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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

30
Jun20

Epah, não há budget!

Ai que durante o confinamento havia palmas e arco-íris e exclamações indignadas "isto não pode ser, a função pública na saúde merece um aumento salarial!"

 

Agora de repente essa ideia escafodeu-se...

 

E eu que já andava com ideias de voltar a trabalhar em contexto hospitalar... Arre foda-se para eles. 

29
Abr20

Diário de bordo 29.04.2020

como vos tinha dito, o Titi veio ter aqui comigo durante uns dias. Depois fui eu a casa dele, depois ele voltou aqui para o meu aniversário. Vocês não sabem, mas aqui a vossa dESarrumada já tem 29 anos! 

 

vinte 

e

nove!

 

Quando comecei o blog tinha 23 anos. Já lá vão quase 6 anos de emigração. E de muito crescimento.

 

As coisas com o Titi têm corrido bem. No início tivemos um arrufo por causa de uma ex dele, com quem ele ainda se dá e bebe cafézinhos, chateei-me com ele porque queria que ele deixasse de a ver, ele disse que não o faria porque actualmente ela era uma amiga dele, e eu não podia pedir-lhe isso, nem com ela, nem para deixar de ver quem quer que fosse.  

 

Fiquei amuada 1 dia. Depois decidi que não podia amuar com merdas destas, ou nunca ia construir nenhuma relação de jeito.

 

Aproveitei para usar esta situação para crescer. Fiz os exercícios de "auto-cura" da Psicóloga Nicole LePera que podem ver aqui. São exercícios de escrita chamados "Future Self Journaling", que nos ajudam a desligar certos circuitos automáticos no cérebro e a tornarmo-nos uma nova versão de nós mesmos. 

 

E tenho andado super bem. Tenho consolidado cada vez mais a crença de que ninguém nos pertence, um parceiro de vida é suposto acrescentar algo, eu não o possuo, e ele não me possui a mim, somos pessoas independentes... tal como entramos na vida um do outro também podemos sair, por traição, por ruptura amorosa, por doença, por acidente, ou morte. E por isso é tão importante aproveitar bem o tempo que temos juntos.

 

E também me apercebi de outra coisa relativamente a mim própria - isto foi muito doloroso - às vezes a resposta à pergunta "e se a pessoa mais tóxica da relação fores tu?" é sim. E isto é bem real, e é preciso termos consciência disto, que todos, em algum ponto da vida podemos ter comportamentos tóxicos... eu muitas vezes fico tão cega pelo ego que não me apercebo que tenho, eu mesma, comportamentos tóxicos de ciúmes e controlo excessivo. Consegui parar. Consegui aceitar, e tenho estado tão em paz. Desde aquela discussão que não voltei a abordar o assunto com ele, porque decidi voltar-me para dentro... descobrir mais sobre mim própria... e aproveitar este rapaz que tem sido uma bela descoberta e uma etapa fantástica da minha vida. 

 

Ele tem estado sempre muito presente, temos falado todos os dias, já partilhei com ele alguns dos meus sonhos e ele apoia-me em tudo. Ele contou-me os sonhos dele e eu apoio em tudo. Por isso, sinto que a coisa está bem encaminhada... e o confinamento está quase a acabar, vamos recuperar um bocadinho da vida no exterior... Não posso falar em recuperar o tempo perdido, porque este tempo em casa não foi de todo perdido. Foi tempo precioso em que pude trabalhar o meu EU interior. Mesmo estando há quase 2 meses sem ganhar nada financeiramente, não há dinheiro que pague o tempo dedicado ao desenvolvimento pessoal do qual pude usufruir nesta quarentena. 

21
Mar20

Ausência e isolamento social.

Tenho andado muito ausente do blog... sim, e desta vez não é por falta de tempo, porque disso tenho tido imenso. Estou desde segunda-feira em Paris, fechada no meu estúdio... e não tenho feito nada mais nada menos do que tudo que sempre quis fazer, dormir, ler, ver séries e trabalhar no meu futuro projecto online. Que nada terá a ver com este blog, apesar da minha essência continuar a ser a mesma, por lá.

 

Esta quarentena ou isolamento social, como lhe queiram chamar.... só veio confirmar na minha cabeça, algo que já sabia: precisamos todos uns dos outros. Precisamos dos pequenos prazeres da vida, tanto ou mais, do que dos grandes prazeres da vida. Deixo ao critério de cada um escolher um pequeno e um grande prazer para a sua vida. Eu já escolhi os meus.

 

Beijo na bunda! 

11
Dez19

França, não enviaste o formulário X!

França é o país da burocracia. Isto é papéis, formulários, pedidos de formulários e impressos para preencher por todo o lado. Quando se está a trabalhar em estatuto liberal... Então é o pesadelo... Comecei há 7 meses e o estúdio onde moro já não chega para guardar a quantidade astronómica de dossiers que tenho...

 

Este vídeo bastante antigo foi-me mostrado por uma amiga. E retrata bem, de forma satirizada, mas real, a confusão que é tratar de assuntos burocráticos por aqui. Pode parecer exagero, mas já me disseram muitas das frases que vão ouvir neste vídeo. E algumas delas são tão ridículas, que quando questionamos a pessoa, nem ela sabe explicar o que acabou de nos dizer...

 

O primeiro vídeo está em francês! Mas não vos apoquentais... Encontrei o mesmo em inglês! 😂

 

 

 

Beijo na bunda! 💋

 

25
Out19

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.

 

Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 

 

Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 

 

Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 

 

O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.

 

A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.

 

Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 

 

A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 

 

Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 

 

06
Out19

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.

 

Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...

 

Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 

 

Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.

 

Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 

 

Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.

 

Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.

 

Para o ano já é a minha vez. 

 

Foda-se. 

 

Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.

 

Boas eleições malta.

 

Beijo na bunda! 💋 

27
Set18

Os hits da rádio aqui na France #7

Este tipo de músicas passam tanto, mas tanto, na rádio por aqui. Este estilo em particular não aprecio, reformulo, a música em si até pode escapar numa noite de borracheira, mas o vídeo??? Quando estou no quarto de algum paciente e isto começa a passar na televisão fico meio que hipnotizada com estas moças fantasiadas com ostentação e luxo. A dizer que um homem corre atrás dela mas ela não está interessada porque só pensa em fazer dinheiro. Sim, por um lado apetece-me dizer-lhe "you go girl!" por outro tenho a dizer que escusava de ignorar o moço quando ele aparece com as flores, primeiro aceitava as flores e depois ia-se embora como fez 

Quando vejo isto só me apetece dizer ao meu paciente "olhe vou só ali um bocadinho já volto", fechar-me na casa de banho e suicidar-me com a mangueira do chuveiro.


 

 

22
Ago18

Notificações cerebrais: o regresso ao trabalho.

Estão a ver quando uma pessoa passa um dia inteiro sem ligar os dados do telemóvel e depois quando chega a casa, ao conectar-se ao wifi, chega aquela enxurrada de notificações provenientes de todas as aplicações e o telemóvel fica ali a emitir os mais variados sons durante uns 10 minutos? Estão a ver aquela sensação de pânico de não saber por onde começar a ver tudo o que se passou durante a nossa "ausência" no mundo virtual da internet?

 

Pois. Eu sinto-me assim depois das férias. No primeiro dia de trabalho. As notificações chegam em catadupa ao meu cérebro e eu ando ali feita barata tonta a tentar apreender toda a informação. Às vezes olho para o paciente que vem ter sessão comigo e fico a pensar "quem é este? qual é a patologia dele e o que é suposto eu fazer com ele?"  

 

Resumindo, demorei um mês a sentir que tinha voltado a 100%. No entanto, escusado será dizer que com as substituições de férias dos colegas e o ritmo frenético de trabalho durante o mês de Agosto (sim, porque a doença não tira férias no verão!), já estou a precisar de outras férias. Quem mais nesta situação?

 

Beijo na bunda! 

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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