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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

19
Out20

Recolher obrigatório.

00h37, silêncio na rua, não se avista um único ser humano... A única prova de que ainda mora gente nesta rua são as janelas iluminadas. Moro numa rua onde costuma haver muito barulho, um bar aberto até às duas que costuma ter bêbados à porta, um hotel de faz-de-conta clandestino (sim, já viram hotéis com estendais da roupa nas janelas e uma placa na entrada que diz "sorry, we're full" há mais de 6 meses, não já?) .

O prédio ao lado do meu é provavelmente uma casa de putas, as flores falsas nas janelas dizem tudo. E os gajos árabes que costumam estar à entrada do prédio a partir das 23h da noite também.

 

Uns quantos pretos costumam estar na esquina da rua, agarrados ao telemóvel a falar com futuros compradores do produto que têm para vender. 

Normalmente não saio de casa até tarde, desde que moro aqui, sinto-me mais na África do Norte, do que em Paris. 

 

Mas hoje, pela primeira vez desde que aqui moro, olhei pela janela e não vi ninguém.

 

Recolher obrigatório na cidade. Eu cá digo que já vai sendo tempo de olharmos mais para dentro... Por isso vou meditar e dormir. Que maçada, não há mais nada para fazer...

 

Boa noite. 

29
Abr20

Diário de bordo 29.04.2020

como vos tinha dito, o Titi veio ter aqui comigo durante uns dias. Depois fui eu a casa dele, depois ele voltou aqui para o meu aniversário. Vocês não sabem, mas aqui a vossa dESarrumada já tem 29 anos! 

 

vinte 

e

nove!

 

Quando comecei o blog tinha 23 anos. Já lá vão quase 6 anos de emigração. E de muito crescimento.

 

As coisas com o Titi têm corrido bem. No início tivemos um arrufo por causa de uma ex dele, com quem ele ainda se dá e bebe cafézinhos, chateei-me com ele porque queria que ele deixasse de a ver, ele disse que não o faria porque actualmente ela era uma amiga dele, e eu não podia pedir-lhe isso, nem com ela, nem para deixar de ver quem quer que fosse.  

 

Fiquei amuada 1 dia. Depois decidi que não podia amuar com merdas destas, ou nunca ia construir nenhuma relação de jeito.

 

Aproveitei para usar esta situação para crescer. Fiz os exercícios de "auto-cura" da Psicóloga Nicole LePera que podem ver aqui. São exercícios de escrita chamados "Future Self Journaling", que nos ajudam a desligar certos circuitos automáticos no cérebro e a tornarmo-nos uma nova versão de nós mesmos. 

 

E tenho andado super bem. Tenho consolidado cada vez mais a crença de que ninguém nos pertence, um parceiro de vida é suposto acrescentar algo, eu não o possuo, e ele não me possui a mim, somos pessoas independentes... tal como entramos na vida um do outro também podemos sair, por traição, por ruptura amorosa, por doença, por acidente, ou morte. E por isso é tão importante aproveitar bem o tempo que temos juntos.

 

E também me apercebi de outra coisa relativamente a mim própria - isto foi muito doloroso - às vezes a resposta à pergunta "e se a pessoa mais tóxica da relação fores tu?" é sim. E isto é bem real, e é preciso termos consciência disto, que todos, em algum ponto da vida podemos ter comportamentos tóxicos... eu muitas vezes fico tão cega pelo ego que não me apercebo que tenho, eu mesma, comportamentos tóxicos de ciúmes e controlo excessivo. Consegui parar. Consegui aceitar, e tenho estado tão em paz. Desde aquela discussão que não voltei a abordar o assunto com ele, porque decidi voltar-me para dentro... descobrir mais sobre mim própria... e aproveitar este rapaz que tem sido uma bela descoberta e uma etapa fantástica da minha vida. 

 

Ele tem estado sempre muito presente, temos falado todos os dias, já partilhei com ele alguns dos meus sonhos e ele apoia-me em tudo. Ele contou-me os sonhos dele e eu apoio em tudo. Por isso, sinto que a coisa está bem encaminhada... e o confinamento está quase a acabar, vamos recuperar um bocadinho da vida no exterior... Não posso falar em recuperar o tempo perdido, porque este tempo em casa não foi de todo perdido. Foi tempo precioso em que pude trabalhar o meu EU interior. Mesmo estando há quase 2 meses sem ganhar nada financeiramente, não há dinheiro que pague o tempo dedicado ao desenvolvimento pessoal do qual pude usufruir nesta quarentena. 

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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