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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

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03
Abr19

A ursa de peluche mágica.

Tenho uma ursa de peluche chamada Dodoca. Foi-me oferecida aos 10 anos pela minha mãe, com o pretexto de eu ter sempre a companhia da mamã para dormir.

 

Na altura já tinha muitas insónias e não conseguia adormecer à noite, ora porque tinha medo do amanhã - ansiedade, ansiedade, ansiedade - ora porque estava longe da minha mãe.

 

Na altura a minha mãe disse-me que a Dodoca era um peluche mágico, ela permitia-me sentir a presença dela, onde quer que estivesse, mesmo estando muito longe! Eu acreditei, afinal, aos 10 anos as mães não mentem nem têm dúvidas, sabem sempre o melhor para nós.

 

A Dodoca acompanhou-me desde os 10 anos até à minha entrada na universidade. Quando fui para Aveiro estudar não a levei. Durante a minha primeira visita de fim de semana a casa, a minha mãe fez questão de, sorrateiramente, meter a ursa dentro da minha mala. E lá foi ela de comboio comigo para Aveiro. Por lá ficou, durante os 4 anos em que estive a tirar o curso, e durante o primeiro ano e meio de trabalho.

 

Depois vim para França. E a Dodoca regressou à base, sentada entre as almofadas da minha cama de adolescência.

 

Quando vou a Portugal tento sempre trazê-la para França, completamente esborrachada dentro da mala de cabine do avião. Mas antes de vir embora, não sei como, a minha mãe volta a tirá-la sorrateiramente "Então agora vais levar a ursa daqui para França? Nem pensar!" diz-me ela falsamente indignada quando lhe pergunto onde escondeu a Dodoca. 

 

De há uns tempos para cá, e sobretudo desde que disse à minha mãe que ia morar para Paris, ela tem falado comigo ao telefone no meu quarto, ao lado da ursinha de peluche. E de vez em quando manda-me fotos dela. Acho que têm passado muito tempo juntas.

 

Parece-me que nos últimos anos a Dodoca mudou gradualmente de função. Antes a sua magia tinha o poder de acalmar uma menina quando esta estava longe da mãe, hoje em dia ela acalma uma mãe que está longe da filha. Por mim, desde que me apercebi desta nova habilidade da Dodoca, nunca mais tentei trazê-la comigo. E está tudo bem assim.

 

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