Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

20
Mai19

Dizer adeus ao ego no minimalismo.

Desde o dia 2 de Maio que tenho passado muito tempo sozinha aqui neste apartamento vazio de móveis e outras tralhas. Enquanto escrevo este texto para vocês ouço o ecoar das teclas pela sala. E depois mais nada, silêncio. Mas nem sempre foi assim. 

 

Na primeira semana aqui sozinha ouvia muitas vozes. Vozes dentro da minha cabeça. Vozes que não costumam lá estar quando estou no trabalho, acompanhada de amigos, ou simplesmente na rua. Quando estamos concentrados em alguma coisa, ouvimos vozes na nossa cabeça, claro, mas normalmente estas estão relacionadas com o que estamos a fazer. Se experimentarem estar sozinhos em casa. Sem literalmente nada para fazer. Numa divisão vazia... a voz que vão ouvir é diferente. 

 

E admito que no início fiquei assustada com as coisas que essa voz me dizia: "quem és tu???", perguntava. Sem resposta. Porque esta voz só quer encher o vazio, correspondendo a anos e anos de programação mental.

 

No final da primeira semana, lembro-me que essa voz continuava lá, mas estava mais calma, dizia coisas mais simpáticas. E soube então, que essa voz era EU. Aquilo que realmente sou estava ali. Conseguia ouvir nitidamente quem sou, num apartamento vazio, com eco, sem nada para me ocupar a mente. Estava ali. E ao final de alguns dias de meditação, sem fazer de propósito para que tal acontecesse, uma vez que me vi "forçada" a estar em silêncio, essa voz foi ficando, cada vez mais calma.

 

Isto também acontece quando medito. Mas quando medito, tenho tendência a fazê-lo só num determinado espaço de tempo. Por exemplo, 5, 10, 15 ou 30 minutos por dia. Desta vez é diferente, porque dura o dia todo. Quase como se estivesse a fazer um retiro espiritual de 1 mês. E está a resultar.

 

Estas vozes que ouvimos são o "ego" e o nosso "verdadeiro EU". Como distinguir uma voz da outra?

 

EGO  - Aquela voz que pensamos que somos nós, mas afinal não. Esta voz só quer o melhor para si mesma. Quando pensamos estar a tomar um decisão boa para nós, isso muitas vezes é só o ego a comandar. No entanto, o ego foi e é útil. É ele que nos permite uma integração na sociedade quando somos crianças e adolescentes. Através dele percebemos de que nacionalidade somos, em que contexto social estamos integrados, que cor de pele temos, que sexo temos, que profissão queremos exercer, etc.

 

Mas, muitas vezes, essas crenças que o ego nos traz, não são verdadeiras. Acreditamos que temos que exercer determinada profissão para sermos felizes. Que temos que ter uma certa quantia na conta bancária para sermos pessoas realizadas. Que com a idade X temos que estar casados e com filhos. Eu caio em todas estas armadilhas do ego, e isso traz-me ataques de ansiedade regulares de há uns anos para cá. Porque acho que, na minha vida, devia estar ali, e não aqui. O ego diz-me vezes e vezes sem conta que sou uma falhada.

 

O que acontece quando perdemos uma parte do que nos identifica em relação ao ego? Quando mudamos de país? Quando estamos longe das pessoas que conhecemos? Imaginem que tinham que largar tudo, que tinham que fugir do vosso país, deixando documentos e todos os vossos pertences para trás, obrigando-vos a mudar de nome, de aparência física, de localidade, sem nunca mais ver a vossa família... Se isso vos acontecesse, o que é que sobrava?

 

Quando conseguimos silenciar o ego, ouvimos a nossa verdadeira voz, aquela voz que realmente somos. E nestas últimas semanas tenho-me conseguido ouvir a mim, sem o ego a interferir. E que bem que sabe conhecer-me melhor a mim própria. 

 

 

Olá, esta és tu.

 

Muito prazer.

 

Podias ter chegado mais cedo.

 

Estava à tua espera. 

 

 

Esta voz eu considero-a o meu GUIA ESPIRITUAL. A voz que me diz quem realmente sou. A voz que me diz que, mesmo que erre, não é assim tão grave. Mesmo que perca tudo, hei-de sobreviver. Porque afinal, estou a "errar" em relação a quê? Quem ditou qual é o percurso ideal? Quem decide qual o caminho correcto? Quem decide o que é meu?

 

 

Ninguém. Nem eu mesma posso decidir isso.

 

 

O presente é tudo que temos. E estes dias de silêncio fizeram-me ainda mais ter a certeza daquilo que realmente tenho. Libertei-me de muita coisa, tanto física como mentalmente. E essa libertação do ego deixou-me mais leve, pronta para seguir em frente, sem pesos mortos. Sei que ainda há muito caminho para percorrer nesta busca pelo essencial...

 

liberdade_do_ego_desarrumada_diario_blog.jpg

 

...sei que, de repente, tudo que possa correr "mal" no futuro, deixou de ter assim tanta importância a longo prazo. Um mau dia, não significa que tenha uma má vida. E quando me stresso com alguma coisa, quando começo a entrar em pânico com a nova fase que aí vem, olha para dentro de mim própria e pergunto: "quem és tu?"

 

E de repente tudo faz sentido.

 

Porque eu não sou o meu ego. Eu sou eu. E isso é tudo que tenho

 

 

 

 

5 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O melhor comentário ganha um biscoito!

Diário em fotos

Desarrumações antigas

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D