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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

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11
Dez19

França, não enviaste o formulário X!

França é o país da burocracia. Isto é papéis, formulários, pedidos de formulários e impressos para preencher por todo o lado. Quando se está a trabalhar em estatuto liberal... Então é o pesadelo... Comecei há 7 meses e o estúdio onde moro já não chega para guardar a quantidade astronómica de dossiers que tenho...

 

Este vídeo bastante antigo foi-me mostrado por uma amiga. E retrata bem, de forma satirizada, mas real, a confusão que é tratar de assuntos burocráticos por aqui. Pode parecer exagero, mas já me disseram muitas das frases que vão ouvir neste vídeo. E algumas delas são tão ridículas, que quando questionamos a pessoa, nem ela sabe explicar o que acabou de nos dizer...

 

O primeiro vídeo está em francês! Mas não vos apoquentais... Encontrei o mesmo em inglês! 😂

 

 

 

Beijo na bunda! 💋

 

30
Out19

3. Carro.

Disse que voltava aqui para te falar do meu carro.

 

Vendi o meu carro. O segundo que tive na vida. O primeiro comprei em Portugal com o meu primeiro salário, e dinheiro que tinha poupado durante 3 anos para fazer Erasmus. Intercâmbio no Reino Unido, para o qual fui seleccionada, somente duas vagas disponíveis! e do qual acabei por desistir, por pressão do meu pai, devido a dificuldades económicas... Estão a ver quando estamos entusiasmados para realizar um sonho, e os nossos pais, dos quais somos financeiramente dependentes, nos dizem a frase-mata-sonhos: "eu não tenho dinheiro para te pagar isso".

 

E vocês, ingénuos, aceitam o que os vossos pais decidiram que era o melhor para vocês... Apesar de saberem que, há bolsa, há formas de trabalhar para a universidade e ganhar uns trocos... Havia tanta forma de me ter safado, tanta solução, tinha tanta certeza de que ia correr bem, e mesmo assim ouvi o meu pai, e desisti. Lembro-me daquela quarta-feira, acordei cedo para ir falar com a professora responsável pela colocação nos Erasmus... 

 

"Professora, vim aqui para desistir da minha vaga e passá-la ao próximo na lista" (eu era a primeira a ter ficado colocada... Com a minha desistência, o terceiro colocado foi no meu lugar...)

 

"Você tem noção da oportunidade que está a deitar fora? Tem noção da quantidade de pessoas que queriam estar no seu lugar?"

 

"Tenho sim, mas por razões familiares não vou conseguir ir". 

 

Este foi um daqueles dias que mudou tudo na minha vida. O sonho de emigrar para o UK foi-se...

 

Saí daquela sala e contornei a minha escola por trás, para evitar o caminho principal e ter de me cruzar com pessoas conhecidas, em apneia fui caminhando entre os departamentos, até chegar à parte de trás da biblioteca, onde dava para ver a ria, e aquela paisagem magnífica que me acompanhou em muitas tardes de estudo... Era mesmo muito cedo, estava um bocado de nevoeiro. E a apneia foi-se. Comecei a chorar. Chorei tanto. Chorei (quase) tudo. Naquele dia senti que um caminho, de entre tantos outros caminhos que podia ter escolhido, tinha desaparecido para todo o sempre.

 

Chorei:

Por não ter nascido com mais posses monetárias,

Por não ter tido coragem de dizer foda-se ao meu pai,

Por ter tido medo de falhar e ouvir um "eu bem te avisei que o dinheiro não ia chegar".

 

Tive medo, muito medo... E com medo de desiludir os meus pais, desiludi-me a mim própria. E desisti...

 

Hoje não sei como teria sido a minha vida se tivesse ido para o Reino Unido e não para França? É engraçado... E ao mesmo tempo não tem piada nenhuma! Como um só segundo de indecisão, pode mudar tudo. O plano era: erasmus e depois procurar trabalho por lá. 

 

Entretanto, com o curso acabado, comprei o meu primeiro carro, com o qual não tinha sonhado, com o dinheiro de outro sonho... porque o trabalho que tinha na altura era relativamente longe de onde morava... Depois com as poupanças que voltei a fazer nesse trabalho, emigrei. Para França. O Reino Unido tinha um sabor tão agridoce que nem voltei a considerar essa hipótese. O primeiro carro lá ficou, com os meus pais, e irmão, são eles que o usam, já não me pertence... Mas quando vou a Portugal e vejo a puta daquele carro, não consigo deixar de pensar "e se tivesse ido?" 

 

Traz-me recordações pesadas. 

 

Chegada a França, numa terrinha com mais vacas do que habitantes, tive que voltar a comprar outro carro após um ano. Um carrinho pequenino, que ficou comigo por 3 anos. Chorei muito naquele carro, mas também ri muito. E as quantidades industriais de chocolate que comi lá dentro... Um carro tem sempre tantas histórias para contar não tem? Até o raio da matrícula tinha as minhas iniciais! 

 

Vendi-o no dia 2 de Setembro deste ano. Foi muito mal negociado e perdi quase tudo que paguei por ele... Só em TGV para o ir vender, foi quase tudo que me pagaram... Carros nunca são um investimento, mas isso eu já sabia. Contudo, fiquei mais leve. Não há gasolina para meter, não há inspecção para fazer, não há mais seguro para pagar. Aqui em Paris, quando quiser partir, é só pegar na troxas que tenho, meter tudo num saco (ou dois!) e bazar. Já não há mais nada para vender.

 

Sobre o carro#1: consegui perdoar o meu pai. E, 7 anos depois, a mim também... Mas só porque aprendi a aceitar que estou onde tenho que estar. É preciso deixar de pensar em quem podia ter sido, e concentrar-me na pessoa que sou e quero ser. 

 

Em termos materiais, não há mais nada que me prenda.

 

Ouve o que te digo, uma pessoa só se arrepende do que não faz... E isto que acabei de te contar é, provavelmente, o meu maior "e se..."

 

Mas a lista de arrependimentos a expurgar ainda é longa. Espero que estejas com paciência para ouvir. Obrigada por estares aí. 

 

 

25
Out19

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.

 

Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 

 

Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 

 

Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 

 

O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.

 

A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.

 

Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 

 

A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 

 

Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 

 

06
Out19

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.

 

Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...

 

Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 

 

Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.

 

Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 

 

Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.

 

Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.

 

Para o ano já é a minha vez. 

 

Foda-se. 

 

Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.

 

Boas eleições malta.

 

Beijo na bunda! 💋 

18
Set19

Hoje é dia de voltar.

Que sentimento agridoce este de voltar para Paris... Não sei o que pensar. Queria tanto conseguir decidir outra coisa para mim... Mas não sei bem o quê. 

 

Ontem choveu bastante aqui... E caiu granizo. Bastante.

 

Queria dizer algo eloquente. Mas não consigo. 

 

Xau, xau. Voltamos a ver-nos em Paris. 

 

Beijo na bunda 💋 🍑

18
Ago19

Em Paris o mês de Agosto é como um domingo prolongado.

Desde o dia 1 de Agosto que Paris ficou com um terço da população habitual. Podia estar a exagerar, mas não estou. Os parisienses vão de férias, as lojas todas fecham, a maior parte dos restaurantes também não estão a funcionar...

 

Pasmem-se! Quase todas as manhãs consigo ir sentada no metro das 8h30! Algo que no resto do ano é praticamente impossível 🤷🏻‍♀️

 

Mas estou a ADORAR ver a cidade assim... Adoro ter espaço quando caminho nos passeios para andar e olhar para os edifícios com calma, adoro não estar sempre a esbarrar contra pessoas, adoro não ter desconhecidos a cheirar a cavalo colados a mim no metro, adoro conseguir chegar a casa sem ter que caminhar pela estrada porque o passeio em frente aos restaurantes está cheio de bêbados viciados em after-works... 

 

Mas está quase a acabar, daqui a uma semana o frenesim começa e deixo de ter Paris "só para mim". 

 

Até lá é aproveitar estes dias de sossego. 

 

Beijo na bunda 💋

 

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14
Mai19

Portugueses em Game of Thrones.

(antes de começarem a ver o vídeo: tem spoilers ligeiros da season 8, episódio 3!) 

 

Como seriam os portugueses se tivessem participado na batalha de Winterfell? Vejam este vídeo para saberem mais e atentem na tradução de Unsullied. MORRI 😂

 

 

 

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03
Jan19

5 coisas que tive que aprender desde que moro em França.

- Esvaziar um pote de crème fraîche com uma colher.

Só Deus e eu sabemos as voltas que eu dou, com aquela embalagem do demo com umas dobras estranhas no fundo, só para não sobrar nem uma grama. Cá desperdício é que não que a vida custa a ganhar a todos. Sou emigrante mas não sou parva;

 

- Andar na rua com uma baguete debaixo da axila.

Isto parece fácil mas... wait for it! Experimentem pedir uma baguete numa pastelaria, recebê-la directamente na mão sem papel e andar com aquilo até ao carro numa rua movimentada... estão a ver o Neo do Matrix a escapar-se das balas? É assim que os franceses têm que andar na rua;

 

 

- Ser paciente enquanto peão a tentar atravessar uma passadeira.

Ninguém pára na passadeira. Ninguém! Às vezes nem quando o sinal está verde para os peões. Ia ficando sem nariz por causa disto. Vi a minha vida a andar para trás várias vezes;

 

- Aprender a dizer caralhos t'a fodam em francês.

Ou pelo menos a sua versão mais parecida com o português e utilizá-lo frequentemente;

 

- Ir à casa-de-banho fazer xixi ou cocó e não lavar logo as mãos.

Sim, aqui a sanita está numa divisão isolada qual parente leproso. E muitas vezes a divisão onde está o lavatório nem sequer é mesmo ao lado da divisão onde está a sanita ou fica no andar de cima. Cagar, utilizar o piaçaba, abrir a porta e ir à cozinha lavar as mãos é algo socialmente aceitável por aqui. De extrema importância evitar tocar na maçaneta interior da porta que está na divisão onde fica o trono. Não digam que não avisei.

 

 

Beijo na bunda! 

 

14
Set18

Como tirar o melhor partido de um in-between?

Depois do trabalho fui às compras. Voltei a fazer HIIT em casa, ando a seguir uns vídeos na internet, e senti uma vontade imensa de comer legumes, abastecer o meu corpo de nutrientes. Fui directa à secção de legumes. Focadíssima. Ainda olhei de soslaio para o corredor dos chocolates, mas não senti vontade. Desta vez não me apanharam, mais tarde.

 

Fazer desporto deixa-me mais concentrada, e ligeiramente mais feliz. O facto de ser sexta-feira também ajuda. Estou naquela fase em que anseio pela sexta-feira à noite, e isso não é bom sinal. As semanas passam a correr e parecem todas iguais. Dias e dias que se seguem. Estou entre duas linhas da to-do list da minha vida. Literalmente à espera do próximo passo. E já tomei uma decisão, só espero o grito de partida que há-de vir.

 

 

Encontro-me neste exacto num momento chamado in-between. Uma fase intermediária entre duas fases da vida diferentes, onde uma pessoa acha, erradamente, que nada de importante acontece.

 

 

Esta fase é descrita como um período da vida entre dois objectivos. Quando já atingimos um e estamos à espera do próximo. Vamos lá analisar isto aplicado à minha vida. Há 1 ano e 2 meses completei uma formação em Paris que me deu muito gozo fazer, algo que nunca pensei ser capaz. A primeira vez que soube da existência dela estava em pesquisas na internet sobre o trabalho existente na minha área em França, pesquisei a área em que queria trabalhar mais a palavra formação e caí no site daquela formação. Lembro-me de pensar algo do género "wow, tirar esta formação deve ser algo de espectacular". Mas na altura estava em Portugal, a recibos verdes, prontinha para outra fase, a emigração, que só veio alguns meses mais tarde e nem era certo se o faria ou não. Estava também, nessa altura, num in-between.

 

Não seria capaz de imaginar, nem nos meus melhores sonhos, que aquela formação, cujo programa só percebi uma palavra em cada três, ia constar no meu currículo, três anos mais tarde. Uma pessoa esquece tudo que já fez, tenho muita tendência para olhar só para o que "ainda não tenho" e a esquecer tudo que já fiz. Um país novo, uma cultura nova, uma língua nova, ganhar competências novas, tudo isto foram coisas que consegui e que o meu cérebro teima em esquecer.

 

 

Quando atinges um objectivo que te parecia inimaginável ele passa a fazer parte do teu dia a dia.

 

 

E como é fácil esquecer o esforço e trabalho que algo exigiu depois de já estar feito. Como é fácil dizer para mim própria: és uma fraca, nunca conseguirás fazer isto e aquilo, a tua vida está estagnada. Quando estou simplesmente numa fase de "entre-dois". Quando sei que isto tudo é um caminho que escolhi percorrer e que já sabia que não ia ser fácil. Emigrar sozinha não é fácil. Apesar de muitas vezes não acreditar nisso e dizer que qualquer um conseguiria... não! Nem todos conseguem! Muita gente insiste em dizer-me coisas do género "deve ser tão difícil estar sozinha noutro país, eu não conseguiria". 99,9% das vezes que ouço isto interpreto-o como uma demonstração de pena, penso que as pessoas têm pena de mim ao dizer isto, que a minha vida é tão porcaria que as pessoas me dizem: ah! coitadinha! Deixar de ligar ao que os outros dizem tem sido o trabalho de uma vida. Um dia chego lá.

 

E se mudasse esta forma de pensar e ouvisse as coisas como as pessoas o querem transmitir? Afinal, estão com pena ou a dizer-me que sou corajosa? E se estiverem com pena? Porque é que acredito neles? A minha vida não dá pena. Sim, estou sozinha noutro país, sim, muito provavelmente se amanhã cair numa cama de hospital só vou ter umas três visitas. Mas não há muita gente que está na mesma cidade que todas as pessoas que conhece e que também se sente sozinho? Porque é que insisto em ter pena de mim própria? A pena não leva a lugar nenhum. Nem a raiva. Nem o medo. 

 

E é nisto que tenho que pegar para me dar força, para prometer a mim própria que vou conseguir vencer os meus medos internos, neste fase de in-between, uma fase que costuma ser sempre das mais assustadoras da minha vida, e ao mesmo tempo das mais entusiasmantes. Uma fase em que uma pessoa pode simplesmente deixar-se levar e tirar algum tempo para cheirar as flores. Afinal, nesta fase não há nada para correr atrás, é só viver um dia de cada vez.

 

 

 

Sei que tenho falado bastante de ansiedade e medos aqui no blog, mas isto faz parte de mim desde que sou gente. Tive insónias no primeiro dia da escolinha com 6 anos, quando fui para o 5º ano, secundário, universidade e primeiro trabalho. Até a escolha do meu curso me provocou ataques de pânico, vómitos à noite, queda de cabelo, durante 2/3 meses, desde as candidaturas até ao dia em que saiu o resultado da 1ª fase. Com cerca de 3 anos eu entrei em pânico à noite porque tinha que aprender as formas triângulo, círculo, quadrado e rectângulo para o dia seguinte, porque a professora ia fazer perguntas sobre isso. Nessa noite não dormi. Por causa de um estúpido triângulo. Com 3 anos. Primeiro ataque de ansiedade. Não dormi. Por isso, sou assim desde que me conheço e vou falar disso no meu blog até me cansar. Escreverei sobre este assunto até me doerem os dedos. Até o fogo que me arde por dentro se extinguir.

 

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