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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

06
Out19

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.

 

Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...

 

Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 

 

Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.

 

Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 

 

Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.

 

Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.

 

Para o ano já é a minha vez. 

 

Foda-se. 

 

Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.

 

Boas eleições malta.

 

Beijo na bunda! 💋 

18
Set19

Hoje é dia de voltar.

Que sentimento agridoce este de voltar para Paris... Não sei o que pensar. Queria tanto conseguir decidir outra coisa para mim... Mas não sei bem o quê. 

 

Ontem choveu bastante aqui... E caiu granizo. Bastante.

 

Queria dizer algo eloquente. Mas não consigo. 

 

Xau, xau. Voltamos a ver-nos em Paris. 

 

Beijo na bunda 💋 🍑

18
Ago19

Em Paris o mês de Agosto é como um domingo prolongado.

Desde o dia 1 de Agosto que Paris ficou com um terço da população habitual. Podia estar a exagerar, mas não estou. Os parisienses vão de férias, as lojas todas fecham, a maior parte dos restaurantes também não estão a funcionar...

 

Pasmem-se! Quase todas as manhãs consigo ir sentada no metro das 8h30! Algo que no resto do ano é praticamente impossível 🤷🏻‍♀️

 

Mas estou a ADORAR ver a cidade assim... Adoro ter espaço quando caminho nos passeios para andar e olhar para os edifícios com calma, adoro não estar sempre a esbarrar contra pessoas, adoro não ter desconhecidos a cheirar a cavalo colados a mim no metro, adoro conseguir chegar a casa sem ter que caminhar pela estrada porque o passeio em frente aos restaurantes está cheio de bêbados viciados em after-works... 

 

Mas está quase a acabar, daqui a uma semana o frenesim começa e deixo de ter Paris "só para mim". 

 

Até lá é aproveitar estes dias de sossego. 

 

Beijo na bunda 💋

 

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14
Mai19

Portugueses em Game of Thrones.

(antes de começarem a ver o vídeo: tem spoilers ligeiros da season 8, episódio 3!) 

 

Como seriam os portugueses se tivessem participado na batalha de Winterfell? Vejam este vídeo para saberem mais e atentem na tradução de Unsullied. MORRI 😂

 

 

 

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03
Jan19

5 coisas que tive que aprender desde que moro em França.

- Esvaziar um pote de crème fraîche com uma colher.

Só Deus e eu sabemos as voltas que eu dou, com aquela embalagem do demo com umas dobras estranhas no fundo, só para não sobrar nem uma grama. Cá desperdício é que não que a vida custa a ganhar a todos. Sou emigrante mas não sou parva;

 

- Andar na rua com uma baguete debaixo da axila.

Isto parece fácil mas... wait for it! Experimentem pedir uma baguete numa pastelaria, recebê-la directamente na mão sem papel e andar com aquilo até ao carro numa rua movimentada... estão a ver o Neo do Matrix a escapar-se das balas? É assim que os franceses têm que andar na rua;

 

 

- Ser paciente enquanto peão a tentar atravessar uma passadeira.

Ninguém pára na passadeira. Ninguém! Às vezes nem quando o sinal está verde para os peões. Ia ficando sem nariz por causa disto. Vi a minha vida a andar para trás várias vezes;

 

- Aprender a dizer caralhos t'a fodam em francês.

Ou pelo menos a sua versão mais parecida com o português e utilizá-lo frequentemente;

 

- Ir à casa-de-banho fazer xixi ou cocó e não lavar logo as mãos.

Sim, aqui a sanita está numa divisão isolada qual parente leproso. E muitas vezes a divisão onde está o lavatório nem sequer é mesmo ao lado da divisão onde está a sanita ou fica no andar de cima. Cagar, utilizar o piaçaba, abrir a porta e ir à cozinha lavar as mãos é algo socialmente aceitável por aqui. De extrema importância evitar tocar na maçaneta interior da porta que está na divisão onde fica o trono. Não digam que não avisei.

 

 

Beijo na bunda! 

 

08
Ago18

Estar solteira e as suas vantagens tão priceless.

É verdade que desde Fevereiro estou "oficialmente" solteira. Mas, desde essa data, andei sempre com a impressão de que tinha que arranjar um moço à força toda. Depois de duas desilusões seguidas, primeiro o moço S. que era racista e só pensava em dinheiro e depois o moço C. que tinha tudo para ser perfeito, mas que ainda não superou completamente a relação anterior, que durou 5 anos, e que, decidiu "acabar" tudo ao tentar fazer-me um ghost - só não o fez porque eu peguei nos meus tomates e liguei-lhe a perguntar "Que merda é esta, deixas de me falar de um dia para o outro? Deves estar a confundir-me com outra rapariga qualquer". Eis então que estou solteira da silva, sem intenções de voltar a procurar um moço X, Y ou Z. Acho que vou literalmente ficar à espera que ele me caia do céu. Se não cair nada, que se lixe, hei-de sobreviver. 

 

Estão a ver quando uma pessoa vai a um casamento, come que se farta, enfarda até não caber mais comida e fica ali a vegetar e a jurar que "nunca mais come nada na vida" até à terça-feira da semana seguinte? Pois. Eu estou assim. Enjoadinha de todo no que diz respeito a rapazes. Com vontade de aproveitar masé a minha solteirice. Entre viagens e outras coisas planeadas, ando a planear a "great escape" - como eu gosto de carinhosamente chamar o momento em que vou bazar deste trabalho e vilazinha cidade! Faltam 10 meses para acabar o contrato de 2 anos que assinei com o Centro onde trabalho... a contagem decrescente começou, e eu mal posso esperar pelo dia D... tic... tac... tic... tac...

 

counting the days.jpg

 

Outra coisa, decidi adiar a minha candidatura para o voluntariado internacional (apesar de ter ido à reunião de informação e já ter CV + carta de motivação, em francês e em inglês, feitinhos e prontos a enviar), porque decidi ir visitar a J. à Austrália, e isso para além de ser uma viagem que envolve bastante planeamento, vai também trazer-me alguns gastos financeiros consideráveis. O voluntariado, posso sempre fazer mais tarde... enquanto que a oportunidade de fazer esta viagem com a J. - que está na Austrália a trabalhar como au pair por 6 meses e a viajar os 6 meses restantes - não sei se volto a ter. E como dizia a outra YOLO!

 

Quanto ao futuro, a longo prazo, tenho algumas ideias do que vou fazer depois da viagem à Austrália. Mas, como a vida está sempre a mudar, não vou estar praqui com planos fixos. Até porque tenho várias ideias em mente (e já sou conhecida por estar sempre a mudar de ideias, não é mesmo?). Entre outras, estão as seguintes ideias:

- arranjar um trabalho fixo numa cidade que goste muito e instalar-me por lá com um apartamento porreiro, morar perto de um ginásio e inscrever-me em aulas de Yoga ou cozinha, ou algo do género;

- fazer substituições de curta duração através de agências de trabalho temporário um pouco pela França toda, para conhecer várias formas de trabalhar e visitar umas cidades simpáticas;


- ir trabalhar meio ano ou um ano inteiro para os DOM-TOM - as ilhas francesas, como por exemplo: Martinica e Guadalupe (nas Caraíbas), Polinésia Francesa (no Pacífico), Reunião (no Índico)... - O céu é o limite, portanto.

 

Posso oficialmente dizer que - apesar de não ser nada fácil lidar com esta carência e insegurança toda e às vezes ainda dar por mim a chorar que nem um bebé - estou, aos pouquinhos, a apaixonar-me pela minha solteirice, por todos os caminhos que esta está a abrir para mim e pela coragem de "desbravar" mundo que tenho sentido! E isso é algo que não tem preço!

 

 

Beijo na bunda

para os meus desarrumados! 

 

21
Mai18

Como vejo hoje a emigração.

Conheço vários casais de emigrantes que estão na Suíça. E, apesar de não falar regularmente com eles, sigo o que vão fazendo por lá nas redes sociais. Admito que é um país que me desperta alguma curiosidade e que gostava de conhecer. Então lá vou eu toda contente ver o que postam, na esperança de que mostrem coisas giras desse país.

 

Efectivamente eles vão passeando e fazendo as suas visitas como qualquer pessoa.


Mas comem onde? Restaurantes portugueses.
Comem o quê? Bacalhau e leitão.
Saem com quem? Amigos portugueses. 
Vão a que tipo de bares? Bares portugueses. 
Bebem o quê nesses bares? Super Bock ou Licor Beirão. 
A que tipo de festas vão? Vão àqueles encontros de portugueses em que há Toy, Tony Carreira e fadistas.
Quando vão a algum lado diferente tipo bowling, kart, etc. São sítios em que a gestão é feita por portugueses.

 

Fico sempre naquela dúvida se na Suíça não há actividades, bares, restaurantes, geridas por suíços e/ou outras nacionalidades, ou se é mesmo a malta portuguesa que prefere andar em manada e não se quer misturar. Ou se são só estas pessoas que sigo que são assim, e que há outros portugueses por lá que se misturam mais. Quero acreditar que sim.

 

Pessoalmente não vejo a emigração dessa forma. Se decidi mudar de país, não é para viver como se ainda estivesse em Portugal. Vejo isto como uma oportunidade de expandir horizontes, conhecer outras culturas e formas de estar na vida. Aliás, até houve bastantes hábitos que trouxe de Portugal que decidi abandonar, por já não me servirem, e que não tenciono voltar a ter, mesmo que um dia regresse para Portugal. 

 

Para mim ir embora é isto, é crescer. É alargar o coração para outras tradições, comidas, bebidas, lugares, poderem entrar e ganhar casa. É criar um cantinho para todas as coisas que gosto nos dois países. É sentir-me um bocadinho dos dois países. É ter saudades de França quando estou em Portugal e de Portugal quando estou em França.

 

É saber que isto vai ser um "problema" no sentido em que vou adiar, adiar e adiar a decisão de voltar. Porque também me sinto bem aqui. E a minha família dizer que já não volto. E eu não sei se isso é verdade ou não, se tivesse um emprego que goste em Portugal, com alguma dignidade, costumo dizer que voltava já amanhã. Mas será verdade? Será que voltava mesmo? No fundo de mim, sei que nada sei. Só quero sentir-me bem, e neste momento sinto-me bem aqui. E o tal emprego de sonho em Portugal ainda não apareceu. E vou adiando.

3 anos e 6 meses.

 

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