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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

13
Jun18

Cada um na sua!

Às vezes tenho aquela "mágoa" de não conseguir fazer amigos dentro dos meus colegas de equipa directos. Nós somos uma equipa com várias profissões, e consigo dar-me bem com todos, menos com os meus "semelhantes". Já estou aqui há 3 anos e 7 meses, e nunca consegui desenvolver uma amizade verdadeira com nenhum. Mas eles entre eles dão-se todos bem, e isso sempre me custou. É tramado quando nos sentimos a ovelha negra do rebanho.

Uma delas acabou recentemente com o namorado, alto drama, teve que largar a casa onde estavam a morar juntos e tudo. Como ficou sem onde morar, pediu ao nosso chefe para ficar alojada lá no trabalho, nos apartamentos onde costumam ficar as famílias dos utentes a dormir, quando vão fazer as visitas do fim de semana.

Essa minha colega, anda toda triste, anda lá feita meia-morta a arrastar-se pelos corredores quase deprimida, não fala com ninguém. Nem com os amiguinhos com quem antes andava sempre na macacada. Emagreceu 13kg num mês e até andava lá a fumar num canto durante a hora de pausa. E ela não fuma...

Situação dramática, decidi comentar com uma das minhas colegas, que pensava eu, era a pessoa mais próxima dela:

 

Eu: Olha lá, a A. desde que acabou com o namorado anda mesmo mal! Parece que está à beira de uma depressão...

Colega: Deixa lá, ela é uma criança. Todos temos problemas e nenhum de nós anda p'raí a deprimir pelos cantos!

 

Pumba que já almoçaste...! Mas quem te manda preocupar com os outros? No meio disto tudo até fiquei extremamente aliviada por não ser "amiga" desta gente...

10
Mai18

Feriado.

Esta semana tivemos dois feriados aqui em França. Um na terça e outro hoje. 

 

Hoje de manhã fui trabalhar. Nada de mais, fico sempre com aquela sensação de não ter feito nada de extraordinário nas poucas horas que estive pelo Centro, mas um dia vi esta frase na internet e ficou-me na cabeça, guardo-a para quando acho que o meu trabalho não serve para muita coisa "se as minhas acções ajudarem, nem que seja uma pessoa, a respirar melhor, então tudo valeu a pena". Hoje ajudei 3 pessoas a respirar melhor, literalmente, por isso devo estar no bom caminho para a realização profissional, e acima de tudo, pessoal. Espero.

 

Ontem foi uma noite boa. Fomos ao kebab entre amigos e colegas de trabalho - já aprendi a diferenciar uma coisa da outra, estou mesmo a ficar crescida, dizem - e senti-me muito bem. Não culpabilizei por causa daquelas batatas fritas cheias de óleo e aproveitei bem o momento. Tenho-me sentido bem no momento presente, não sempre, mas mais frequentemente do que há uns dias atrás.

 

No entanto, ontem estava lá a minha antiga colega de trabalho - aquela das mamas grandes que me fazia a vida num inferno e que eu tão carinhosamente chamava de vaca - e não pude deixar de comparar a minha vida actual com a dela, uma vez que só temos um ano de diferença e temos a mesma profissão. Sei que prometi que me deixava de comparações, porque não levam a lado nenhum, mas não consegui impedir, e ao chegar a casa senti-me bastante mal. Acho que em muitos aspectos estou a ficar para trás. Ela conseguiu despedir-se e procurar um outro trabalho que lhe agrade mais, tem um namorado e parece ter imenso tempo para tudo. Apesar de ter um trabalho com uma carga horária maior que o meu parece estar mais próxima de realizar os seus sonhos e ter mais tempo para fazer o que gosta. Um exemplo de algo que me frustrou, eu andava super contente por ter um tomateiro-cereja a crescer na varanda, já ela tem vários tomateiros, e morangueiros e até alfaces, na varanda dela. Como é que alguns conseguem ter tempo para tanto, e outros não? Absurdo, eu sei.

 

Não invejo de todo a vida dela, não sonho com as mesmas coisas que ela, nem temos os mesmos objectivos de vida. Sei também que a vida de um dia para o outro dá uma volta de 180º, que estou todos os dias a uma decisão de mudar TUDO, e que se quisesse daqui a um ano não iria reconhecer nada na minha vida. Mas também sei que às vezes precisamos de fases mais "rotineiras", para parar, olhar e atravessar. Quem sabe ganhar balanço para outros voos maiores.

 

Sim, a comparação não leva a lado nenhum. E sei que se este post tivesse sido escrito ontem à noite quando cheguei a casa lavada em lágrimas, não teria, de todo, tido o mesmo conteúdo. Agora vendo as coisas a frio sei que não estou assim tão mal. Se efectivamente podia ser mais pró-activa na procura de algo melhor? Podia. Se podia contactar mais pessoas e tentar fazer mais networking? Podia. Se tenho um medo sufocante de acordar "tarde de mais" e achar que já sou demasiado velha para realizar os meus sonhos? Ó se tenho, todos os dias.

 

Mas isto é a ansiedade a falar. E não posso dar-lhe ouvidos. Caladinha. Hoje quem manda sou eu.

25
Abr18

Juízo.

Hoje é feriado, e foi aproveitado com a família (yeay!).

 

Sim, este ano vim passar o aniversário com a minha família em Portugal pela primeira vez em 3 anos. 2018 é o meu 4º ano em França. Desde que tinha 23 que não festejava esta data com a família. Fiquei contente, ah pois fiquei!

 

Pena esta situação do meu avô. Mas pronto, tudo se há-de resolver.

 

Queria escrever aqui aquelas coisas lindas sobre estar na terrinha, ir dar uma voltinha pelo campo, respirar o ar puro, sentir esta brisa que vem da Serra, ver os pastores, ganhar coragem para, pela primeira vez em anos, correr no centro da vila sem ter vergonha. Mas tinha tanto para dizer e ao mesmo tempo tenho tido tão pouca vontade de escrever. Eu sei que a vontade volta e que isto é só uma fase. Desta vez nem pensei em apagar o blog, como já o fiz anteriormente noutras fases off, por isso posso considerar que ando a fazer progressos na gestão da frustração e falta de inspiração para o blog.

 

Já vos disse que consegui ir correr no centro da vila onde cresci sem ter medo do julgamento dos outros? Ainda por cima durante um feriado em que havia pessoas a passear na rua? Estou orgulhosa de mim. E tenho a agradecer à corrida por ter entrado na minha vida nesta fase, é das poucas coisas que me tem motivado e mantido à tona de água. É das poucas coisas que anseio, a cada dois dias lá estou eu pronta para correr, e às vezes vários dias seguidos, porque esta porra faz-me bem, e ajuda-me a conseguir aguentar a escuridão que vai nesta cabeça.

 

Opah, e já vos disse que fiz 27 anos esta semana? Dizem que é o início da idade do juízo. Se for só o início então ainda tenho algum tempo disponível para fazer asneiras antes que o juízo a sério chegue.

 

 

07
Abr18

Diário de bordo 07.04.2018

ansiedade.jpg

 

Para vos fazer o ponto da situação, já ando há um mês a sair com o rapaz do Tinder, que daqui para a frente vou chamar de S. As coisas têm corrido globalmente bem, no início as diferenças fizeram-nos chocar um pouco, nomeadamente as visões sobre o dinheiro e as ambições na vida, mas temos conseguido encontrar um equilíbrio e as coisas estão a correr cada vez melhor. Acho que posso dizer que estamos numa relação! E não, não vos consigo dizer já se é o homem da minha vida, mas decidi deixar de procurar isso a qualquer preço e tentar aproveitar o momento presente.

 

Esta semana, tive alta crise de ansiedade com ele aqui. Ele veio cá jantar e depois meti-me a chorar já antes de irmos dormir. Alta crise de choro. Ele ficou meio abananado sem saber o que pensar ou dizer. Digamos que o moço não tem muito jeito com as palavras. Pediu-me para lhe explicar o que se passa e eu como é óbvio não conseguia, só lhe consegui dizer que andava muito triste e sem razão, que andava a pensar procurar uma psicóloga. Ele só me deu um conselho tão simples, mas mesmo tão simples, ao qual eu já pensei tantas vezes, mas nunca consegui meter em prática até ao dia em que ele me disse. 

 

Descansar e dormir mais. 

 

Foi isto. Que antes de procurar quem quer que seja, devia deixar de dormir só 5 horas todas as noites, devia tentar almejar as 7 horas de sono, sobretudo agora que faço muito desporto (mais de 4 vezes por semana de actividade física). Ele disse-me que não fazia sentido eu estar "tão mal", tendo uma "vida tão boa". Eu disse-lhe que era fácil falar quando não se está a passar por elas. Ele disse-me para experimentar descansar mais, e que depois falávamos. Se ainda estivesse mal, aí devia procurar ajuda...

 

Pois bem, desde que tive esta conversa com ele, em que quase recebi um pontapé na bunda para parar de ser parva, as coisas têm andado melhor. Deito-me antes da meia noite todos os dias, deixei de me meter aquela pressão estúpida de fazer montes de coisas antes de ir deitar, e cortei no meu vício do telemóvel. Afinal, seja o que for que se tenha passado nas redes sociais, ainda vai lá estar de manhã.

 

Isto é muito, muito parvo, eu sei. Mas há mais de 3 anos que não dormia tanto, desde terça-feira dormi em 5 dias o equivalente a uma semana e meia... e ando bem, não espectacularmente bem, mas bem. A ter uma vida normal. E como consegui? Pensei para mim própria "a partir de agora o sono é o meu medicamento para a depressão, e respeitar a dose diária é tão importante como comer bem, fazer desporto ou tomar outro qualquer medicamento essencial." Isto mudou o meu mindset, nestes últimos dias deixei de ver o sono como uma perda de tempo, e tem corrido muito bem. Será que é desta que começo a gostar da minha vida?

 

Não percam os próximos episódios 

 

02
Abr18

Exigência.

Isto é um diário e como tal despejo aqui, sempre que posso, o que me vai na alma. Vamos lá.

 

Fim-de-semana muito bom, passeio com os amigos portugueses que vieram morar temporariamente para a minha zona. Tem-me feito bem eles estarem cá, acho que sem eles esta fase tinha sido pior. Qual fase? Perguntam vocês... Já explico.

 

Tenho andando extremamente ansiosa, perdida mesmo, sem saber o que quero para a vida. Isto de ter que escolher entre várias opções dá cabo de mim. E o "problema" é que nunca uma geração teve tantas escolhas à sua frente. Largar tudo e ir conhecer o mundo? Optar por uma carreira mais profissional? Abrandar e concentrar-me mais na vida pessoal (casa, filhos, etc)? Hmmm... tudo questões pertinentes às quais não sei responder. E não devia querer responder. 

 

Muitas vezes fico com a aquela sensação de que quero ter tudo e que acabo por não ter nada. Já tentei várias vezes contactar uma psicóloga aqui na zona para me ajudar com estes sentimentos de incompetência, frustração e ansiedade. Às vezes acho que estou no início de uma depressão, depois há dias em que estou quase-eufórica, serei bipolar? Who knows... desisto sempre de ir ver a senhora psicóloga, tenho medo que ela pense que sou uma tonta, uma privilegiada que só sabe queixar-se. Isto tudo ainda é mais difícil quando nem o nosso cérebro percebe o porquê de estarmos infelizes... quando temos tanto e, apesar de tudo, achamos ter tão pouco.

 

Tenho medo de procurar ajuda e que isso ainda dê mais cabo de mim. Gostava de simplesmente não pensar, apagar tudo que tenho no disco duro da minha mente e simplesmente começar do zero, outra vez bebé, outra vez na barriga da minha mãe. Belo sítio para ir passar umas férias. 

 

Estou a passar por alguma crise de meia idade, mas ainda não estou na meia idade. Peço conselhos a pessoas mais velhas que me ajudam imenso, no momento sinto uma energia renovada, mas depois tudo volta ao mesmo. Sei que a felicidade não pode ser almejada o tempo todo, que a vida é feita de altos e baixos, que seria humanamente impossível estar sempre no pico de êxtase, que para a primavera existir (fase de construção) tem que haver um inverno (fase de destruição). Sei tudo isso e mesmo assim ainda sei tão pouco.

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas prevê-se que a programação do blog nos próximos tempos não vai ser a mais alegre... não porque não o queira, mas porque sinto que preciso de passar por esta fase de introspecção. E não tenho conseguido funcionar de outra forma. Apesar de as coisas à minha volta até estarem a correr bem e por fora parecer estar intacta. Por dentro estou partida e não sei o que me partiu.

 

Obrigada a quem se mantiver por aí.

31
Jul17

Quero deixar de ser uma gaja deprimida e deprimente.

Por isso estou apostadinha em parar de vir aqui descarregar os meus problemas e voltar ao estilo de escrita que tinha no início, quando era uma gaja que conseguia cagar defecar uma bosta bem grande em cima da sua ansiedade e preocupações. Custe o que custar isto vai ser um blog onde os problemas não entram, excepto se for para falar sobre pêlos, dilemas sexuais, falta de guito, chocolate ou cenas completamente random da minha vida de emigrante ou, claro, abordar a temática do meu cocó e a sua frequência. Hmmmm (fazer aquele som à Homer Simpson quando vê donuts) adoro falar sobre cocó.

 

 

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