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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

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27
Nov18

Deixar a sua marca.

O colhão com pernas foi embora e eu pensava que ia ser assunto para várias semanas. Afinal já ninguém se lembra dele. Que vida madrasta esta que permite que uma pessoa trabalhe 22 anos num sítio e seja esquecida mal vira a esquina. Isto faz-me pensar muito. Às vezes penso demais. Gostava de acreditar que quando sair deste local de trabalho, deixarei uma marca. Que alguém, nem que seja uma pessoa, vai continuar a falar de mim. Isto tudo faz-me pensar no filme Coco. Para continuarmos a viver no "além" alguém tem que se lembrar de nós em vida. Mas não é fácil ser lembrado quando se sai de um local de trabalho. É preciso fazer-se algo de realmente especial. Eu tento sorrir todos os dias, mesmo quando estou cansada e quase a cair para o lado a olhar para aqueles colegas de merda que tenho. Opah... hoje estavam lá num canto a fazer exercícios com os halteres em frente aos doentes. Que falta de profissionalismo. Apetecia chegar lá e dizer "pagam-te para fazeres estas merdas no trabalho?". Crianças. Ainda bem que a maior parte se vai embora daqui a umas semanas. Sim, porque como não podíamos ir todos de férias de Natal ao mesmo tempo a malta toda decidiu despedir-se para deixar a entidade patronal em maus lençóis... 

Esta gente sente-se tão entitled, como se o mundo lhes devesse tudo. Como se fosse impossível continuar a viver enfrentando uma contrariedade. Tenho pena deles, exteriormente fico com a sensação que eles conseguem sempre levar a deles avante, mas por dentro devem ser miseráveis. Imagino-os em ponto pequeno, com 5 anos, a chorar enrolados em posição fetal porque os paizinhos não lhes deram o brinquedo para brincar, ou não serviram o jantar que eles queriam, ou tiveram o desplante de lhes dizer um "não".

Se a vida desmoronasse ou toda a gente se despedisse, só porque ouviu um não do chefe, este mundo estava todo fodido. Ainda mais do que aquilo que já está. O mais incrível nisto tudo, é que esta gente quando for embora vai deixar uma marca e os que fazem o bem são logo esquecidos.

25
Set18

Lembram-se da loira com óculos de mosca?

Esta menina foi embora no início de Agosto. Costumamos fazer uma espécie de despedida lá no trabalho, em modo praxe. Molhamos o pessoal, metemos Microlax em cima do cabelo da malta, é um produto líquido, em bisnagas para ajudar a fazer cocó, que cheira muito mal. Os corredores ficam uma semana com aquele cheiro. É para levarem uma recordação aqui do Centro e não esquecerem esta equipa, que apesar de mal chefiada, é uma boa equipa. De mentes muito brilhantes e corações generosos. Que gostam de ajudar os que vão embora a livrar-se da obstipação.

Ela anunciou que se ia embora e ninguém ficou triste. No último dia trouxe um bolo, só trabalhou de manhã, foi embora, ninguém fez praxe de despedida, ninguém ficou com uma lágrimazita no canto do olho. Nadica de nada. Nem com o laxante no cabelo ela levou.

E ela lá foi para a Côte d'Azur realizar o seu sonho de conhecer um homem italiano e fornicar à beira-mar. Espero que seja bem sucedida na sua missão de ter filhos antes dos 40. Entretanto, enquanto aqui estava a trabalhar tinha feito 36.

Durante esse processo de realização pessoal, espero que também aprenda a ser mais consciente no trabalho. Fazia-lhe falta um bocadinho de brio. Os pacientes agradecem. A equipa também agradeceu ela ter ido embora. Quando se nasce com a ideia de que se veio ao mundo para ser um acessório aos olhos de um homem, não há esperança possível. Uma causa perdida.

Se passarem ali pelos lados de Nice e virem uma loiraça com óculos de mosca agarrada ao braço de um italiano com aspecto de mafioso... é ela. Digam-lhe um olá por mim e desejem-lhe sorte.

13
Jun18

Cada um na sua!

Às vezes tenho aquela "mágoa" de não conseguir fazer amigos dentro dos meus colegas de equipa directos. Nós somos uma equipa com várias profissões, e consigo dar-me bem com todos, menos com os meus "semelhantes". Já estou aqui há 3 anos e 7 meses, e nunca consegui desenvolver uma amizade verdadeira com nenhum. Mas eles entre eles dão-se todos bem, e isso sempre me custou. É tramado quando nos sentimos a ovelha negra do rebanho.

Uma delas acabou recentemente com o namorado, alto drama, teve que largar a casa onde estavam a morar juntos e tudo. Como ficou sem onde morar, pediu ao nosso chefe para ficar alojada lá no trabalho, nos apartamentos onde costumam ficar as famílias dos utentes a dormir, quando vão fazer as visitas do fim de semana.

Essa minha colega, anda toda triste, anda lá feita meia-morta a arrastar-se pelos corredores quase deprimida, não fala com ninguém. Nem com os amiguinhos com quem antes andava sempre na macacada. Emagreceu 13kg num mês e até andava lá a fumar num canto durante a hora de pausa. E ela não fuma...

Situação dramática, decidi comentar com uma das minhas colegas, que pensava eu, era a pessoa mais próxima dela:

 

Eu: Olha lá, a A. desde que acabou com o namorado anda mesmo mal! Parece que está à beira de uma depressão...

Colega: Deixa lá, ela é uma criança. Todos temos problemas e nenhum de nós anda p'raí a deprimir pelos cantos!

 

Pumba que já almoçaste...! Mas quem te manda preocupar com os outros? No meio disto tudo até fiquei extremamente aliviada por não ser "amiga" desta gente...

23
Jan18

Colega de trabalho: a loira com óculos de mosca.

Tenho uma colega de trabalho nova há cerca de 3 meses. Ela é polaca, loura, usa um daqueles pares de óculos super grandes - modo mosca/on - e fala de uma forma super sensual, parece que está sempre a tentar engatar toda a gente. Ela só fala de sexo e daquele a quem ela chama, sempre com a mão sob o lado esquerdo do peito, tão carinhosamente de "my man" (vim a descobrir que é um italiano emigrado na Polónia, que anda sempre em viagens internacionais pelo mundo todo e que pelos vistos fode muita bem).

 

Ela tem 35 anos, solteiríssima e tem aquela atitude "I don't give a fuck" estampada no rosto o tempo todo, a postura dela é puro chill, anda lá pelos corredores, entre os quartos dos utentes, como se estivesse numa esplanada com uma caipirinha na mão, e olha para nós com um olhar de escárnio quando lhe falamos em assuntos do trabalho. Usa expressões do género "eu quando chego a casa nunca penso em trabalho", "eu só penso em mim e na minha saúde mental", "não vou aceitar conselhos de pessoas mais jovens do que eu, já levo mais de 10 anos disto", etc.

 

Quase que poderia ser a mulher perfeita relativamente à forma como anda, fala e leva uma vida pessoal tão descontraída. Contudo, no trabalho é a pessoa mais desleixada de sempre, negligencia toda e qualquer função que lhe seja dada, às vezes coisas até relativamente simples, que ela, do alto da sua experiência de mais de 10 anos, devia conseguir fazer com uma perna às costas. Tinha tudo para ser um dos meus ídolos vivos na vida pessoal, pena termos calhado no mesmo lugar de trabalho!

 

Escusado será dizer que ninguém a suporta e já toda a gente quer que ela vá embora... Assim não dá, pá, dái-me algum colega de equipa de jeito, um só que seja, por favor. *


*isto inspirou-me a falar mais sobre os os meus colegas de trabalho... tenho tanto para contar! Fiquem por aí e não percam os próximos episódios...

 

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