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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

09
Mar19

Se é para descambar, que descambe de vez!

Há algo que nunca contei no blog e que andei a esconder de mim própria durante demasiado tempo. Mas visto que 2019 é o ano do FODA-SE, sinto que ando numa de "vamos lá fazer coisas que nunca fiz e ver no que dá". Meditei muito sobre se devia falar disto aqui ou não, mas well... decidi falar. Pode ser que o facto de escrever isto pela primeira vez me ajude.

 

Desde os meus 17 anos que passo por fases da vida em que sinto atracção por mulheres. Aquilo começou ali numa visita de estudo ao jardim botânico de não sei onde, durante a secundária, acho que era Coimbra... não que este detalhe seja importante mas pronto, gosto de tentar lembrar-me de factos do passado.

 

Todas as turmas do 10º ao 12º ano foram. E ficámos a dormir numa espécie de Instituto da Juventude, eramos 6 dentro de cada quarto. 4 pessoas em beliches e 2 pessoas no meio do quarto em colchões. Eu e uma amiga ficámos as duas nos colchões no meio do quarto. Eu que sempre fui tímida e com pouca confiança em mim própria, admirava imensamente esta rapariga, queria ter a coragem e a ousadia dela e invejava certos traços da sua personalidade... na altura a cena da moda era o estilo Avril Lavigne ou Amy Lee e eu lembro-me que essa rapariga foi das primeiras a ir para a escola com lápis preto nos olhos, muito lápis preto, minha gente. Na altura parecíamos uns guaxinins tal era a quantidade de preto escorrido à volta dos olhos. Todas excepto eu que os meus pais não deixavam. E até nem queriam que saísse com essa rapariga porque eu, sendo uma rapariga "decente" e com boas notas, corria o risco de ser desviada do meu caminho perfeito, se me desse com pessoas "fora da caixa".

 

Nessa noite, lembro-me de termos ficado a falar até tarde deitadas no chão, sobre gajos, aos sussurros uma com a outra, e ela deu-me a mão antes de adormecer profundamente. Eu ainda tentei tirar a mão mas não dava, era a mão de baixo e estava numa posição esquisita... fiquei portanto uma boa hora acordada, a olhar para ela de frente, enquanto ela dormia. Foi nesse dia que as questões começaram a aparecer na minha mente... e nunca foram verdadeiramente embora.

 

Na Universidade tive 2 experiências com duas raparigas, nas quais eu quis mais, e elas não. Não houve sexo. Mas houve beijinhos e muitos amassos. Tudo muito curto e muito escondido. Eram sempre pessoas que eu conhecia bem. Mas entretanto passaram-se 8 anos e não voltei a sentir isto desta forma, pensei que a "fase" tinha passado. Acreditei que nunca mais voltaria a ter dúvidas, que homens, pilas e afins, são 100% a minha cena.

 

Pois.

 

Ontem voltou a acontecer.

 

Uma amiga minha daqui disse que se sentia atraída por mim... e que queria ter uma experiência com uma mulher... fiquei sem resposta. Inicialmente pensei "YOLO, vamos a isso!". Depois fiquei com medo, não sei de quê, comecei com aquele riso nervoso que nos sai sem querer quando estamos numa situação estranha e só queremos sair dela o mais depressa possível. E às vezes desejamos que nem tivesse acontecido. Fingi uma dor de cabeça e fui embora. Mas fiquei a pensar no assunto. E a tentar dar voltas e voltas à cabeça a tentar encontrar o verdadeiro motivo para estar com medo... no entanto, acho que o que mais me assusta nisto tudo, é que estou com imensa vontade de ir em frente, arriscar e ver no que dá, mesmo sabendo que pode dar merda.

11
Jan19

Diário de bordo 11.01.2019

Nem sempre a vida nos dá o que queremos quando queremos. Às vezes olhamos à volta e ficamos com a impressão de que já todos têm o que nós queremos. E vem aquele sentimento de se ser incapaz, de não se estar à altura das expectativas. Já passo por isto há muito tempo. Esta capacidade crónica de estar quase sempre insatisfeita. A vida só por si não me satisfaz. Ou é essa a impressão que tenho. E por isso vou andando nesta vida à deriva, ao sabor do vento, a achar que estou a controlar alguma coisa.

 

Coitadinha de mim, pffff, achar que controlo nem que seja só um bocadinho o rumo dos acontecimentos, o encadeamento de acções e consequências. Já disse aqui e vou repeti-lo várias vezes até entrar : tentar planear o futuro não serve para nada. Não existe utilidade prática em tentar viver o futuro que ainda não aconteceu vezes e vezes sem conta na esperança de saber se a escolha que estou a fazer é mesmo a melhor de todas.

 

Hmmmm... a ansiedade já não bate tão forte como antigamente, nesse aspecto 2018 foi o ano de dizer adeus a esta merda... Mas de vez em quando, encontro por aqui neste cérebro de gavetas desarrumadas, uns resquícios de medo e paralisação da escolha que pensava já ter abolido. Isto é para a vida toda. Isto é para a vida toda. Às vezes baixo a guarda e o pensamento acelerado volta. Mas o compromisso que assumi comigo mesma para ser feliz, independentemente do caminho que escolher, é muito mais importante do que qualquer resto de ansiedade que ande para aqui perdido.

 

E na última quarta-feira tive alta da psicóloga. Ela diz que estou apta a gerir as minhas emoções sozinha, que já não preciso de trabalhar a regulação emocional. Por isso a partir de agora estou oficialmente "por minha conta". Vá, vamos embora que ainda há muito para fazer nesta vida.

 

11
Nov18

Píromano ou pirómano?

Que fim de semana de chuva do caralho. Uma pessoa está para aqui em casa, a única vez que saí foi ontem para ir fazer umas compras e ir ao cinema. De resto foi destralhe, limpezas e outras coisas do género. Estou a fazer uma cena à la Marie Kondo e estou a analisar as minhas roupas de fio a pavio para deitar fora / doar / dar, aquilo que já não uso! Não tem sido fácil. Mas o pior... o pior meus caros é o papel! Aiiiii... já disse isto várias vezes aqui no blog, o meu problema é os papéis! Juro que às vezes apetece deixar uma vela deliberadamente acesa ao lado de tudo que é facturas, recibos de salário, facturas de carro e outras coisas do género e deixar tudo arder. Olhar para aquilo qual pirómano sedento de chamas. Mas num posso. Sou, supostamente, um ser útil na sociedade que precisa de um dia enfrentar a autoridade tributária com uns 10 mil recibos de pagamento de salário debaixo do braço e provar por A + B que mereço receber mais 20€ de reforma porque eles se esqueceram de contabilizar o período compreendido entre abril de 2015 e outubro de 2017. Mas isto tudo é um suponhamos como dizia a outra. Pelo sim pelo não guardo tudo. 50€ dá jeito para comprar os medicamentos para as dores das cruzes quando me reformar. Tirando isto está tudo bem. Estou com um blogger's block do camandro e não me apetece escrever sobre nada sério. Ainda bem que a dESarrumada (essa foooofa!) está aqui para levar com as minhas neuras. Mas ovulei há uns dias e meu deus, um gajo, oh senhores, já anda a fazer falta. Não digo porquê. Vou deixar vocêses adivinharem. E com o o corrector do sapo aprendi que pirómano é com acento no "o" e não no "i" como eu sempre pensei. Passei 27 anos e meio da minha vida a dizer mal esta palavra. Crianças, fica aqui o conselho da tia dESarrumada, usem o corrector. Faz bem à saúde mental de quem escreve e à saúde ocular de quem lê. De nada.

27
Out18

Como perder uma amiga.

Ultimamente a forma que tenho usado para tomar decisões racionais e menos emocionais é perguntar-me a mim própria: "se tu fosses a tua amiga, que conselho lhe darias nesta situação?" Infalível. Este pensamento já me impediu de instalar apps de encontros vezes e vezes sem conta, e o facto de estar longe delas tem-me feito um bem do caraças.

 

Epah, prontos, a modos que a pensar assim fiz asneira. E não considero que tenha feito asneira, segui o que o meu coração dita para a minha vida, mas apliquei-o na vida dos outros. E só podia dar merda.

 

Recentemente ajudei uma amiga minha (melhor amiga do mundo) a vir trabalhar para cá. No início trabalhámos no mesmo sítio mas agora ela mudou para a cidade ao lado, uma pequena distância que se faz facilmente de carro.

 

Ela veio com o namorado, alguém de quem nunca gostei, é machista, misógino, agressivo, egocêntrico. Tudo que se possa encontrar de negativo num homem ele tem. É a típica pessoa que quando vamos sair é ele que tem que fazer os planos todos, e se alguém quiser, nem que seja por uns segundos visitar algo diferente, ele faz birra a dizer que "ninguém o ouviu, que é um ignorado", etc. E a hora de ida ou volta é decidida por ele, se alguém estiver atrasado já fica de trombas a viagem toda, se alguém quer voltar mais tarde ele vai para o carro e diz "eu vou para o carro, quem quiser que venha comigo, quem não quiser que apanhe um táxi". Pronto. Eu ouço estas merdas e o meu cérebro explode, fico com o coração a mil e na maior parte das vezes (quase todas) calei.

 

Naquele dia, azar dos azares, e como o menino andava a fazer birra porque é sempre ele a conduzir, levei eu o meu carro. Deu merda.

 

Tínhamos saído com com colegas de trabalho e estagiários meus e da minha amiga a um restaurante. Ele não trabalha connosco por isso não tem muita afinidade com as pessoas que estavam lá. Mas já saiu várias vezes connosco e já conhecia as pessoas. Não era um estranho portanto. Epah, não abriu a boca o jantar todo. Estava de birra, como já é habitual nele. Uma pessoa já nem liga, faz a sua vida e ele fica ali num canto agarrado ao telemóvel durante o jantar todo. A minha amiga é uma santa por aturar aquele energúmeno.

 

No fim do jantar, estávamos à entrada do restaurante a conversar, ele sempre agarrado ao telemóvel, vira-se para toda a gente:

"estou cansado, vou para o carro" e virou costas sem dizer boa noite, nem nada...

 

Mas... o carro era meu. E eu nem mexi uma palha quando ele disse aquilo, estava determinada a deixá-lo esperar. A minha amiga que tem medo dele (epah desculpem, mas ter medo do próprio namorado não é para mim). Vira-se para mim e diz em português "olha é melhor irmos embora se não ele fica à espera e já sabes como ele é, vai ficar chateado e depois tenho que o aturar durante semanas".

 

Respirei fundo 10 vezes, contei até 100 mentalmente e despedi-me à pressa de toda a gente e lá fomos. E ele encostado ao carro de braços cruzados a olhar para o relógio a dizer que demorámos muito... disse mentalmente para mim própria "nunca mais me apanhas num jantar contigo". Nesse dia não disse nada, mas no dia seguinte, contra o pedido da minha amiga de não dizer nada, fiz questão de dizer-lhe que não gostei da atitude dele, que o carro era meu e que eu é que decidia quando voltávamos e que a forma como ele se foi embora foi uma falta de respeito para toda a gente.

 

Epah, saiu-me tudo que me andava a passar pela cabeça. Mas... isto correu mal, desde esse dia nunca mais saí com a minha amiga. Ou porque tem coisas para fazer com ele, ou porque ele é que tem o carro, ou porque isto ou aquilo. Há sempre uma desculpa. E todas as coisas que fizemos em grupo só veio ela. Ok, já percebi que o energúmeno não me quer ver. Tudo bem, concordo! Eu também não o quero ver nunca mais à minha frente. A merda da questão é que sinto que "perdi" a minha amiga. Moramos na mesma região, finalmente não estamos em países diferentes, e ele faz sempre alguma merda para que eu não a consiga ver.

 

Estou farta disto, às vezes acho que não devia ter aberto a boca. Mas porra, não podia ficar calada numa situação destas. Foi mais forte que eu. Hoje são ameaças e birras mas... e se amanhã ele lhe bate? Anseio pelo dia em que eles acabem e a minha amiga possa voltar a ser uma mulher livre para escolher os seus amigos. Acabei de escrever esta frase em vésperas de 2019, juro que isto não era um rascunho escrito em 1973.

02
Out18

Quem sou eu?

Uma pessoa passa uma vida a acreditar em várias coisas.

 

Elas são frases que nos são ditas repetidamente, conceitos abstractos, críticas que ouvimos vezes e vezes sem conta, por vezes elogios às nossas capacidades que só os outros conseguem ver. E uma pessoa acaba por dizer para si própria: "se os outros pensam isto sobre mim, então é porque deve ser verdade".

 

Inconscientemente todas as decisões que tomamos têm por base estas crenças. Se escolho este emprego é porque me vejo desta forma, se escolho aquele companheiro é porque me vêem com alguém deste género, se vou para determinado país é porque esperavam que tomasse essa decisão, se troco de vida é porque é o que é suposto eu fazer.

 

Ultimamente, apercebo-me que pouca coisa na minha vida foi uma escolha minha. Escolhi muito pouco para mim porque me conheço muito pouco. Limitei-me a fugir da prisão em que me meti ao longo dos anos. Mas continuo acorrentada. Desta vez com correntes ainda mais compridas que as anteriores, com milhares de quilómetros entre elas.

 

Quem sou eu? Para onde vou? Não sei. Porque, e isto só o soube recentemente, nunca me dei oportunidade de me conhecer. Sempre me vi através dos olhos dos outros e sempre esperei a validação de terceiros para tomar as minhas decisões.

 

Quando choro não é por tristeza por causa da minha vida estar onde está, choro porque não tomei algumas decisões que queria ter tomado, choro porque não sei qual das decisões é a correcta. E hoje escrevo este post porque ando a martirizar-me com a procura de respostas que simplesmente não existem.

 

Não há decisões definitivas. Não há uma verdade absoluta. A minha verdade não é a tua. A minha verdade hoje pode ser uma e amanhã será outra.

 

Hoje disseram-me: "Falhar não existe. Falhar é um conceito abstracto."

 

E era tudo o que precisava ouvir hoje.

 

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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