Diário de bordo 12.03.2018
É uma chatice ter problemas lá na terrinha (mais confusões entre o meu irmão e os meus pais) e não poder fazer nada. Já é assim há mais de 9 anos. Desde que fui para a Universidade que a coisa descambou lá em casa entre eles e eu ando sempre longe. Sinto uma impotência enorme em não poder ajudar mais, vejo a minha mãe super preocupada com ele e sem conseguir fazer nada. Ela diz que só nos últimos 10 anos ganhou todos os cabelos brancos que tem. Eu acredito nela. Já tenho 3 cabelos brancos e 2 deles quase que aposto que apareceram por causa do meu irmão. O terceiro por causa da situação no trabalho e a emigração no geral. Mas pronto, ando numa fase de gratidão, de perceber o quão privilegiada sou por poder queixar-me dos "problemas" que tenho. Podia ser pior, bem pior. Mas, curiosamente, uma pessoa quer estar sempre melhor. Isso chama-se ser humano. Acho.
Os meus ovários andam bem. O quisto de 3cm foi reabsorvido pelo corpo. Esta história ajudou-me a ver muita coisa por outra perspectiva. Respira fundo, expira de alívio e continua.
Na semana passada consegui tomar uma iniciativa no trabalho que conseguiu desbloquear a situação em que estava, a coisa avançou um bocadinho e vou poder exercer no que queria. Sei que estão a fazer isto porque estão com receio que me vá embora. Mas partiu de mim e esse mini-orgulho que sinto ninguém me pode tirar. Gostava de ser daquelas pessoas sempre pró-activas e animadas, sempre em "altas", mas não sou. E uma pessoa tem que fazer o que pode com o que tem. Isto não é uma competição com os outros, nem um sprint para ver quem chega mais rápido. Isto é uma maratona comigo própria, em que o meu eu do passado estará lá no final, na meta, à espera para me dizer "boa, conseguiste superar-te, vemo-nos na próxima etapa".
Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.
