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Diário de uma desarrumada

Desarrumações diárias de uma rapariga emigrante.

Diário de uma desarrumada

Desarrumações diárias de uma rapariga emigrante.

11
Abr18

O meu avô é o mais forte.

O meu avô é aquele homen forte e corajoso, muinto maior do que eu. O meu avô sobe às oliveiras com o pau de varejar para fazer cair a azeitona. O meu avô poda a vinha toda de alto a baicho sozinho sem ajuda. O meu avô condus um tractor sozinho, e nunca quis tirar a carta de condução porque o tractor sempre lhe chegou para ir onde precisa. Eu gosto de ir na parte de tras do tractor quando vou à vinha com ele. Às vezes ele senta-me à frente do volante, naquele banco minúsculo, entre as pernas dele, e diz que se a polícia o apanha podem o chatear muito porque é proibido levar meninos e meninas de 5 anos na parte da frente do tractor. O meu avô esteve 11 anos emigrado na Suisa para dar de comer à mamã e ao tio, porque me disseram que só avia uma lata de atum para 3 pesoas na mesa. Mas depois voltou para Portugal porque tinha muintas saudades da avó Maria e do monte.

O meu avô enervase facilmente e manda nos falar mais baicho quando quer ver o jogo de futebol na televisão, às vezes chateia-se mesmo muinto e sai de casa para ir ver o resto do jogo no café. O meu avô gosta de comer broa de milho com queijo da serra, às veses com chouriça, outras veses com presunto e muitas veses come um papo-seco com marmelada. O meu avô gosta de cortar uma masã aos pedaços com a navalha que traz sempre no bolso e dá me um bocado cada vez que vou com ele ao monte. O meu avô fez-me um ancinho pequenino com paus de madeira e pregos para ir com ele apanhar caruma à mata. Ouvi diser que construiu a casa da avó Maria sozinho. O meu avô é o mais forte e o melhor do mundo! Quando for grande quero ser corajosa como ele!

 

 

O meu avô cresceu muito, hoje já é um senhor crescido e cheio de força, apesar de, com o passar dos anos, ter ficado mais baixo do que eu em altura. Festejei muitos aniversários com ele, mas nos últimos 3 anos não pude estar em nenhum fisicamente. O meu avô às vezes esquece-se do meu aniversário, mas fica muito contente e fala horas e horas a fio quando eu ligo para lhe desejar um bom dia de anos, apesar de já ser uma menina grande e estar muito longe. Ainda há duas semanas festejou os seus 75 anos, e que alegria foi quando eu lhe liguei "das Franças". Ele fala alto para eu o conseguir ouvir bem aqui, e porque está a ficar "môco", como ele diz.

O meu avô é muito forte, no entanto, ontem teve um AVC e está numa cama de hospital sem conseguir falar e mexer-se. O meu avô é aquela pessoa que toda a gente devia ter na sua vida de criança. E mesmo mais tarde, nunca se é demasiado crescido para ter um avô tão forte e corajoso como o meu.

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