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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

14
Jul18

Diário de bordo 14.07.2018

Preciso de desabafar. Gritar até me rebentar as artérias! Como dizia o outro... mesmo que possa parecer injusta nas coisas que vou dizer.

Sinto-me mal, a férias não me fizeram bem, muito pelo contrário. Devia ter tirado menos tempo. 3 semanas, 2 das quais passadas com os meus pais, deixaram-me louca. Nunca mais volto a passar aqui tanto tempo! E deixo isto aqui escrito para consulta futura. 3 semanas sim, é uma das melhores formas de cortar com o stress do trabalho... adoro chegar ao trabalho e não me lembrar sequer dos nomes dos doentes, é sinal de que consegui desligar... mas em casa dos meus pais? Nunca mais!

 

Vou passar a enumerar os motivos pelos quais não volto a passar aqui mais do que uma semana de cada vez:

 

- os meus pais não saem de casa, eles não fazem literalmente mais nada para além de trabalho, casa, ir às compras (de comida ao supermercado);

 

- as conversas são sempre as mesmas, críticas e mais críticas: aos outros membros da família, aos vizinhos, à sociedade, à crise, etc. consigo contar pelos dedos das mãos as vezes em que houve uma conversa com um tema positivo;

 

- estão sempre, mas sempre a gritar e a mandar vir um com o outro;

 

- eles estão os dois com excesso de peso, então comem, comem, comem, até não parar. A minha mãe cozinha imenso, muitas das vezes carne... quando digo imenso é tipo 2 frangos para uma refeição (somos 3 pessoas!), ou 6 bifes daqueles grandes, ou 8 entremeadas, ou um estufado numa panela enoooorme... e a regra cá em casa é "não há restos, não se repetem refeições". Ou seja, sinto-me como um pato em que estão a tentar enfiar comida pela goela abaixo. Como sem vontade a maior parte das vezes. E se não quiser comer, lá vem o tal discurso da culpa "ai, fiz isto para ti, olha que vai para o lixo, não respeitas o que faço por ti, vens cá e nem comes "nada"..." atenção, que ouço isto já depois de ter comido meio frango sozinha ou dois bifes enormes de vaca;

 

- se aceito sobremesa, "ai que gulosa", se não aceito "lá estás tu com a mania das dietas". foda-se, sinto que tudo que como está a ser escrutinado ao mínimo detalhe e que a tendência é sempre a coisa pender para o "comer como uma vaca", obviamente, as calças que trouxe no início da viagem já não me servem. Vou ter que voltar para França de vestido, pois recuso-me a comprar roupa para este peso, que não é o meu...

 

- não há legumes. Já tentei fazer a minha própria comida, saladas, coisas saudáveis, não dá, simplesmente não dá. Para além de passar a refeição a ser criticada, "isso é comida de coelhos, não vais ficar satisfeita, para que te dás ao trabalho de fazer essas coisas? quando estás de férias devias relaxar e comer esta comida tão boa que a tua mãe faz!". Desisti da puta dos legumes. Não adianta, acabava por comer a minha comida e depois ainda tinha que comer a deles, e não adianta dizer que não, o meu pai mete a comida no meu prato e muitas refeições já acabaram connosco aos berros. Tenho que comer o que eles querem para bem da minha saúde mental. O que vão ganhar com isto é eu vir cá muito menos vezes;

 

- as conversas sobre o meu futuro vão sempre parar ao "ai filha estás a ganhar tão pouco, emigraste por causa disso? vê se no próximo trabalho arranjas algo a ganhar mais porque se não nem vale a pena estares lá fora. quando trocares negocia muito, não sejas totó como sempre!" E isto sendo que eu nem lhes disse quanto ganhava, mas acho que eles pensavam que vinha ganhar de 5mil euros para cima (hello?) e já lhes expliquei que na minha profissão há tabelas de remuneração e que eu não sou nenhuma super-pessoa vinda não sei lá de onde que vai ganhar mais do que os franceses, só porque sim, só porque os meus pais acham o meu salário pequeno e que devia ganhar o mesmo que um engenheiro (sim, porque o primo não sei das quantas que é engenheiro informático ganha uns 8mil euros... "ya, mas eu estou na área dos técnicos de saúde, e essas profissões fazem quase sempre parte das camadas mais mal remuneradas dentro de um país! apesar de estarem acima da média do país em questão, nunca fogem ali muito da média..."). Em Portugal ganhava cerca de 1/3 do que ganho neste momento, e eles mesmo assim acham que "compensava" voltar. Para que é que perco tempo a explicar-lhes estas coisas?

 

- depois há os dias em que tenho que ouvir um "estás lá tão bem, não voltes para cá, que vens para cá fazer? isto é uma pasmaceira, o país está tão mal, não te safavas..." Oh Deus... Às vezes acho que sou filha de pessoas bipolares, não admira eu ter ficado com problemas psicológicos. Minha gente, se querem filhos saudáveis, parem de opinar sobre cada área da vida deles, a saúde mental deles em adulto agradece;

 

- e por último... o melhor tópico! Alguém faz ideia??? Namorado! "Vê se arranjas alguém, estás lá tão sozinha... a filha da não sei quantas emigrou com o namorado, e agora já casaram. estás a ficar para trás. nem estás a poupar dinheiro nem te estás a fazer à vida." Como se eles soubessem TUDO sobre a minha conta bancária e vida pessoal. E a cereja no topo do bolo "ah e se for um português jeitosinho e filho único de pais ricos ainda melhor, era o ideal! não venhas cá parar com um francês, isso é que não!" Mal eles sonham...

 

Pessoal... resumindo, estou cansada destas férias... na segunda-feira apanho o avião e na terça começo logo a trabalhar. Vou chegar lá com a sensação de que precisava de umas férias das férias. Não fisicamente, porque não tenho feito nada (já vos disse que eles não saem de casa e qualquer coisa que eu proponha, ou é longe, ou é cara, ou não é interessante, ou não vai valer a pena a deslocação...) e relativamente ao desporto eu bem tento fazer, mas até nisso já ouvi bocas porque "tomar banho todos os dias faz mal e a conta fica muito cara..." então com o bafo que está nem faço desporto nem nada porque não conseguia deitar-me sem tomar banho.

 

Pronto, este foi o desabafo do dia... agora lembro-me bem porque é que saí de casa aos 18 anos sem intenções de voltar a meter aqui os pés. Infelizmente às vezes calham-nos pais tóxicos na rifa. Eu gosto muito deles,mas prefiro não morar com eles. Eles dão comigo em doida, é como se eu fosse um "alvo" e não me pudessem deixar sossegada 5 minutos seguidos. Por exemplo, enquanto escrevia este post aqui sossegada no computador, já vieram falar comigo 3 vezes. Não sei como é que (às vezes!) consigo ser um adulto funcional na sociedade!... e estes 7kg que já engordei? Que me estão a deixar tão em baixo? E a ouvir um... "ai filha quando aqui chegaste o teu rabo estava mais para cima, está a ficar com um aspecto tão mole..."... Cruzes, salvem-me deste filme!

 

Gostava de me ter tornado alguém com mais auto-estima e confiança. Tinha-me ajudado muito mais e a minha vida podia estar muito melhor, ao invés deste mar de críticas constantes que não ajudam nada e que sempre ouvi durante a minha vida toda... ainda assim escolho aplicar o princípio da gratidão e dizer que agradeço tudo que fizeram por mim e as oportunidades que tive na vida. E que isto tudo só me vai deixar mais forte. E que espero não ser assim com os meus filhos...

 

02
Jul18

Estar de férias significa planear uma vida melhor.

Eu disse que vinha cá mais tarde meter os meus assuntos em dia. Ainda não é o dia, mas fica aqui um cheirinho.

 

Sou a única que quando está de férias faz mil e um planos para "mudar de vida"?

 

Ah e tal quando regressar vou fazer exercício todos os dias. E tal e coiso que não volto a comer uma porcaria. Restaurantes só quando o rei faz anos. Poupar o dinheiro todinho que bem é preciso! Arrumar e organizar a casa vão ser a ordem do dia. Aproveitar mais cada minuto e sair do ram-ram de casa-trabalho-casa. A vida são dois dias. YOLO!

 

E depois chega a realidade e: 

 

 

Estou nessa fase, a fazer mil e um projectos para o meu regresso a França. E ainda só estou de férias há uma semana. Faltam duas. Ainda falta uma semana com os meus pais na terrinha, ir ao RFM Somnii e passar outra semana com os meus pais. Depois não volto a Portugal até 2019 ainda com data incerta. Ou seja, não sei quando volto cá. Vai ser loooongo, por isso para além da minha mini-roadtrip sozinha por Faro, Évora e o festival, não planeei mais nada. Estas semanas vão ser mesmo para aproveitar a minha família.

 

Para além de um mini-congresso em Outubro e de um fim-de-semana com a H. em Agosto não tenho mais nada planeado para os próximos 4 meses. Mas adorava ir à Austrália visitar a J.

 

Nunca vos contei o que aconteceu à J. a minha bebé grande. A moça foi para a Austrália em Maio, trabalhar como au pair e viajar muito... viver A aventura da vida dela. E que saudades que tenho dela, muitas mesmo. Um dia volto aqui a falar dela.

 

 

E também falarei sobre os meus planos de voluntariado internacional.

 

 

E sobre o C. Está tudo a correr bem com ele. Pensei que as férias fossem afectar um pouco o que começámos há 4 semanas atrás, mas não. Ele manda-me fotos da viagem dele, está em Dublin a embebedar-se com os amigos, o malandro. Eu mando fotos da minha viagem, estou em Portugal a enfardar como se não houvesse amanhã. Parece que nem estamos longe um do outro. Estou a gostar muito deste menino. Vamos lá ver como corre. Acho que já merecia algo de bom neste campo da minha vida, o campo amoroso. Algo que durasse mais do que um ano ou alguns meses...

03
Jun18

O plano B.

Sempre esperei ter muitos acontecimentos grandiosos na vida para poder dizer que esta valeu a pena. Que me senti realizada. Começo a aperceber-me que estar sempre à espera que algo grande chegue não me vai conduzir à felicidade. Esta está nas pequenas coisas. E sempre esteve. É no deixar ir que está a paz, é no deixar acontecer que está a felicidade. Sempre confundi ter todo o controlo com ter ambição. Mas posso continuar a ambicionar coisas sem pensar e repensar como elas vão chegar, e esperar que elas venham até mim, sem tentar controlar todos os mínimos detalhes, sem tentar escrever vezes e vezes sem conta na minha cabeça o guião da minha vida. Hoje sinto uma paz, sinto que aconteça o que acontecer, vá onde for, escolha o que escolher, vou conseguir ser feliz. Que tudo que ansiei para mim até agora, se ainda não aconteceu, é porque não era para ser. O plano A não resultou e tenho que aceitar isso, sem procurar escapatórias ou desculpas. Talvez não fosse o melhor plano para mim. Vamos passar para o plano B?

22
Mai18

Diário de bordo 22.05.2018

Vou despejar para aqui umas coisas.

 

Hoje estava no trabalho e estava sol. De repente começámos a ouvir trovões por todo o lado. E logo a seguir chuva, muita chuva a cair. Mas estava calor na mesma e continuava sol. Foi uma visão estranha ver tanta chuva a cair num dia de sol lindo como hoje. De manhã senti muita humidade e levei guarda-chuva. Sempre com aquela ideia na cabeça "deixa de ser parva que hoje não chove". Precisei de dar boleia de guarda-chuva a vários colegas meus para chegarem aos carros no estacionamento.

 

Estava aqui a vaguear no Insta e vi que o Kiko is hot tinha metido uma foto no dia 6 de Maio com um dildo na mão em frente à cara. Há quem diga que o gajo não tem tomates (piadas sobre o seu lado mais efeminado), mas eu cá acho que tem, e muito grandes por sinal. É preciso ter uns valentes tomates para meter uma foto com um dildo em frente à cara num país como Portugal, em que tudo que acontece é logo um escândalo nas redes sociais. Ainda por cima com a legenda "mostra isto ao teu pai". Damn. O gajo não quer saber. Se às vezes roça o ridículo e exagera um bocado? Talvez. Mas ele vive a vida dele e samba na cara das inimigas. Gostava de ser mais assim, de ter aquele músculo do "I don't give a fuck" mais hipertrofiado.

 

Às vezes acho que este blog não vai fazer muito sentido para mim a longo prazo. Acho que devia ter uma coisinha mais profissional e séria. Já tentei, juro que tentei, mas não consegui. Volto sempre para aqui. Acho que a minha vida neste momento precisa disto, deste avacalhanço. Ainda não senti aquele "chamamento" para fazer outra coisa. Aliás, sentir a chamada até senti, ter a vontade até tenho. Mas ir buscar a motivação para ser regular noutro projecto online, isso é que é mais complicado. Vamos indo e vendo. Sem pressão. Mas um dia, um dia apago tudo que tenho online, faço uma pausa de uns bons meses, e depois começo tudo de novo. Fresh start. Lá está o meu lado sério outra vez a falar. Tenho que pedir conselhos ao Kiko sobre como levar uma vida mais divertida.

 

Tinha voltado a tomar a pílula quando conheci o S. e porque tenho uma menstruação extremamente abundante que dura 7 dias e um ciclo pequeno (24 dias no total se não me engano). Ou seja, são muitos os meses em que chego a ter 2 períodos no mesmo mês. Uma seca. E pensei que esta pílula fosse resolver esta merda. Nada. Estive duas semanas a sangrar e entretanto parou. Estou no final da segunda caixa e já estou mais do que arrependida de ter começado isto. Queda de cabelo. Secura vaginal. Falta de libido. Acumulação de líquidos. Dores de cabeça e visão turva (será da pílula?). Ansiedade, muita. Só para verem como isto da secura é grave, até masturbar me dói. Nem um dedo consigo meter. O horror. A desgraça. Uma merda. Nunca tinha chegado a este ponto. Se a menopausa for isto então estou fodida quando chegar aos 50 anos. Num quero. Se fizer birra será que ela não vem para mim??

 

Para já é tudo. Vou digerir isto tudo e comer uma cena paleo. Acho que hoje são bifinhos de perú com alho e salada.

 

O corrector corrigiu-me a palavra perú e meteu sem acento. Fogo, eu aprendi a escrever perú com acento e vou deixar, (apesar de ter visto agora no google que o nome da ave não leva acento, sendo peru o mais correcto). Mas decidi ser teimosa e deixar com acento, era o que faltava o corrector do blog mandar em mim. 

10
Mai18

Feriado.

Esta semana tivemos dois feriados aqui em França. Um na terça e outro hoje. 

 

Hoje de manhã fui trabalhar. Nada de mais, fico sempre com aquela sensação de não ter feito nada de extraordinário nas poucas horas que estive pelo Centro, mas um dia vi esta frase na internet e ficou-me na cabeça, guardo-a para quando acho que o meu trabalho não serve para muita coisa "se as minhas acções ajudarem, nem que seja uma pessoa, a respirar melhor, então tudo valeu a pena". Hoje ajudei 3 pessoas a respirar melhor, literalmente, por isso devo estar no bom caminho para a realização profissional, e acima de tudo, pessoal. Espero.

 

Ontem foi uma noite boa. Fomos ao kebab entre amigos e colegas de trabalho - já aprendi a diferenciar uma coisa da outra, estou mesmo a ficar crescida, dizem - e senti-me muito bem. Não culpabilizei por causa daquelas batatas fritas cheias de óleo e aproveitei bem o momento. Tenho-me sentido bem no momento presente, não sempre, mas mais frequentemente do que há uns dias atrás.

 

No entanto, ontem estava lá a minha antiga colega de trabalho - aquela das mamas grandes que me fazia a vida num inferno e que eu tão carinhosamente chamava de vaca - e não pude deixar de comparar a minha vida actual com a dela, uma vez que só temos um ano de diferença e temos a mesma profissão. Sei que prometi que me deixava de comparações, porque não levam a lado nenhum, mas não consegui impedir, e ao chegar a casa senti-me bastante mal. Acho que em muitos aspectos estou a ficar para trás. Ela conseguiu despedir-se e procurar um outro trabalho que lhe agrade mais, tem um namorado e parece ter imenso tempo para tudo. Apesar de ter um trabalho com uma carga horária maior que o meu parece estar mais próxima de realizar os seus sonhos e ter mais tempo para fazer o que gosta. Um exemplo de algo que me frustrou, eu andava super contente por ter um tomateiro-cereja a crescer na varanda, já ela tem vários tomateiros, e morangueiros e até alfaces, na varanda dela. Como é que alguns conseguem ter tempo para tanto, e outros não? Absurdo, eu sei.

 

Não invejo de todo a vida dela, não sonho com as mesmas coisas que ela, nem temos os mesmos objectivos de vida. Sei também que a vida de um dia para o outro dá uma volta de 180º, que estou todos os dias a uma decisão de mudar TUDO, e que se quisesse daqui a um ano não iria reconhecer nada na minha vida. Mas também sei que às vezes precisamos de fases mais "rotineiras", para parar, olhar e atravessar. Quem sabe ganhar balanço para outros voos maiores.

 

Sim, a comparação não leva a lado nenhum. E sei que se este post tivesse sido escrito ontem à noite quando cheguei a casa lavada em lágrimas, não teria, de todo, tido o mesmo conteúdo. Agora vendo as coisas a frio sei que não estou assim tão mal. Se efectivamente podia ser mais pró-activa na procura de algo melhor? Podia. Se podia contactar mais pessoas e tentar fazer mais networking? Podia. Se tenho um medo sufocante de acordar "tarde de mais" e achar que já sou demasiado velha para realizar os meus sonhos? Ó se tenho, todos os dias.

 

Mas isto é a ansiedade a falar. E não posso dar-lhe ouvidos. Caladinha. Hoje quem manda sou eu.

08
Mai18

Já se sabe que a malta gosta é de ver desgraças...

... é parar em plena auto-estrada para ver um acidente de carro;

... é fazer um aglomerado de gente à volta da vítima se por acaso alguém tem o azar de desmaiar num concerto;

... é ir ver um incêndio, de longe, muito longe, para se poder dizer quão mal aquilo estava (ao menos levem água aos bombeiros);

... é ficar a olhar para uma pessoa em cadeira de rodas na rua e fazer a questão mental "o que lhe terá acontecido?";

... é parar de jantar só para ver aquela notícia na televisão sobre outro atentado.

 

 

Todos gostam de ver desgraças, mesmo que não queiram admitir. Ainda que esse momento não proporcione prazer nenhum, ainda que haja aquela sensação de peso na barriga e garganta apertada, a malta pára e fica a olhar.

 

Por isso é que este post aqui do barraco foi destacado pelo SAPO. 

 

Porque a minha vida amorosa neste momento parece um acidente em que dois comboios colidiram de frente um com o outro. Já há 3 anos que assim é, e os posts das minhas breakups estiveram sempre entre os mais lidos. A malta fica especada a olhar, quer seja na vida real ou num blog! E vai voltando para ver as outras desgraças que vão acontecendo.

 

Mas eu gosto de vocês na mesma. E faço este post para dizer que são sempre bem-vindos a este cantinho desarrumado. 

Tirem os sapatos e instalem-se confortavelmente que isto ainda agora começou!

 

Beijo na bunda! 

 

07
Abr18

Diário de bordo 07.04.2018

ansiedade.jpg

 

Para vos fazer o ponto da situação, já ando há um mês a sair com o rapaz do Tinder, que daqui para a frente vou chamar de S. As coisas têm corrido globalmente bem, no início as diferenças fizeram-nos chocar um pouco, nomeadamente as visões sobre o dinheiro e as ambições na vida, mas temos conseguido encontrar um equilíbrio e as coisas estão a correr cada vez melhor. Acho que posso dizer que estamos numa relação! E não, não vos consigo dizer já se é o homem da minha vida, mas decidi deixar de procurar isso a qualquer preço e tentar aproveitar o momento presente.

 

Esta semana, tive alta crise de ansiedade com ele aqui. Ele veio cá jantar e depois meti-me a chorar já antes de irmos dormir. Alta crise de choro. Ele ficou meio abananado sem saber o que pensar ou dizer. Digamos que o moço não tem muito jeito com as palavras. Pediu-me para lhe explicar o que se passa e eu como é óbvio não conseguia, só lhe consegui dizer que andava muito triste e sem razão, que andava a pensar procurar uma psicóloga. Ele só me deu um conselho tão simples, mas mesmo tão simples, ao qual eu já pensei tantas vezes, mas nunca consegui meter em prática até ao dia em que ele me disse. 

 

Descansar e dormir mais. 

 

Foi isto. Que antes de procurar quem quer que seja, devia deixar de dormir só 5 horas todas as noites, devia tentar almejar as 7 horas de sono, sobretudo agora que faço muito desporto (mais de 4 vezes por semana de actividade física). Ele disse-me que não fazia sentido eu estar "tão mal", tendo uma "vida tão boa". Eu disse-lhe que era fácil falar quando não se está a passar por elas. Ele disse-me para experimentar descansar mais, e que depois falávamos. Se ainda estivesse mal, aí devia procurar ajuda...

 

Pois bem, desde que tive esta conversa com ele, em que quase recebi um pontapé na bunda para parar de ser parva, as coisas têm andado melhor. Deito-me antes da meia noite todos os dias, deixei de me meter aquela pressão estúpida de fazer montes de coisas antes de ir deitar, e cortei no meu vício do telemóvel. Afinal, seja o que for que se tenha passado nas redes sociais, ainda vai lá estar de manhã.

 

Isto é muito, muito parvo, eu sei. Mas há mais de 3 anos que não dormia tanto, desde terça-feira dormi em 5 dias o equivalente a uma semana e meia... e ando bem, não espectacularmente bem, mas bem. A ter uma vida normal. E como consegui? Pensei para mim própria "a partir de agora o sono é o meu medicamento para a depressão, e respeitar a dose diária é tão importante como comer bem, fazer desporto ou tomar outro qualquer medicamento essencial." Isto mudou o meu mindset, nestes últimos dias deixei de ver o sono como uma perda de tempo, e tem corrido muito bem. Será que é desta que começo a gostar da minha vida?

 

Não percam os próximos episódios 

 

02
Abr18

Exigência.

Isto é um diário e como tal despejo aqui, sempre que posso, o que me vai na alma. Vamos lá.

 

Fim-de-semana muito bom, passeio com os amigos portugueses que vieram morar temporariamente para a minha zona. Tem-me feito bem eles estarem cá, acho que sem eles esta fase tinha sido pior. Qual fase? Perguntam vocês... Já explico.

 

Tenho andando extremamente ansiosa, perdida mesmo, sem saber o que quero para a vida. Isto de ter que escolher entre várias opções dá cabo de mim. E o "problema" é que nunca uma geração teve tantas escolhas à sua frente. Largar tudo e ir conhecer o mundo? Optar por uma carreira mais profissional? Abrandar e concentrar-me mais na vida pessoal (casa, filhos, etc)? Hmmm... tudo questões pertinentes às quais não sei responder. E não devia querer responder. 

 

Muitas vezes fico com a aquela sensação de que quero ter tudo e que acabo por não ter nada. Já tentei várias vezes contactar uma psicóloga aqui na zona para me ajudar com estes sentimentos de incompetência, frustração e ansiedade. Às vezes acho que estou no início de uma depressão, depois há dias em que estou quase-eufórica, serei bipolar? Who knows... desisto sempre de ir ver a senhora psicóloga, tenho medo que ela pense que sou uma tonta, uma privilegiada que só sabe queixar-se. Isto tudo ainda é mais difícil quando nem o nosso cérebro percebe o porquê de estarmos infelizes... quando temos tanto e, apesar de tudo, achamos ter tão pouco.

 

Tenho medo de procurar ajuda e que isso ainda dê mais cabo de mim. Gostava de simplesmente não pensar, apagar tudo que tenho no disco duro da minha mente e simplesmente começar do zero, outra vez bebé, outra vez na barriga da minha mãe. Belo sítio para ir passar umas férias. 

 

Estou a passar por alguma crise de meia idade, mas ainda não estou na meia idade. Peço conselhos a pessoas mais velhas que me ajudam imenso, no momento sinto uma energia renovada, mas depois tudo volta ao mesmo. Sei que a felicidade não pode ser almejada o tempo todo, que a vida é feita de altos e baixos, que seria humanamente impossível estar sempre no pico de êxtase, que para a primavera existir (fase de construção) tem que haver um inverno (fase de destruição). Sei tudo isso e mesmo assim ainda sei tão pouco.

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas prevê-se que a programação do blog nos próximos tempos não vai ser a mais alegre... não porque não o queira, mas porque sinto que preciso de passar por esta fase de introspecção. E não tenho conseguido funcionar de outra forma. Apesar de as coisas à minha volta até estarem a correr bem e por fora parecer estar intacta. Por dentro estou partida e não sei o que me partiu.

 

Obrigada a quem se mantiver por aí.

29
Mar18

Calma que a festa ainda vai a meio.

Depois de uma semana sem meter aqui os cutos, eis que estou aqui para dar o ar da minha graça. Pois bem, tive um fim-de-semana agitado em que fui assistir a um congresso. Gostei muito do congresso e a amiga que me recebeu também foi muito boa para mim e sabe receber muuuuuito bem (obrigada!).

 

O resto da semana foi a tentar meter ordem na casa e a sair com colegas de trabalho e o moço. Ah pois é, as coisas com aquele rapaz do Tinder andam a ficar um bocado sérias, bastante mesmo... já tive a minha crise de ansiedade por causa disto. Será que é muito cedo para voltar a ter alguém? Será que devia esperar para encontrar um português? Será que a actividade profissional dele me vai incomodar muito no futuro? (trabalha muitos fins-de-semana e muitas horas durante a semana...) É lixado quando nem o momento presente podemos aproveitar porque o cérebro está sempre a descarregar pilhas e pilhas de dúvidas na nossa mente... Ontem veio aqui jantar e trouxe um ramo de flores lindíssimo, já não recebia flores há anos... adorei, pois claro. E antes que pensem que ele faz estas coisas para me saltar à cueca, enganam-se, ele quis vir jantar aqui e já sabia de ante-mão que eu estava com o período e não haveria nada para ninguém. Ora, adoro quando ele se faz de convidado e vem aqui passar a noite, mas desta vez levou com uma pratada de legumes que nem é bom lembrar! Não me apeteceu estar a mudar o meu plano de menu só porque ele vinha cá...

 

De resto, o trabalho tem corrido muito, muito, bem. Nem acredito que a saída da vaca invejosa em Novembro pudesse trazer tanta coisa boa... continuo a dizer, e direi sempre, é incrível como às vezes uma única maçã podre consegue envenenar todo um local de trabalho. Arre, ainda bem que esta se foi embora! Assim vou poder reembolsar a minha dívida - faltam 15 meses - sem stresses. A menos que venha para aqui uma laranja podre, aí arranco os cabelos, pago o que tiver a pagar e meto-me nas putas. Por enquanto vou ficando... Quando é que desisti dos meus sonhos profissionais? Não sei, mas às vezes abrandar e parar com aquele pensamento constante de "tenho que procurar melhor" também faz bem.

 

A modos que foi uma semana de muita ansiedade, tanta que nem conseguia vir aqui ao blog, mas acalmou, e aqui estou eu para vos desejar um ótimo fim-de-semana e dar um beijinho, daqueles bem gostosos, na vossa bunda musculada, espero, pronta para o Verão!!! 

15
Mar18

Tinder e cenas #2

Pois bem, meus caros, posso dizer-vos que aqui a dESarrumada trepou muitas paredes, andou 6 meses a pão e água, estava com uma fominha de colar a barriga às costas, andava já desesperadinha de todo por uma boa dose de pinanço. Muito esfreganço, muito líquido escorrido, muita javardice entre lençóis... acho que já todos percebemos a ideia!

Eis que, depois de 4 encontros, depois de muita espera, depois de muitos passeios a levar com o frio glacial da região centro de França nas trombas, o momento chegou!

 

Experimentei, saboreei, degustei, lambuzei-me toda com

 

um bom salsichão francês!

 

Ah pois é... já tinha tido boas experiências com o belo do chouriço português, picante e fogoso, mas este "saucisson" não desiludiu nada, muito pelo contrário! É o requinte, é a classe, resumindo, é outra coisa. Só vos digo isto, tirei a barriga de misérias que foi um mimo!

 

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