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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

11
Nov19

6. Ecos.

Tudo que fazemos ecoa na eternidade. Disso não me restam dúvidas. Hoje foi um Domingo de introspecção... são neste momento 3h da manhã e amanhã é feriado aqui em França. Mas como dormi até tarde, não tenho sono rigorosamente nenhum.

Ando a reflectir nesta coisa de estarmos quase a mudar de década... e no facto de já só faltar cerca de um mês e pouco para que isso aconteça.

Hoje passei o dia todo com a sensação de que não fiz nada de jeito com o meu ano. Parece que passou tudo a correr. No entanto, esta insónia, levou-me a cuscar os vídeos que tenho no telemóvel... como troquei de telemóvel antes de ir para a Austrália, o facto deste telemóvel ter muita memória, aliado ao facto de eu raramente passar coisas para o computador... tudo isto fez com que, eu tenha literalmente, todos os vídeos que fiz este ano ainda no telemóvel.

E é incrível, desde à viagem à Austrália, à mudança de trabalho, à viagem a Portugal com a H, a mudança para Paris... a viagem a setembro para os anos da minha mãe, mais vídeos de Paris. 2 concertos espectaculares: George Ezra e Salvador Sobral. Mais uma viagem a Amesterdão. Ainda falta um congresso em Madrid e mais umas quantas coisas que não posso dizer ainda, por motivos...

Posso dizer que, este ano foi extremamente preenchido... apesar de ter passado o dia a pensar que não, que não tenho feito nada da minha vida... tudo só porque não há um resultado palpável... algo que possa olhar e dizer: este ano fiz isto... não estou numa nova relação, não engravidei, não fiz nenhuma formação que me altere algum estatuto ou que me faça mudar de profissão... por enquanto 

Aconteceu tanta coisa, e se tinha a certeza que este ano ia ser um ano de transformação e de mais auto-conhecimento, nunca pensei que tomasse uma decisão que pode vir a afectar os próximos anos... mas tomei. E vamos lá ver como corre.

Sei que não estás a perceber nada... mas tudo a seu tempo. Daqui a uns meses conto-te tudo, tudo. Só queria que ficasse aqui registado que, sim, fiz muita coisa em 2019. Os vídeos e fotos que vi hoje são a prova disso. Mas o mais importante são as vidas que tocamos nesse processo, e as que nos tocam a nós, tudo isso fica gravado e ecoa para a eternidade... Sinto sempre que só agora estou a começar.

25
Out19

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.

 

Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 

 

Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 

 

Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 

 

O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.

 

A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.

 

Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 

 

A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 

 

Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 

 

24
Out19

1. Ecdise.

Pensavam que se viam livres de mim. Ainda não foi desta. 

Estou quase a completar 5 meses em Paris. Resumindo: morava no campo, numa região de França onde há provavelmente mais vacas do que habitantes, a 5 minutos do trabalho, normalmente às 18h da tarde estava em casa. Era uma vida solitária.

Passar 1h nas redes sociais, postar no blog, pegar no carro e ir ao supermercado comprar uma tablete de chocolate durante a última meia hora antes do fecho. Comer a tablete no carro. Reflectir bastante sobre a vida. Estar sozinha, fazer o jantar, dormir. Pouco. 

4 anos se passaram. A equipa mudou 3 vezes. O chefe despediu-se. Eu despedi-me. Peguei em tudo que tinha e uma metade vendi, uma parte do resto deitei fora, e o que sobrou veio comigo.

Uma amiga ajudou-me a trazer tudo numa carrinha que aluguei num supermercado. 10m2 de tralha, caixotes dispostos no chão da carrinha, para depois caber tudo num 12m2. No sexto andar. 

Passei de um quarto andar para um sexto andar. A isto se chama subir na vida. 

Mas às vezes para se conseguir subir, é preciso perder muito peso morto. 

Trabalho geralmente das 8h30 às 19h. Às vezes mais, outras vezes menos. Depende dos dias, e das vontades dos pacientes. 

Tenho 20 minutos de trajecto de metro para ir para o trabalho. Às vezes há greve e vou a pé. 45 minutos. Para Paris, podia ser pior. Quando saio do trabalho, compro a minha tablete de chocolate, e como enquanto vou para o metro. São 5 minutos a pé. Quando chego lá, normalmente deito o papel que embrulhava a tablete fora. Costuma ser roxo, às vezes vermelho, e outras vezes de marca branca, dependendo do humor. 

Gasto cerca de 80€ por mês em chocolate. Às vezes mais, outras vezes menos. 

 

Estou a viver num bairro lindo. Costumo ir ler para ao pé do Sacré Cœur. Ou pelo menos gostava de ter mais tempo para o fazer. 

 

Tenho tido imensas ideias de formações... E a minha cabeça já fervilha com muitas ideias de projetos futuros... 

 

Por falar em futuro, quando cheguei aqui, meti na cabeça que ia arranjar um namorado até ao final do ano... Dormi com uns quantos homens nos primeiros 3 meses aqui. Alguns comprometidos. Apercebi-me que estar com alguém não é sinónimo de felicidade ou fidelidade, o mínimo dos mínimos. 

 

É desisti da ideia de arranjar alguém. Ou de foder com um qualquer. Não sei que se passa porque sinto que não quero nada, e ao mesmo tempo quero tudo. Mas quero que valha a pena, entendes? 

Estamos quase, quase, a entrar numa outra década. E vou festejar esta passagem de ano em Paris. Provavelmente sozinha, por opção. 

 

Porque tenho tido imensa vontade de estar sozinha. Já não me sinto deprimida como senti com a mudança de tempo... Perder o sol deitou-me abaixo. Céus cinzentos não são a minha cena... De todo. 

Sinto mais como se... Estivesse a trocar de pele sabes? Como se precisasse de ficar no meu cantinho até a pele velha cair toda. Como se deixar para trás aquele exoesqueleto velho de quem outrora fui, fosse a etapa lógica e imprescindível. Para poder crescer e ocupar o espaço da pessoa que verdadeiramente sou. 

 

Ecdise: é o processo de mudança de pele, de exoesqueleto, de pêlo de alguns animais, de forma a poderem crescer e tornar-se mais fortes. 

 

 

 

 

 

06
Out19

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.

 

Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...

 

Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 

 

Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.

 

Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 

 

Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.

 

Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.

 

Para o ano já é a minha vez. 

 

Foda-se. 

 

Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.

 

Boas eleições malta.

 

Beijo na bunda! 💋 

17
Set19

Ir andando.

Gosto de ter tudo agora, para já, o mais rápido possível, ASAP! No entanto, tenho-me apercebido que as coisas mais bonitas da vida demoram tempo a chegar, que às vezes os melhores projectos ficam a "marinar" no cérebro durante alguns anos, até se perceber melhor como vamos construí-los. O perito nestes assuntos é o meu pai. Especialista na arte do "é ir andando".

 

Deve ser das frases que ele mais me diz: "vai andando e vendo". Demorei bastantes anos a perceber que é dos melhores conselhos que alguém me podia dar, a mim, que quero tudo para ontem, que sinto que já vou atrasada, que sofro desta sensação de estar sempre "a perder algo" em relação aos outros.

 

Já me custou mais esperar. Agora sei, com cada vez mais certeza, que as coisas boas demoram tempo. Tanto profissionalmente, como no campo amoroso, que são as duas áreas que tento aperfeiçoar cada vez mais na minha vida... Deixei-me de pressas, e armei-me com uma confiança inabalável para seguir em frente. A confiança de que, aconteça o que acontecer, o que procuro vai chegar. Já a minha avó Maria está sempre a dizer: "o que é teu, para ti está guardado". 

 

Assim seja.

16
Set19

51 voltas ao sol.

Estes dias aqui em casa têm-me sabido pela vida. Aproveito cada segundinho que tenho para passear pela casa, pela terrinha e estar com os meus. Um dos melhores momentos, foi poder estar agarradinha à Dodoca

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Esta Ursa, juro, tem super-poderes. Daqueles que conseguem acalmar qualquer ansiedade, amenizar qualquer medo do futuro que ainda possa estar por aí perdido nos lugares mais recônditos da minha alma. Ela, mesmo sem falar ou dar qualquer sinal de vida, consegue transmitir-me a paz que muitas vezes não consigo encontrar sozinha.

 

Mas...

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...foi por esta mulher que fiz esta viagem. E que mulher que aqui está! Juro que deve ter sido ela, secretamente, a transmitir aqueles super-poderes calmantes à Dodoca! Como o fez não sei... mas juro que foi ela!

 

Hoje festejamos os 51 anos da minha mãe. Ela deu-me a Dodoca para que eu não tivesse medo. No entanto, quanto mais tempo estou longe dela, mais começo a sentir aquela sensação de estar a perder os melhores anos dos meus pais. E este medo vai crescendo... sem que o consiga travar. É tão inevitável como o avançar do tempo. 

 

Mas deixemos as preocupações de lado... foi por ela que vim. E hoje, com super-poderes ou não, é dia de festejar as 51 voltas ao sol da luz da minha vida! A flor mais bonita 

 

Parabéns Mamã 

 

 

20
Jun19

Afinal, quem é que matou o Panda?

Ok, oficialmente este é o último post que faço sobre a temática do Panda de Ouro. E só para vocês verem como anda a minha vida, ando a escrever posts com acontecimentos que já ocorreram há mais de uma semana. Shame! Shame! Shame! Mas trabalhar mais de 10h por dia é bom, faz bem à saúde e há que aproveitar enquanto se é jovem! #not #lol

 

Decidi ir vivendo a minha vida como quem não quer a coisa e o que tiver que acontecer acontece. Sem forçar "jejuns" nem refeições copiosas... Se é que me entendem 😉 esta cidade tem tudo, por isso não vale a pena andar feita louca à procura de pila... ela há-de vir a mim.

 

Há duas semanas, na sexta-feira dia 6, fui tomar o tal Rosé com o Momô, já falavamos há imenso tempo... Desde Março... Mas desde essa noite em que nos despedimos no metro que só falámos uma vez. E fui eu que comecei. Ele respondeu muito frio, eu percebi que não estava muito dedicado à causa, desejei-lhe uma boa semana, e na minha cabeça gritei-lhe um barulhento "sayonaraaaaa", que é como quem diz, "se ele não me voltar a falar, para mim já era".

 

E não voltou a falar. Por isso #JáFoste.

 

Não tenho paciência para moços que não sabem o que querem. E eu que pensava que o primeiro date até tinha corrido bem... Afinal foi só simpatia. 

 

Meninas, não confundam simpatia com interesse. Nunca. Já fui vítima disto várias vezes, mas tenho vindo a aprender que os homens não pensam como nós. O cérebro masculino e feminino não funciona da mesma maneira... Nós achamos que um gajo que é simpático para nós está automaticamente interessado, já eles são simpáticos sistematicamente com todas, para ver se chove alguma paxaxa no colo deles.

 

Nós mulheres apaixonamo-nos muito mais facilmente... Não estou a dizer que estivesse apaixonada por ele, longe disso, foi só um date... Mas tenho tendência a confundir simpatia com interesse... E tenho que mudar isso.

 

E o Panda caralho??? - Perguntam vocês em uníssono!

 

No sábado passado inscrevi-me num site de meet ups que propõe vários encontros com estrangeiros em Paris. As actividades do site tanto podem ser visitas a museus, cafés de troca de "línguas" (adoro o nome!), saídas em bares, jogos, actividades físicas ao ar livre e idas a discotecas. Foi o que fiz. Inscrevi-me numa saída para uma discoteca que ficava a 15 minutos de minha casa.

 

Chegamos lá, pagamos e recebemos uma pulseira comum a todos que indica quem faz parte do grupo dos "festeiros".

 

Logo ali no início um gajo que não faz em nada o meu estilo colou-se a mim tipo lapa. Começou a pagar-me bebidas e a dar-me alta seca sobre o trabalho dele... Ah! Esqueci-me de dizer que temos direito a 4 shots grátis. Por isso, os shots mais os mojitos que o gajo me pagou, foram o suficiente para ficar muito bêbada e não me lembrar de grande coisa dessa noite 🤣

 

Só sei que falei com muita malta de outros países e guardei o contacto de uma rapariga da África do Sul, um rapaz do Panamá, outro da Algeria e um filho de Tugas, que falava mal português. 

 

O gajo que estava a pagar os mojitos é muito grande e magro, e fazia umas piadas muita secas e a meio de uma dança vira-se para mim "Estás a ver um bambu ao vento? Sou eu a dançar!". Ri-me muito, porque era verdade! 

 

A partir daí baptizei-o de Bambu na minha cabeça. E nessa noite fodemos. E o Panda foi-se. 

 

Não durou muito esta história do Panda... Entretanto, hoje à noite fui jantar com o Bambu, e ele é bastante simpático, o que me motivou a acabar este post começado há semanas... e contar-vos de uma vez por todas, que, normalmente é o Panda que come o bambu... mas desta vez foi o Bambu que comeu o Panda.

 

panda_bambu.jpg

 

Beijo na bunda! 

03
Mar19

LIBERDADE!!!

Não sei se acompanham os stories do Insta aqui da je... e antes de mais quero pedir desculpa aos seguidores do blog, mas ultimamente o tempo de fazer posts mais elaborados tem escasseado e como tal, os meus fãs (coff coff) do Instagram têm sabido todas as novidades em primeira mão... afinal, o Insta pode ser usado na casa-de-banho, enquanto que escrever posts com links no telemóvel é uma valente poia...  visto que estou no computador, e que este gajo ultimamente não tem ligado quando quero e só funciona quando lhe dá na real gana, vou aproveitar para escrever um testamento. Só lê quem quer 

 

Antes de avançarem, e para me conhecerem melhor em termos profissionais leiam:

 

Como vim parar a França

 

Pois bem, agora que já leram o link anterior e conhecem todo o meu contexto profissional:

 

DESPEDI-ME!!!

 

Depois de vários posts em que vos massacrei literalmente com o meu descontentamento no trabalho onde estou, decidi cagar no contrato de 2 anos que ainda tinha com eles até junho, e entreguei a minha carta de despedimento. Assim, de um dia para o outro!!!

 

A carta já estava escrita. As razões já estavam mais do que definidas na minha cabeça... mas faltava um quando e um como.

 

Na sexta-feira dia 22 de Fevereiro estava eu fartinha atéaojolhos das condições de trabalho, e eis que ao passar no corredor onde está o escritório dos médicos, onde também trabalha o médico chefe do serviço e que é o responsável pela equipa onde trabalho, pensei: "e se fosse agora?"... andei discretamente pelo corredor, assim como quem vai buscar fotocópias, e vi que ele estava sozinho no escritório: "nem é tarde nem é cedo, vou fazê-lo agora."

 

E entrei, a tremer que nem varas verdes, mas consegui verbalizar as palavras que há mais de dois anos não queriam calar na minha cabeça:

 

"Eu despeço-me!"

 

E foi assim. Foi assim que comecei a anunciar a minha liberdade... e que a coisa se começou a tornar real. Esperei até quarta-feira para anunciar ao resto da equipa. E desde esse dia toda a gente soube que eu me ia embora. Tenho um defeito psicológico: acho sempre que ninguém gosta de mim. Onde quer que esteja acho sempre que as pessoas fazem de conta, que ninguém me aprecia verdadeiramente. Talvez uma síndrome do impostor disfarçada? No dia em que me despedi percebi que até há algumas pessoas que me apreciam, e que afinal as minhas inseguranças são coisas da minha cabeça - ressalvo que não sou amada a 100% por toda a gente da equipa, mas o chocolate que é o chocolate e que eu amo de paixão, nem esse agrada a todos!

 

Acabo o contrato no dia 5 de Abril e depois vou fazer substituições nesta zona até meio de Abril porque tenho férias em Portugal na altura do meu aniversário... sim, sou uma Toura tardia.

 

A partir de Maio é o vazio em termos de planos. Ainda não sei o que vou fazer. Só sei que quero viajar e ver o mundo. Vi algumas ofertas na Corsega e noutras ilhas francesas, mas ainda estou a ver como posso fazer isto a nível de logística. Nunca pensei tomar uma decisão destas sem ter tudo planeado ao pormenor. Às vezes nem eu própria me reconheço... Quem me conhece desde o início do blog em 2015 sabe bem que a dESarrumada antiga NUNCA teria feito isto.

 

Eu queria controlar tudo... tudinho... até ao mais ínfimo detalhe. Acreditava que tinha um rumo a seguir profissionalmente e que se não o seguisse ao detalhe seria um grande falhanço. Para quem não sabe: quero ser professora e ter o meu negócio próprio na área em que trabalho. E achava que tinha que o conseguir antes dos 30 anos. Se não conseguisse teria falhado na vida. E esta forma de pensar estava a destruir-me. Não dá para controlar tudo na vida, e tentar fazê-lo é frustração na certa.  Todos estes "tenho que..." só me traziam ansiedade e estragavam os momentos felizes... Em vez de deixar a vida fazer a sua cena, tentava micro-controlar todos os meus movimentos e tentar escolher o caminho X para fazer a coisa Y e acabar na situação W. Aos poucos estou a conseguir abrandar. Percebi que se atingir o que quero nem que seja aos 50 anos ou mais tarde, não é grave! E talvez ser professora ou ter um negócio próprio não seja para mim... e está tudo bem.

 

No entanto, a minha mente ainda tem assim uns laivos de quase-ataque-de-pânico-oh-meu-deus-onde-me-vim-meter, mas já estou muuuuuuito melhor. A única coisa que ainda me deixa bastante desnorteada são gajos. Ah e tal é muito bonito estar numa onda de liberação sexual "vida-louca-quero-foder-até-cair", mas basta um gajo dar-me mais conversa, convidar para jantar, dormir, a coisa ficar mais íntima e já penso que encontrei o homem da minha vida... tsss.... ainda tenho muito trabalho de desenvolvimento pessoal e emocional pela frente nesta área... pouco a pouco chego lá. Acredito que tudo isto me esteja a preparar para saber reagir quando encontrar alguém especial. Estou a aprender o que quero e o que não quero. Espero.

 

A vida faz-se caminhando. E se já fossemos "grandes e crescidos" desde que nascemos... que piada teria esta puta de viagem? Eu não sei... mas como uma pessoa muito inteligente um dia me disse "Se eu tivesse asas era um avião"  E nesse dia, essas palavras tão simples mas tão sábias eram o que estava a precisar ouvir para me deixar de merdas.

 

Beijo na bunda 

19
Fev19

Peek a boo!

Será que se eu ficar aqui quietinha sem mexer um músculo e com as mãos a tapar a cara... a vida não repara que eu ainda estou cá e se esquece de mim?

Será que ela me deixa fazer uma pausa para decidir o que quero fazer a seguir? Eu disse que 2019 era o ano da mudança! Mas já estamos quase em Março e nada mudou... O tempo está a passar demasiado depressa...

 

peekaboo_desarrumada.jpg

 

18
Fev19

É por isto que vale a pena ter um blog.

Já se passaram 4 anos de blog e não podia deixar esta data passar em branco! Como muitos sabem, actualmente este blog não me traz nenhum benefício financeiro palpável. Só um gozo tremendo. Um prazer imenso em escrever o que me vai na alma.

 

Como disse no final do meu primeiro podcast, frequentemente antes de carregar no botão azul do "publicar", questiono-me "será que isto vai interessar a alguém?" e durante vários anos isso bloqueou a minha escrita. Se queria falar num assunto mais tabu não o fazia com medo de certos comentários, com receio que isso impedisse o crescimento do blog. Andei assim meses e meses, num vai não volta de "agora vou parar com o blog", "agora vou voltar ao blog", "agora vou mudar o URL do blog porque acho que alguém conhecido me descobriu..." etc. À custa desta atitude de indecisão e de não dar valor ao que escrevo "perdi" 2 anos de conteúdo de blog por aqui. Um blog que começou em Junho de 2017 era no início, um blog que começou em Janeiro de 2015. Esse conteúdo está privado... mas ando com vontade de o ir buscar, de revelar ao mundo um conteúdo que escondi por vergonha, de assumir de uma vez por todas a minha "história" e o início do blog. Um blog que começou com o intuito de fazer rir falando de assuntos tabu de uma forma descontraída e um pouco javarda, e que aos poucos se foi tornando também num diário das minhas aventuras internas - isto inclui, claro, o lado interno mais espiritual e o interior da minha vagina.

 

Talvez ninguém queira saber, muita gente pode estar a ler isto e a pensar "who cares?", mas para mim, enquanto blogger e pessoa que mudou bastante desde o mês de Janeiro de 2015, esse conteúdo representa o luto que fiz de Portugal, as saudades imensas que senti da minha vida antiga, a adaptação à emigração, a perda de grandes amigos que passaram a ser caras que vejo de vez em quando nas redes sociais, as aventuras com o Plutónio-Man (uma relação muito parva que tive à distância com um rapaz que estava em Portugal na altura, e que tem um bilau de 25 cm), o início da minha relação com Ele e o início do seu fim, que coincidiu com a altura em que mudei  o URL do blog para não ser "descoberta". Ler tudo isto traz-me umas saudades imensas de quem fui, aquela menina adulta perdida na vida, mas a certeza de que gosto mais de quem sou agora, uma mulher que começa a vislumbrar claramente aquilo que não quer, porém sem certezas absolutas daquilo que quer (e está tudo bem!), com uma vontade de continuar no blog, enquanto isto fizer sentido para mim. 

 

No dia 12 de Fevereiro disse-vos que estava de volta, mas foi falso alarme. Ainda não estou de volta ao blog a 100% como gostaria. 3 semanas a viajar no estrangeiro deixaram-me com a sensação de que preciso de voltar para mim. Preciso de voltar a enraizar-me com quem verdadeiramente sou. Estou à espera que a minha alma volte a entrar no corpo. 

 

E durante este tempo todo recebi comentários amorosos. Várias pessoas a dizer-me que adoram o blog e que vêm cá todos os dias ver se há novidades - desculpem se tenho desiludido por não andar a postar nada por aqui (meter stories no Instagram tem sido o meu escape quando quero escrever algo ou simplesmente fazer uma rant ou mostrar a bagunça em que está a minha casa) - mas o que mais me tocou, foi a quantidade de pessoas que criaram um blog no último ano e que disseram que eu fui uma das suas fontes de inspiração e, talvez, o pontapé no rabo que precisavam para começar o blog deles.

 

A Bla bla bla foi uma dessas pessoas a começar um blog e a fazer uma menção amorosa à dESarrumada! E espero que este post sirva como mais um incentivo para não abandonar o blog! Se estão a ler isto sigam-na. Vamos apoiar quem começa. Outras pessoas deixaram comentários anónimos no blog e alguns enviaram mensagem para o email do blog. Ainda não respondi a todos, porque pronto, aquela história da alma ainda não ter voltado... mas vou tratar disso em breve. Muito obrigada pelo amor que têm deixado por aqui desarrumados da minha vida! E como muitos de vocês apreciam:

 

Beijo na bunda! 

 

 

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Eu a um sábado de manhã como outro qualquer. O António Vibrações estava a carregar.
Acho que é por estas e por outras que nunca fui convidada para a rubrica Como eu blogo do Sapo, apesar de já andar por aqui há 4 anos e o blog ter mais de 500 subscritores. Mas pronto, apesar dos seus defeitos, o Sapito continua a ser a minha casa preferida.
#Ressabiada #SorryNotSorry #Blessed #AmoTeSapo

 

 

 

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