho daqueles mesmo bons.

 

Se fosse só isto vocês até iam achar que foi uma escolha consciente e por razões de conforto. Mas não foi. Vou contar-vos a verdadeira razão para andar a dormir no sofá.

 

No domingo tinha tido a bela ideia de tirar os lençóis da cama para os lavar (normal), só que entretanto pus-me a falar com a minha mãe ao telefone até às tantas da noite (eram os anos dela), e fiquei com tanta preguiça de meter os lençóis lavados na cama que disse para mim própria "ohhh, só por um dia dormir no sofá não há-de ser um problema". Pois. Isto já dura há 4 noites e acho que não volto para a minha caminha tão cedo porque já lhe ganhei o gosto. E meter sozinha aquele lençol com elástico à volta do colchão provoca-me cá um fastio...

 

18
Fev18

Histórias para contar.

Engraçado que isto de passar por um break up faz-me pensar noutras histórias mais antigas, como começaram, como acabaram, o que fiz para melhorar, como saí do fundo do poço e outras divagações que tais.

 

Lá para meados de 2008 fiquei comprometida, eu e o meu namorado da altura achámos que seria giro termos alianças de comprometidos, até porque, já namorávamos há dois anos e era "certinho" que íamos casar. Ele foi estudar para Lisboa, eu fiquei no último da ano da secundária. A dESarrumada com 17 anos ficou sozinha na secundária com uma aliança de comprometida no dedo anelar da mão direita. O moço lá foi para Lisboa, morar para casa de uma tia, e como acontece com todos os meus namoros em que a distância se instala, ele começou a preferir ver a novela todas as noites do que ligar-me. Isto sim, é um padrão que se tem repetido anos e anos seguidos. Começo um namoro, corre bem, ficamos longe por um motivo ou outro, eu continuo a tentar e eles sentam-se à sombra da bananeira. Ou será que sou eu que interpreto tudo mal? Nunca saberei.

 

A verdade é que custava ser trocada pela novela. Eu na altura ainda tinha tomates para ligar mesmo quando me diziam que não tinham tempo, e cheguei a ter a chamada desligada na cara... tuh, tuh, tuh... do outro lado da linha.

 

Foda-se. Aguentei, afinal, íamos casar, ter bebés e uma casa na Serra. Estava eu toda contente a festejar o facto de ir para a Universidade só que menti ao moço, disse-lhe que não tinha metido opções em Lisboa porque não tinha média suficiente, mas a verdade é que entrei num sítio com média superior na altura... só que queria mesmo, mesmo, estudar em Aveiro, tinha o feeling que lá é que ia ser feliz, e fui, muito. Mas não lhe contem, ok?

 

Fui para Aveiro. Aquilo foi festa todas as semanas, aquele primeiro ano foi mesmo um dos melhores em termos de descobertas. Estava livre da força controladora que os meus pais exerciam em mim, podia fazer o que quisesse, desde que não gastasse muito dinheiro, porque afinal, na Universidade somos "livres", mas ainda muito dependentes dos pais. Conheci outro rapaz. Tirei a aliança do dedo, só a metia quando ia a casa no fim-de-semana. Houve um fim-de-semana em que me esqueci de a meter e tive que dizer a toda a gente que a tinha perdido na praxe. Nunca mais a pude meter depois disso, afinal, estava "perdida". Eu sabia que dali não sairia nada sério, afinal, o meu namorado não me vinha visitar por mais que eu lhe pedisse, arranjava sempre algo para fazer com a tia em Lisboa. Num fim-de-semana passado em casa, encontrei-me com ele e acabei. Implorou de joelhos (foi a única vez que alguém se ajoelhou a implorar que não acabasse com ele). Eu fui dura, disse-lhe que ele me ignorava e que assim não podia continuar. Ele disse que ia mudar. Nos 2 dias seguintes não me mandou uma única sms. Mandei eu outra a dizer que a minha ideia de acabar estava confirmada e que era definitiva.

 

Entretanto continuei a sair com o tal rapaz de Aveiro. Perdi a virgindade com ele, a ideia de casar virgem caiu por terra nesse 1º ano de Universidade. Na altura morava num prédio com 12 andares habitáveis que tinha um 13º andar com arrumações e acesso a um terraço. Como partilhava quarto com outra rapariga eu e esse moço íamos "curtir" para o tal 13º andar do prédio. Aquilo foram meses de muita adrenalina. Já quase me tinha esquecido disto. Num dos dias da semana académica estava com ele lá no sótão e as minhas calças de ganga, que eram super justas, rasgaram-se no meio das pernas. Tive que descer os andares todos naquela figura, cuecas à mostra e tudo. 

 

Boas recordações. Muito parvas mas boas. Ainda bem que não me esqueci do quão parva era. O anel ainda está lá em casa guardado numa caixa com as fotos deste namoro de 3 anos. Soube bem ter vivido algo "assim", mas éramos umas crianças. O segundo rapaz foi no ano seguinte de Erasmus para outro país. Mais um que se afastou. E na altura também achei que nunca mais voltaria a amar. 

07
Fev16

Histórias no supermercado.

Quando a senhora que está à tua frente na caixa se lembrou de comprar a loja toda (início do mês, whatelse?) e tens atrás de ti umas pessoas com um carrinho pequeno e meia dúzia de items. Entretanto mesmo que tentes deixar passar essas pessoas a fila aumenta e os que estão no fundo têm exactamente o mesmo número de items que os que estão atrás de ti. No meio disto tudo, as tuas coisas já estão no tapete e tu pensas: "fuck it, já esperei quase 20 minutos, não vou esperar mais". E não deixas passar ninguém. A senhora à tua frente fez uma despesa de 253€. Tu fizeste mais de 50€ e recebes uma garrafa de cidra e um desconto de 5,20€ para a próxima vez que fores lá. Quem disse que o karma era uma bitch?

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