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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

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28
Set18

O meu avô é o mais forte #3 sabe o que fazer em caso de Acidente Vascular Cerebral?

Olá, meus unicórnios desarrumados mais lindos!

Hoje o texto é um pouco longo, mas fiquem por aí que podem aprender algo novo hoje.


Foram muitos o que se preocuparam com o meu avô...


O meu avô é o mais forte
O meu avô é o mais forte #2

 

...e entre inúmeras mensagens de apoio e para saberem se "o velhote" está bem, hoje venho responder a essa questão.

 

Depois do meu último post sobre ele, em que dizia que ele estava num lar à espera de entrada num centro de reeducação, muita coisa aconteceu. Esteve 3 meses num centro de reeducação, na Unidade de Cuidados Continuados (UCC), se não me engano. Aos dois meses de internamento teve uma crise de epilepsia que o enviou de volta para o Hospital da Guarda. Esteve alguns dias por lá e voltou para a UCC. Mais debilitado, o hemicorpo direito com menos movimentos activos, diminuição do campo de visão lateral. Tem uma afasia de Broca. Ou seja, no caso do meu avô, não consegue expressar-se com palavras, só emite sons. Mas compreende tudo que lhe dizemos.

 

Assim, muito resumidamente, existem dois tipos de afasias: a de Wernicke e a de Broca.

Afasia de Broca: a pessoa consegue compreender mas não consegue expressar-se verbalmente. Neste tipo de afasias a pessoa pode emitir sons, costumam ser sempre os mesmos. Já tive pacientes que faziam "tu tu tu" ou "pa pa pa", mas geralmente caracterizam-se por serem sons indistinguíveis.

Afasia de Wernicke: a pessoa consegue articular palavras, mas, estas não fazem sentido juntas. Nesta afasia costuma haver dificuldade ou ausência de compreensão. 

 

No final dos 3 meses voltou para o lar. Fisicamente ele está bem, anda, até sobe escadas, mas relativamente ao comportamento ficou muito agitado, agressivo, não aceita instruções. Por tudo isto, a minha avó, a avó Maria, que também está muito debilitada fisicamente, já não pode tomar conta dele. Ainda mais quando ele tem tendência a ser agressivo e a "fugir" quando alguém o tenta levar para outro sítio que não aquele que ele quer, não suporta ser contrariado. Mete-se a correr e ninguém o apanha, quer esteja no meio da estrada, no passeio, com muita ou pouca gente. Ele teve uma lesão cerebral massiva e por isso o prognóstico de recuperação da fala e do comportamento são muito reservados. Foi para o lar da terrinha. Onde está hoje e onde vai ficar a viver.

 

A minha mãe culpa-se a ela mesma pela extensão do AVC. A minha avó chamou-a para o telefone quando o meu avô teve o AVC e ao chegar lá deu com ele sentado numa cadeira a cair para o lado e a minha avó a segurá-lo para ele não cair. Tentaram pegar-lhe e ela viu que o pé e braço direitos ficavam "para trás" como que pendurados ao corpo. Deitaram-no no chão e a minha mãe - que já me ouviu explicar milhentas vezes os sinais de um AVC - soube logo o que era e reagiu rápido. O único "erro" que ela fez foi que chamou os bombeiros da terrinha dizendo-lhes que o meu avô estava no chão sem sentidos, e não lhes disse que desconfiava de um AVC. Eles vieram logo. Mas ao verem que era um AVC disseram que só podiam levar o meu avô até ao hospital do concelho, teria que ser o INEM a levá-lo para o hospital distrital.

 

E foi aqui que houve uma perda de tempo considerável... mas ela não podia saber. A minha mãe, em pânico por ver o sei pai assim, ligou para o número da equipa que estava mais perto (o quartel dos bombeiros fica a 10 minutos da casa dos meus avós, por isso a decisão dela até foi extremamente lógica...). A culpa não foi dela. Esta informação não é suficientemente divulgada, ainda há muita gente a chamar primeiro os bombeiros nestas situações de doenças urgentes. Nas minhas explicações esqueci-me de lhe dizer o mais importante:

 

EM CASO DE AVC LIGAR PARA O 112 (INEM)

SEMPRE!

 

Ia meter aqui os sinais e sintomas mais comuns de um AVC e o que se deve fazer, mas o site do INEM tem esta informação disponível, por isso vou transcreve-la aqui, com algumas notas minhas a azul:

 

Se suspeitar que alguém está a ter um AVC, tenha em atenção os seguintes sinais e sintomas:

  • Falta de força num braço
  • Boca ao lado
  • Dificuldade em falar

 

Encontrando-se perante sinais e sintomas de um AVC, deve:

  • Pedir à vítima para sorrir (muito importante verificar também se existe falta de sensibilidade ou dormência de um dos lados da cara!). Se notar alguma assimetria, ou seja, se a vítima sorrir apenas de um lado, poderá ser um indicador que o outro lado da cara está paralisado;

  • Verificar se a vítima consegue levantar os braços. Se estiver a sofrer um AVC poderá apenas conseguir levantar um deles (por vezes a perna é afectada primeiro, dificuldade em ficar de pé em equilíbrio ou sentado direito também são alguns sinais indicadores de AVC!);

  • Tentar estabelecer contacto verbal com a vítima e verificar se comunica com clareza. Normalmente a dificuldade em falar é um dos sintomas mais característicos (muitas pessoas pensam que a dificuldade em falar só está presente se as palavras não forem claras, mas tal como disse em cima, um discurso incongruente também pode ser um sinal, por exemplo, alguém que vai dar como resposta "o frango está no frigorífico" quando lhe perguntamos sobre outra coisa qualquer).

 

Vou só acrescentar aqui algo que vejo vezes e vezes sem conta as famílias fazerem quando o AVC está a ocorrer, sobretudo em pessoas mais idosas e frágeis: pensar que são só sinais de cansaço e aconselhar a pessoa a ir para a cama descansar. Não deixem uma pessoa que está a ter um AVC ir dormir...


Para terminar o post deixo-vos aqui um vídeo que foi muito polémico há uns bons aninhos (infelizmente não tantos como isso, foi em 2013)... observem bem a evolução do senhor ao longo do vídeo, corpo, cara, fala, postura, etc...

 

 



E agora um pequeno desafio aos vossos conhecimentos recém-adquiridos! A pessoa do vídeo está ou não está a ter um AVC? Diriam a este senhor para se ir deitar ou ligariam para o 112, tipo, imediatamente? 

 

 

 

Espero que tenham aprendido algo hoje.

Com muitos beijinhos na bunda me despeço! 

 

 

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