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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

23
Jan18

Colega de trabalho: a loira com óculos de mosca.

Tenho uma colega de trabalho nova há cerca de 3 meses. Ela é polaca, loura, usa um daqueles pares de óculos super grandes - modo mosca/on - e fala de uma forma super sensual, parece que está sempre a tentar engatar toda a gente. Ela só fala de sexo e daquele a quem ela chama, sempre com a mão sob o lado esquerdo do peito, tão carinhosamente de "my man" (vim a descobrir que é um italiano emigrado na Polónia, que anda sempre em viagens internacionais pelo mundo todo e que pelos vistos fode muita bem).

 

Ela tem 35 anos, solteiríssima e tem aquela atitude "I don't give a fuck" estampada no rosto o tempo todo, a postura dela é puro chill, anda lá pelos corredores, entre os quartos dos utentes, como se estivesse numa esplanada com uma caipirinha na mão, e olha para nós com um olhar de escárnio quando lhe falamos em assuntos do trabalho. Usa expressões do género "eu quando chego a casa nunca penso em trabalho", "eu só penso em mim e na minha saúde mental", "não vou aceitar conselhos de pessoas mais jovens do que eu, já levo mais de 10 anos disto", etc.

 

Quase que poderia ser a mulher perfeita relativamente à forma como anda, fala e leva uma vida pessoal tão descontraída. Contudo, no trabalho é a pessoa mais desleixada de sempre, negligencia toda e qualquer função que lhe seja dada, às vezes coisas até relativamente simples, que ela, do alto da sua experiência de mais de 10 anos, devia conseguir fazer com uma perna às costas. Tinha tudo para ser um dos meus ídolos vivos na vida pessoal, pena termos calhado no mesmo lugar de trabalho!

 

Escusado será dizer que ninguém a suporta e já toda a gente quer que ela vá embora... Assim não dá, pá, dái-me algum colega de equipa de jeito, um só que seja, por favor. *


*isto inspirou-me a falar mais sobre os os meus colegas de trabalho... tenho tanto para contar! Fiquem por aí e não percam os próximos episódios...

 

25
Mai17

Termos e condições.

Estão a ver quando instalamos um programa e aparece aquela cena para lermos os termos e condições, andar para baixo, meter o visto no quadradinho e dizer que aceitamos continuar com a instalação? Vocês sabem que quase ninguém lê isso, certo? Uma pessoa até pode estar a aceitar vender a tia-avó Ermelinda ao Donald Trump e ter que dar três cabritos e uma ovelha ao dono da Microsoft e nem sabe de nada.


 


Pois bem, quando aceitei emigrar também foi assim. Desci os termos e condições e aceitei sem saber lá muito bem daquilo que estava a abdicar (é o que lá ler as coisas na diagonal!). Só tinha em mente o que ganharia (e já tem sido muito!). Quase três anos depois, agora que já passou aquele encanto inicial, já vi claramente no que me vim meter. Acho que está na hora de reflectir em novos rumos.

25
Jan17

Regras de trânsito por aqui.

Uma coisa que me chocou mal cheguei a França são as regras de trânsito! Nomeadamente o respeito pela pessoa que está na passadeira!


Meus caros, em França, se a pessoa estiver na passadeira com aquele ar de quem tem todo o tempo do mundo para esperar (ou mesmo que tenha o gato a morrer asfixiado com uma bola de pêlo em casa!), quem vai no carro simplesmente não pára! Nada, nickles, nem abranda a velocidade nem nada!


Uma vez perguntei a uma colega francesa porque não param e a resposta dela foi: "Oh então quem está na passadeira tem tempo, nós que estamos no carro estamos com pressa!"... "Então... mas, mas... se vierem 7 ou 30 carros seguidos a pessoa vai ter que esperar, ninguém vai parar o carro para ela passar?", "Ah bah non!", que é como quem diz em Portugal "Ela que vá pentear macacos, quem tem prioridade é o carro."


Será que é assim, mesmo assim, em todas as zonas de França?? De qualquer forma já me habituei, e a típica técnica de ir pondo o pézinho na passadeira que funciona em Portugal para parar os carros, aqui bem que podemos ser atropelados 3 vezes e ainda vir uma carroça e passar por cima que ninguém pára, mesmo se houver alguém a começar a passadeira!

22
Nov16

Sobre o arrependimento: 2 anos.

Lembram-se daquela amiga que eu tenho, a qual eu acho que era a companheira ideal para um outro amigo meu e que até já vos contei a história deles aqui e aqui


Um dia, num passado que agora me parece uma outra vida, fomos jantar fora, como íamos todas as semanas, era o nosso pequeno ritual. E eu estava a desabafar com ela sobre a minha vida amorosa, sobre uma relação que tinha na altura, e que estava a hesitar continuar ou não, tinha vontade de emigrar, mas essa relação estava a impedir-me de decidir o que queria para a minha vida.


Ela, com a sua vasta experiência em relações, disse-me que de todos os homens com quem já tinha acabado, e alguns deles ela gostava imenso na altura, nunca se arrependeu de nenhuma decisão que tomou. Mesmo que um deles ela achasse ser o homem da vida dela. A frase dela foi "quando não dá não dá, só o amor não chega". E este conselho, mesmo que estupidamente simples, ecoa na minha mente desde esse dia.


Já lá vão dois anos desde que saí de Portugal, e apesar de saber que poderia estar a morar com ele numa casinha só nossa, que poderia estar mais estável a nível emocional, apesar de tudo que sinto sobre a minha ausência, continuarei a dizer que não me arrependo de ter tomado a decisão de partir.

28
Jul16

Férias em 3, 2... uma semana!

Sabes que estás quase de férias quando tens a depilação finalmente em dia. 


Sabes que estás quase de férias de Verão quando a mala grande (aquela que pode levar até 30kg sabem?), já fez a sua saída anual da dispensa.


Sabes que estás quase de férias quando o francês já não te sai da boca como deve ser, no trabalho olhas para as pessoas e já nem as vês, literalmente.


Sabes que estás quase de férias quando te apetece mandar todos pastar porque daqui a uma semana estás em ... PORTUGAL 

26
Jun16

Voltar. Balança da consciência.

Já vos disse noutras ocasiões que luto muito comigo própria com a vontade de voltar para Portugal um dia. Sei que uma parte de mim não quer fazer a sua vida toda em França, sei que a outra parte de mim sente que pode acrescentar valor na sua área profissional em Portugal, mas que a nível económico não está favorável para ninguém.


Sei que se calhar se não tivesse um namorado em Portugal talvez a vontade de voltar fosse menor, e também sei que existem coisas aqui em França na minha área profissional que não me agradam minimamente. Tudo isto me deixa confusa, entre a "espada e a parede emocional". Como se tivesse que decidir todo o curso da minha vida nos próximos anos. Por isso, dei a mim própria um prazo de cinco anos em França. Já estou quase a chegar ao segundo. Ainda faltam três. Decidi que vou juntar um pouco mais de dinheiro para o caso de querer voltar. Mas admito, querer voltar deixa-me com um "sentimento de culpa" que me assola todas as noites e todos os finais do mês quando vejo a conta, sei que não ganharia isto se ainda estivesse lá. Mas também sei que ganharia outras coisas que não tenho aqui. Sinto que tenho que meter amor e dinheiro numa balança e que sou jovem de mais para pensar nestas coisas, ou então velha de mais para voltar atrás nesta decisão... mas também sei que não preciso de decidir agora. Ainda faltam três anos, pelo menos é o que digo a mim própria para me descansar e conseguir dormir.


Gosto de desabafar aqui, talvez se encontre por aí outro emigrante com os mesmos pensamentos que eu, talvez isto não o ajude nada em termos práticos, porque sou só eu a lamentar-me, mas talvez ajude o facto de não se sentir sozinho se pensar como eu. Talvez alguém leia isto e pense "tão parva, em vez de aproveitar outro país e esquecer de vez Portugal, anda com estes pensamentos de culpa por não saber onde quer estar!"

Sim, é verdade. Se soubesse onde quero estar tudo seria mais fácil. Mas estar bem e saber onde quero estar é muito diferente para mim. Porque a verdade é que estou muito bem aqui, mas bem no fundo de mim eu sei que queria estar lá.

21
Ago15

O regresso das férias...

... E ao blog.

Meus caros, sei que não trato este cantinho com o devido carinho que devia. Sinceramente, começo a achar que toda esta negligência já faz parte do meu charme. Pois bem, como sabem estive de férias recentemente. E após passear por vários cantinhos de Portugal, tenho várias coisas a dizer-vos, ora aí vai:

- Portugal, continua lindo;
- A nossa língua, quanto mais conheço outras, mais lhe descubro o encanto;
- Comer fora em Portugal é suuuuper barato quando comparado com outros países, comi tanto, tanto, tanto...
- Os preservativos são suuuuper baratos... comi tanto, tanto, tanto...
- Fala-se em crise, mas as praias, os cafés, as esplanadas, os festivais, tudo que é festa e boa vida, tem gente em modo sardinha enlatada... e digo isto, não a queixar-me, mas com uma dor de cotovelo enorme de não ter tido dinheiro suficiente quando morava lá para fazer o mesmo (raios me partam, que podia ter aproveitado a adolescência muito melhor);
- As pessoas são simpáticas e acolhedoras em cafés e lojas de turismo, mas nas lojas de roupa e supermercados pareciam mais carrancudas, terei tido azar nos sítios onde entrei?
- Temos ilhas lindas! E algumas viagens ficam mesmo no coração;
- Há poucas crianças em Portugal, e a maior parte das que vi estavam a falar ou francês, ou inglês, com os pais (será que são todas filhos de emigrantes?). É bom saber que o nosso sangue anda espalhado pelo mundo todo, mas tipo, já largavam as novelas e faziam mais daquilo que é bom não?



Concluindo: não damos o devido valor ao que temos, nunca nada é suficientemente bom em Portugal. Mas é um país... nem tenho palavras para descrever o que senti quando apanhei aquele avião de volta para França... saudades, é uma palavra portuguesa por algum motivo.

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Bisou, da vossa dESarrumada.

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