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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

06
Set18

Fechando as minhas gavetas, uma a uma.

Tomei uma decisão em Fevereiro e sei que não vou voltar atrás, por muito que o coração aperte, por muito que o corpo peça aquela pele, aquele toque de novo, nem que seja só por mais um dia. Só mais uma hora. Só mais um segundo.

 

1 ano e 12 dias, juntos.
Nada mais.
Apenas contactos esporádicos antes disso e nenhum contacto depois do fim.
Tudo começou e acabou rápido, como uma tempestade de verão.
Sol-chuva-sol.
E a vida continuou.
Mas seguiu sem mim.

 

Sinto saudades daquele cheiro, sinto saudades daquele fim-de-semana em Paris, e do outro em Lisboa, e de tantos outros que fomos vivendo por aí. Praça do Comércio, onde demos o primeiro beijo. Será que ele ainda se lembra? Sinto saudades dele, inteiro, com todas as sua qualidades e defeitos. Sei que acabei com ele de uma forma que nunca pensei fazer... fui fria, porque sofria e queria acabar com aquilo o mais depressa possível, como quando arrancamos um penso com um esticão rápido. "Pronto, já está, não se fala mais nisso".



Convenci-me de que relações à distância não são para mim, mesmo que esta tivesse sido com o meu amigo de infância, o rapaz que sempre acreditei estar destinado para mim.
A quem dei o meu primeiro beijo com 6 anos.

 

Contudo, no meio de tanta frieza, tive o discernimento de escrever naquele email que o futuro nos pertencia. Que algures, num espaço-tempo que ainda está para vir, se fossemos a pessoa-sol um do outro, iríamos acabar por nos encontrar de novo. Deixei ao destino o encargo de me fazer feliz. Porque eu própria não fui capaz de o fazer. Acobardei-me. E sei que bastava pegar numa carrinha de mudanças ou largar tudo e fazer 2 horas de avião e estaria lá, com ele, a menos de uma hora de distância de ambas as nossas famílias, numa cidade que sempre gostei. No país onde ele escolheu ficar e de onde eu decidi partir. Tudo era tão fácil e ao mesmo tempo achei que era cedo para abdicar de tudo que sonhei no estrangeiro.

 

Existem pessoas que criam raízes, e outras que ganham asas.
Sem dúvida ele faz parte das primeiras.
E eu sou, indubitavelmente, alguém com asas.
 

 

Apesar de na altura achar, que a minha vida de sonho passaria por subir ao altar com aquele homem, tomei uma decisão. Mas fogo... só eu sei como tenho saudades da voz dele, saudades da forma como olhava para mim com aqueles olhos castanhos que me despiam inteiramente. Tivemos tão pouco tempo para nós, e mesmo assim tudo ficou marcado a ferro e fogo no meu coração. Para nunca mais sair. Marcas de uma vida que parece que foi noutra vida. Será que ele ainda pensa em mim? Arrependimentos que não consigo apagar e questões que teimam em martelar na minha cabeça, vezes e vezes sem conta... e se... e se tivesse arriscado tudo nele e por ele? Se tivesse ido preencher o meu coração e esperar que o destino fizesse o resto relativamente ao lado profissional da minha vida?

 

O meu pesadelo mais obscuro é comigo, num lar de idosos, a pensar nele.
E este pensamento teima em aparecer na minha mente antes de dormir.
Quase todas as noites.

 

Vida de merda cheia de decisões difíceis. E ainda assim foi tão fácil decidir amá-lo. Mesmo sabendo com certeza absoluta, desde o início, ainda antes de qualquer beijo ou carícia, ainda antes de qualquer amo-te, que tínhamos um prazo de validade. 


Água fresca.

Eram os teus beijos.

Água quente.

 

 

15
Nov17

Eram os teus beijos.

Saudades dos beijos ao pôr do sol, saudades de sentir o calor a bater na cara, a brisa do mar nos meus cabelos. Saudades. Palavra usada para o que foi mas ainda está aqui. Quando voltas?

 

Saudades dos beijos na Praça do Comércio, saudades dos beijos em Montmartre, saudades dos beijos naquele comboio que fazia o trajecto de Lisboa a Faro. Saudades de te beijar, porra. Quando voltas?

 

Saudades do início, saudades de tudo que sonhei, saudades de tudo que acreditei que ia acontecer. Saudades dos beijos no pescoço. Saudades dos beijos na mão. Saudades dos beijos na testa, naquela escada rolante, quando tentei ficar mais baixa que tu. Saudades, muitas. Ainda estás aí? Espero que voltes.

 

13
Out17

Desejo.

A ouvir Joni Mitchell e a beber uma taça de vinho penso em todos os momentos que tenho vivido contigo, na minha imaginação. Sabes que gosto de conforto, meu querido. Eu e tu, no México ou noutro sítio idílico, um paraíso na terra só para nós. Um sítio onde nos pudéssemos perder de amor, águas azuis quase transparentes, tesão garantido, meu caro. Se tu soubesses quantas vezes já te olhei nos olhos e disse desejar-te para sempre.

 

Já me perdi na tua voz, já fui à lua e voltei, tudo sem tu saberes meu amor. Já estivemos juntos em lençóis de seda, brancos. Os teus pés a deslizar nas minhas pernas perfeitamente depiladas, os teus dedos a passarem ao de leve na parte lateral da minha barriga, aquela zona que me faz arrepiar. Ah, e os beijos, aqueles beijos no pescoço e naquele cantinho atrás do lóbulo da orelha. Se tu soubesses quantas vezes já te amei, quantos orgasmos já tive contigo, quantas vezes já me levaste ao céu. Quero-te, intensamente, perdidamente, como só eu sei querer. Sabes, não sei amar pouco, nunca soube. E hoje eu dir-te-ia tudo, se somente pudesse tocar-te, sentir a tua presença, esvaziar a minha alma.

 

Meu amor, eu e tu, numa cama king size, pétalas de rosa cor de veludo, champanhe fresco servido com carinho. Sabes que sou do signo touro e a minha gente ama a luxúria de uma noite bem passada. Não estou a pedir muito, nunca peço muito, só peço que seja bom e intenso. Porque só assim sei amar-te.

 

 

 

03
Out17

Sobre ele.

Mesmo quando estou em pânico, uma conversa com ele, por muito simples que seja, chega para me acalmar e trazer à vida real, saindo do cenário catastrófico que teimo em construir na minha cabeça vezes e vezes sem conta.

 

Ele é tão calmo, tão racional, é o tipo de pessoa que mesmo em situações de stress consegue ficar zen e olhar para o futuro com otimismo.

 

Este rapaz é um anjo que caiu do céu directamente na minha vida. Não podia pedir melhor namorado. Um lado de mim acha que não o mereço, o outro lado de mim tem a certeza que se não for ele "o tal" não haverá mais nenhum.

 

"E se não for contigo, 

Então eu desisto."

 

10 meses de ti... 

 

 

 

07
Set17

Epah, obrigada!

De entre todos os momentos eternos que vivi estes últimos dias, tenho a anunciar que já estou por França e pronta para atacar mais uns bons meses de trabalho antes de ter férias outra vez. Vamos lá que a vida não pode ser só boa vida e descanso - apesar de eu, todas as noites, desejar ardentemente acordar numa ilha paradisíaca, com uma conta bancária que mais parece um número de telemóvel e com 10kg a menos - mas isso não interessa nada, pelo menos sabendo que tenho que acordar daqui a 6 horas para "picar-o-boi" - digam-me que isto também se diz na vossa terra, por favor - ok, já volto ao mais importante.

 

O SAPO destacou-me aqui, e não podia ficar mais agradecida, afinal estes posts saem cá do fundo da tripa e uma pessoa fica contente com algum reconhecimento do big boss. Excepto o meu chefe da vida real, esse é um colhão com pernas e sempre há-de ser.

 

Os tomates da minha varanda secaram (quem segue o meu insta stories há pelo menos 3 meses vai saber de que tomates estou a falar) e a salsa e o tomilho também secaram (mais uma vez, se não segues o meu insta stories, seguisses). Não sirvo para cuidar de outros seres vivos, está comprovado. Ou então devia arranjar amigos melhores por aqui, daqueles que não vão 3 semanas de férias ao mesmo tempo que eu, deixando-me sem outra alternativa que deixar ali as plantas na varanda ao abandono. Na próxima Primavera tento de novo, um dia hei-de ter uma horta em casa, ai, hei-de, hei-de! Oubistes??

 

De resto tudo ok, estou a pensar começar uma saga com a minha perda de peso. Operação "em 2018 fico boa", certo? Quem conheceu as operações: "em 2015 fico boa", "em 2016 fico boa" e em "2017 fico boa", já sabe do que estou a falar. 3 operações com um saldo negativo de 10kg. É isso, provavelmente já ninguém me leva a sério.

 

Mas eu nem que escreva p'ó boneco, já não largo isto, que isto é quase melhor que fazer o amor louco e desvairado num Airbnb qualquer no Algarve... quase melhor, atenção. Não disse que era melhor. Boa noite, vou só ali dormir umas horas antes de ir trabalhar. Há coisas que nunca mudam.

02
Set17

Posso?

Posso parar o tempo nesta semana? Posso continuar a aproveitar o calor, a cidade de Faro, os passeios nocturnos, os beijos dele, a pele bronzeada e salgada, até me cansar e talvez desejar, ou não, os dias tão frios que me esperam lá do outro lado? Posso ficar naquele momento em que ele disse "amo-te" pela primeira vez... para sempre? Posso nunca mais voltar e ficar aqui, com ele, até esquecer que o resto do mundo existe?

30
Ago17

Diário de bordo 30.08.2017

Estou aqui sem sono, por isso nada melhor do que aproveitar para actualizar aqui o pedaço com informação essencial à vossa sobrevivência (not!)

Vou acabar as férias passando uns dias com o menino no sul do país, e começa já amanhã (é com muita tristeza que deixo os meus pais mais uma vez, mas aqui na Serrinha não se faz muito e já estava a começar a ficar cansada de tanto engonhar).

Não posso negar que estou ansiosa para lhe saltar para cima... 

 

28
Ago17

O Inverno [ 16.09.2016 ]

Prometi que neste blog não iria ressuscitar posts antigos... mas vou quebrar a promessa. Já explico porquê.

Hoje foi um daqueles dias de chuva depois de um período de seca alargado... e segundo a minha mãe já não chovia aqui a sério quase desde Abril (vou confiar nela, mas ela exagera sempre um bocadinho, já sabem como são as mães).

O cheiro que se faz sentir na rua fez-me lembrar um dos meus posts preferidos do blog antigo. Este é o post (o único!) em que falei sobre o meu actual namorado como sendo uma boa recordação do passado, sem saber sequer que iríamos estar a namorar quase 3 meses depois.

A vida às vezes traz destas coisas. E aprendi assim que há momentos em que tudo muda e a vida como a conhecíamos antes deixa de existir para entrarmos numa fase com a qual nunca sonhámos. Os blogs estão cá para nos relembrar das imprevisibilidades da vida. E sabe tão bem saber que é assim.


O Inverno
16 de Setembro, 2016

 

Chega o dia em que chove pela primeira vez depois de alguns meses de calor, abres a janela e a casa é invadida por aquele cheiro bom de terra molhada. Recordações de infância pululam na tua mente.

Sabes que sentirás para sempre esta sensação, quer tenhas 30, 40, 50 ou 80 anos. E agradeces teres sentido o cheiro da terra quando eras pequena. Agradeces ter brincado no meio dela, teres feito castelos e bolos de terra. Teres chegado a casa suja vezes e vezes sem conta. Teres brincado com o teu irmão no meio da terra. Teres tido o teu primeiro amor de infância na aldeia dos teus avós, e o teu primeiro beijo ter sido atrás de um arbusto, precisamente num dia de final de verão em que cheirava a terra molhada. Agradeces teres essa recordação. Teres tido a oportunidade de viver nesses tempos em que a vida era vivida um dia de cada vez.

Tens saudades, tu sabes que sim, é inevitável. As tuas amigas dizem que é isso que faz de ti alguém com coração. Tu respondes que sim, concordas, mas no fundo sabes que o teu coração já não está no teu peito, ele ficou lá, naquele tempo em que o cheiro a terra molhada era só o marco do final do verão. 

Como será a vida sem coração? - pensas. Sabes que estás a viver os primeiros anos do resto da tua vida. Sabes que tudo que virá agora vai roubar-te essas recordações. Em breve esquecerás o nome do padeiro, como jogar à cabra cega, o calor da lareira acendida pelo teu avô, o caminho para o jardim secreto da tua infância, como foi aquele primeiro beijo e a cor dos olhos da tua avó.

Se antes o cheiro de terra molhada significava o final do verão, agora significa o início do inverno. Já não sabes o que é o outono e a primavera, porque só o verão faz sentido para ti. O resto é frio, distância, saudade. É o inverno no teu coração.

 

 

08
Ago17

Como posso não querer isto?

Estou apaixonada pelo meu amigo de infância, é oficial. Tudo mudou desde o último verão e esta última semana confirmou o meu sentimento.  

 

Espero que o momento de voltarmos a estar juntos chegue rápido, rápido. 

 

A almofada ainda tem o cheiro dele, vou só encostar a cabeça nela e sonhar mais um bocadinho com um mundo onde relacionamentos à distância não existam.

 

Logo, logo, volto às parvoíces do costume. Hoje só quero pensar nele. Até amanhã.

02
Ago17

Isto é tudo novo para mim...

Ter uns boxers de homem sujos no chão do quarto. Ter duas escovas de dentes no armário. Uma lâmina de barbear a pairar algures pela casa de banho. Alguém para elogiar os meus cozinhados! (E lavar a louça...) O tampo da sanita levantado.

 

Ter um gajo em casa e não morar sozinha muda mesmo tudo. Sinto a minha rotina virada de pantanas e tinha muito para mudar. Mas que eu me habituava a isto com gosto lá isso habituava.

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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