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Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

Diário de uma dESarrumada

A espalhar o #cagandoeandando por essa internet fora desde 2015.

18
Fev19

É por isto que vale a pena ter um blog.

Já se passaram 4 anos de blog e não podia deixar esta data passar em branco! Como muitos sabem, actualmente este blog não me traz nenhum benefício financeiro palpável. Só um gozo tremendo. Um prazer imenso em escrever o que me vai na alma.

 

Como disse no final do meu primeiro podcast, frequentemente antes de carregar no botão azul do "publicar", questiono-me "será que isto vai interessar a alguém?" e durante vários anos isso bloqueou a minha escrita. Se queria falar num assunto mais tabu não o fazia com medo de certos comentários, com receio que isso impedisse o crescimento do blog. Andei assim meses e meses, num vai não volta de "agora vou parar com o blog", "agora vou voltar ao blog", "agora vou mudar o URL do blog porque acho que alguém conhecido me descobriu..." etc. À custa desta atitude de indecisão e de não dar valor ao que escrevo "perdi" 2 anos de conteúdo de blog por aqui. Um blog que começou em Junho de 2017 era no início, um blog que começou em Janeiro de 2015. Esse conteúdo está privado... mas ando com vontade de o ir buscar, de revelar ao mundo um conteúdo que escondi por vergonha, de assumir de uma vez por todas a minha "história" e o início do blog. Um blog que começou com o intuito de fazer rir falando de assuntos tabu de uma forma descontraída e um pouco javarda, e que aos poucos se foi tornando também num diário das minhas aventuras internas - isto inclui, claro, o lado interno mais espiritual e o interior da minha vagina.

 

Talvez ninguém queira saber, muita gente pode estar a ler isto e a pensar "who cares?", mas para mim, enquanto blogger e pessoa que mudou bastante desde o mês de Janeiro de 2015, esse conteúdo representa o luto que fiz de Portugal, as saudades imensas que senti da minha vida antiga, a adaptação à emigração, a perda de grandes amigos que passaram a ser caras que vejo de vez em quando nas redes sociais, as aventuras com o Plutónio-Man (uma relação muito parva que tive à distância com um rapaz que estava em Portugal na altura, e que tem um bilau de 25 cm), o início da minha relação com Ele e o início do seu fim, que coincidiu com a altura em que mudei  o URL do blog para não ser "descoberta". Ler tudo isto traz-me umas saudades imensas de quem fui, aquela menina adulta perdida na vida, mas a certeza de que gosto mais de quem sou agora, uma mulher que começa a vislumbrar claramente aquilo que não quer, porém sem certezas absolutas daquilo que quer (e está tudo bem!), com uma vontade de continuar no blog, enquanto isto fizer sentido para mim. 

 

No dia 12 de Fevereiro disse-vos que estava de volta, mas foi falso alarme. Ainda não estou de volta ao blog a 100% como gostaria. 3 semanas a viajar no estrangeiro deixaram-me com a sensação de que preciso de voltar para mim. Preciso de voltar a enraizar-me com quem verdadeiramente sou. Estou à espera que a minha alma volte a entrar no corpo. 

 

E durante este tempo todo recebi comentários amorosos. Várias pessoas a dizer-me que adoram o blog e que vêm cá todos os dias ver se há novidades - desculpem se tenho desiludido por não andar a postar nada por aqui (meter stories no Instagram tem sido o meu escape quando quero escrever algo ou simplesmente fazer uma rant ou mostrar a bagunça em que está a minha casa) - mas o que mais me tocou, foi a quantidade de pessoas que criaram um blog no último ano e que disseram que eu fui uma das suas fontes de inspiração e, talvez, o pontapé no rabo que precisavam para começar o blog deles.

 

A Bla bla bla foi uma dessas pessoas a começar um blog e a fazer uma menção amorosa à dESarrumada! E espero que este post sirva como mais um incentivo para não abandonar o blog! Se estão a ler isto sigam-na. Vamos apoiar quem começa. Outras pessoas deixaram comentários anónimos no blog e alguns enviaram mensagem para o email do blog. Ainda não respondi a todos, porque pronto, aquela história da alma ainda não ter voltado... mas vou tratar disso em breve. Muito obrigada pelo amor que têm deixado por aqui desarrumados da minha vida! E como muitos de vocês apreciam:

 

Beijo na bunda! 

 

 

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Eu a um sábado de manhã como outro qualquer. O António Vibrações estava a carregar.
Acho que é por estas e por outras que nunca fui convidada para a rubrica Como eu blogo do Sapo, apesar de já andar por aqui há 4 anos e o blog ter mais de 500 subscritores. Mas pronto, apesar dos seus defeitos, o Sapito continua a ser a minha casa preferida.
#Ressabiada #SorryNotSorry #Blessed #AmoTeSapo

 

 

 

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16
Fev19

Ao segundo dia ressuscitou.

Há bastantes anos um rapaz que gostava muito e a quem dei tudo (literalmente porque foi o meu primeiro) acabou comigo dois dias depois do dia dos namorados. Porque eu gostava demasiado dele.

 

Depois disso perseguiu-me e fez-me a vida negra porque queria continuar a ter sexo comigo, mas sem ser meu namorado. Algo que sempre recusei. Ou namoras comigo ou não há cá pão para pançudos. Dizia eu na época. Jovem adulta de 20 anos e muito apaixonada, mas ainda mais magoada.

 

Ele era chamadas anónimas em que desligava logo, ele era chamadas em que quando eu atendia se ouvia do outro lado um filme porno com uma gaja a gemer bastante, com a sms a seguir que dizia "quero fazer-te isto". Eu tive direito a tudo um pouco relacionado com sexo vindo desse rapaz que acabou comigo porque "era melhor assim" e que eu lhe tinha feito coisas que "não se fazem ao pior inimigo".... mas nunca me chegou a dizer que coisas eram. 

 

Resumindo e concluindo, ele deve ter-se apercebido que eu era boa demais para ele e que ter uma relação tão séria logo no início da universidade ia estragar-lhe a experiência académica. Compreendo. Quando ele acabou comigo fiquei um ano a deprimir e isso também influenciou muito a minha vida de estudante. Só acordei para a vida no que diz respeito a gajos no último ano, mas aí já tinha estágios e trabalho final para entregar e não aproveitei tanto como poderia ter aproveitado. Nessa altura era jovem e fresca, gozei muito, mas sei que podia tê-lo feito muito mais se não tivesse sido esta história de coração partido por causa de um parvo. 

 

Talvez ele esteja arrependido de ter acabado comigo. Talvez tenha visto o quão perfeitos podíamos ter sido juntos (eu vi-o, vi este futuro que podia ter sido bom, juro que até cheguei a sonhar com os filhos de olhos verdes como os dele que íamos ter). 

 

Incrível, incrível, é que quando acabámos a universidade ele tentou aproximar-se para voltarmos a "tentar"... Eu disse não. Desculpa, mas com tudo que me disseste sobre sexo e quereres aproveitar a vida e só me quereres ver para foder, nem penses que eu vou acreditar que me queres de volta de uma forma séria... No dia da benção de finalistas, azar dos azares, porque nem éramos do mesmo curso nem departamento, as filas dos nossos cursos ficaram lado a lado. Ou seja, tive que levar com ele sempre a olhar para mim no meu último dia de trajada na universidade... foda-se. No fim do dia recebo uma mensagem : "estavas muito linda".

 

Epah, temos pena. Perdeste a tua oportunidade moço. Isto não acabou ali. Enquanto trabalhei em Portugal tive que levar com mensagens constantes dele. Quando vim para França nos primeiros dois anos foi igual. Só quando o mandei à merda com todas as letras e lhe disse coisas mesmo muito más é que começou a espaçar as mensagens, porém sem nunca desistir... excepto nos últimos quase 2 anos.

 

Ele acabou comigo dois dias depois do dia dos namorados. E hoje à meia noite recebi uma mensagem dele a dizer « 7 anos ». Para mim foram 7 anos em que me descobri como mulher e em que não me arrependi nem um segundo de nunca ter tentado voltar para ele, nem que fosse pelo "caminho do sexo" como muitas mulheres fazem... que dormem com alguém na esperança de que ele as comece a amar um dia... eventualmente.

 

Espero que ele consiga algum dia ultrapassar isto. Eu já ultrapassei. E espero um dia ter filhos com alguém que me ame sem dúvidas ou reticências ou pausas. Filhos esses que nunca terão os olhos dele.

18
Nov18

Olá.

O colhão com pernas foi embora esta quarta-feira. Fiquei com lágrimas nos olhos o dia todo, e ele veio dizer-me adeus, deu-me dois beijinhos e tudo... houve pessoas a quem ele nem disse um simples adeus... por isso até fiquei contente por ter tido a honra de receber uma despedida oficial. Talvez o meu trabalho até tenha contado alguma coisa para ele. Já se sabe, sonhar não custa...

 

Foi tão estranho olhar para a secretária dele e ela estar vazia, sem as pilhas de papéis e tralha que costumavam estar em cima dela. Talvez seja uma espécie de síndrome de Estocolmo ou algo do género, mas até vou ter saudades dele, de o ver a pavonear-se todo lá pelo local de trabalho, com aquela farda cor-de-rosa que nós usamos. Foi o mais próximo que eu estive de ter um flamingo insuflável na minha vida. Inchado de orgulho para esconder a baixa auto-estima. Num cargo de poder que foi obrigado a aceitar. Sem ser talhado para o exercer.

 

Que pena quando pessoas, que até são boas pessoas, mas emocionalmente desequilibradas, acabam por ter cargos com poder a chefiar equipas. Não sabem gerir-se emocionalmente, não sabem lidar com os problemas da equipa nem gerir outras pessoas, deixam que um pequeno conflito se torne num drama de um mês, ou vários. Porque alimentam intrigas, porque entram no diz-que-disse. Pudessem todos os chefes ser íntegros e imparciais e o mundo do trabalho seria um lugar tão mais feliz. 

 

A verdade é que com flamingo ou sem flamingo tenho que continuar a ir trabalhar. E já "só" faltam 7 meses para acabar o contrato que assinei com eles. Tic-tac-tic-tac. O tempo está a passar e eu estou quase a pirar-me. Entretanto solteira e boa rapariga tenho andado concentrada em mim. Só em mim mais ninguém. Bem, talvez não esteja inteiramente sozinha, o António Vibrações tem sido um companheiro de todas as horas. Firme e hirto como só ele sabe ser, a animar-me quando mais preciso, tem sempre uma palavra amiga para me deixar feliz. Que sensação libertadora esta de saber que posso viver sem um homem...

 

Oh céus. Tantos projectos, tantas coisas que ainda quero fazer nesta vida. Talvez um mestrado, talvez uma formação de 5 anos, talvez um retiro espiritual no Nepal, talvez uma roadtrip na Europa. O cérebro fervilha de ideias de viagens, coisas para fazer, livros para ler. A ansiedade não tem morado aqui e que bem que sabe estar afastada desta moça, por uns tempos. Mas ela volta, e que volte, cá estarei de braços abertos para a receber e até lhe pago um café. É isto a verdadeira liberdade, estarmos conscientes de nós mesmos. Saber como vamos reagir a determinada situação e o que vai fazer disparar a ansiedade, e saber acalmá-la, sem a extinguir completamente, como se fosse uma amiga de longa data que de vez em quando passa só para dizer "olá".

14
Set18

Como tirar o melhor partido de um in-between?

Depois do trabalho fui às compras. Voltei a fazer HIIT em casa, ando a seguir uns vídeos na internet, e senti uma vontade imensa de comer legumes, abastecer o meu corpo de nutrientes. Fui directa à secção de legumes. Focadíssima. Ainda olhei de soslaio para o corredor dos chocolates, mas não senti vontade. Desta vez não me apanharam, mais tarde.

 

Fazer desporto deixa-me mais concentrada, e ligeiramente mais feliz. O facto de ser sexta-feira também ajuda. Estou naquela fase em que anseio pela sexta-feira à noite, e isso não é bom sinal. As semanas passam a correr e parecem todas iguais. Dias e dias que se seguem. Estou entre duas linhas da to-do list da minha vida. Literalmente à espera do próximo passo. E já tomei uma decisão, só espero o grito de partida que há-de vir.

 

 

Encontro-me neste exacto num momento chamado in-between. Uma fase intermediária entre duas fases da vida diferentes, onde uma pessoa acha, erradamente, que nada de importante acontece.

 

 

Esta fase é descrita como um período da vida entre dois objectivos. Quando já atingimos um e estamos à espera do próximo. Vamos lá analisar isto aplicado à minha vida. Há 1 ano e 2 meses completei uma formação em Paris que me deu muito gozo fazer, algo que nunca pensei ser capaz. A primeira vez que soube da existência dela estava em pesquisas na internet sobre o trabalho existente na minha área em França, pesquisei a área em que queria trabalhar mais a palavra formação e caí no site daquela formação. Lembro-me de pensar algo do género "wow, tirar esta formação deve ser algo de espectacular". Mas na altura estava em Portugal, a recibos verdes, prontinha para outra fase, a emigração, que só veio alguns meses mais tarde e nem era certo se o faria ou não. Estava também, nessa altura, num in-between.

 

Não seria capaz de imaginar, nem nos meus melhores sonhos, que aquela formação, cujo programa só percebi uma palavra em cada três, ia constar no meu currículo, três anos mais tarde. Uma pessoa esquece tudo que já fez, tenho muita tendência para olhar só para o que "ainda não tenho" e a esquecer tudo que já fiz. Um país novo, uma cultura nova, uma língua nova, ganhar competências novas, tudo isto foram coisas que consegui e que o meu cérebro teima em esquecer.

 

 

Quando atinges um objectivo que te parecia inimaginável ele passa a fazer parte do teu dia a dia.

 

 

E como é fácil esquecer o esforço e trabalho que algo exigiu depois de já estar feito. Como é fácil dizer para mim própria: és uma fraca, nunca conseguirás fazer isto e aquilo, a tua vida está estagnada. Quando estou simplesmente numa fase de "entre-dois". Quando sei que isto tudo é um caminho que escolhi percorrer e que já sabia que não ia ser fácil. Emigrar sozinha não é fácil. Apesar de muitas vezes não acreditar nisso e dizer que qualquer um conseguiria... não! Nem todos conseguem! Muita gente insiste em dizer-me coisas do género "deve ser tão difícil estar sozinha noutro país, eu não conseguiria". 99,9% das vezes que ouço isto interpreto-o como uma demonstração de pena, penso que as pessoas têm pena de mim ao dizer isto, que a minha vida é tão porcaria que as pessoas me dizem: ah! coitadinha! Deixar de ligar ao que os outros dizem tem sido o trabalho de uma vida. Um dia chego lá.

 

E se mudasse esta forma de pensar e ouvisse as coisas como as pessoas o querem transmitir? Afinal, estão com pena ou a dizer-me que sou corajosa? E se estiverem com pena? Porque é que acredito neles? A minha vida não dá pena. Sim, estou sozinha noutro país, sim, muito provavelmente se amanhã cair numa cama de hospital só vou ter umas três visitas. Mas não há muita gente que está na mesma cidade que todas as pessoas que conhece e que também se sente sozinho? Porque é que insisto em ter pena de mim própria? A pena não leva a lugar nenhum. Nem a raiva. Nem o medo. 

 

E é nisto que tenho que pegar para me dar força, para prometer a mim própria que vou conseguir vencer os meus medos internos, neste fase de in-between, uma fase que costuma ser sempre das mais assustadoras da minha vida, e ao mesmo tempo das mais entusiasmantes. Uma fase em que uma pessoa pode simplesmente deixar-se levar e tirar algum tempo para cheirar as flores. Afinal, nesta fase não há nada para correr atrás, é só viver um dia de cada vez.

 

 

 

Sei que tenho falado bastante de ansiedade e medos aqui no blog, mas isto faz parte de mim desde que sou gente. Tive insónias no primeiro dia da escolinha com 6 anos, quando fui para o 5º ano, secundário, universidade e primeiro trabalho. Até a escolha do meu curso me provocou ataques de pânico, vómitos à noite, queda de cabelo, durante 2/3 meses, desde as candidaturas até ao dia em que saiu o resultado da 1ª fase. Com cerca de 3 anos eu entrei em pânico à noite porque tinha que aprender as formas triângulo, círculo, quadrado e rectângulo para o dia seguinte, porque a professora ia fazer perguntas sobre isso. Nessa noite não dormi. Por causa de um estúpido triângulo. Com 3 anos. Primeiro ataque de ansiedade. Não dormi. Por isso, sou assim desde que me conheço e vou falar disso no meu blog até me cansar. Escreverei sobre este assunto até me doerem os dedos. Até o fogo que me arde por dentro se extinguir.

 

06
Set18

Fechando as minhas gavetas, uma a uma.

Tomei uma decisão em Fevereiro e sei que não vou voltar atrás, por muito que o coração aperte, por muito que o corpo peça aquela pele, aquele toque de novo, nem que seja só por mais um dia. Só mais uma hora. Só mais um segundo.

 

1 ano e 12 dias, juntos.
Nada mais.
Apenas contactos esporádicos antes disso e nenhum contacto depois do fim.
Tudo começou e acabou rápido, como uma tempestade de verão.
Sol-chuva-sol.
E a vida continuou.
Mas seguiu sem mim.

 

Sinto saudades daquele cheiro, sinto saudades daquele fim-de-semana em Paris, e do outro em Lisboa, e de tantos outros que fomos vivendo por aí. Praça do Comércio, onde demos o primeiro beijo. Será que ele ainda se lembra? Sinto saudades dele, inteiro, com todas as sua qualidades e defeitos. Sei que acabei com ele de uma forma que nunca pensei fazer... fui fria, porque sofria e queria acabar com aquilo o mais depressa possível, como quando arrancamos um penso com um esticão rápido. "Pronto, já está, não se fala mais nisso".



Convenci-me de que relações à distância não são para mim, mesmo que esta tivesse sido com o meu amigo de infância, o rapaz que sempre acreditei estar destinado para mim.
A quem dei o meu primeiro beijo com 6 anos.

 

Contudo, no meio de tanta frieza, tive o discernimento de escrever naquele email que o futuro nos pertencia. Que algures, num espaço-tempo que ainda está para vir, se fossemos a pessoa-sol um do outro, iríamos acabar por nos encontrar de novo. Deixei ao destino o encargo de me fazer feliz. Porque eu própria não fui capaz de o fazer. Acobardei-me. E sei que bastava pegar numa carrinha de mudanças ou largar tudo e fazer 2 horas de avião e estaria lá, com ele, a menos de uma hora de distância de ambas as nossas famílias, numa cidade que sempre gostei. No país onde ele escolheu ficar e de onde eu decidi partir. Tudo era tão fácil e ao mesmo tempo achei que era cedo para abdicar de tudo que sonhei no estrangeiro.

 

Existem pessoas que criam raízes, e outras que ganham asas.
Sem dúvida ele faz parte das primeiras.
E eu sou, indubitavelmente, alguém com asas.
 

 

Apesar de na altura achar, que a minha vida de sonho passaria por subir ao altar com aquele homem, tomei uma decisão. Mas fogo... só eu sei como tenho saudades da voz dele, saudades da forma como olhava para mim com aqueles olhos castanhos que me despiam inteiramente. Tivemos tão pouco tempo para nós, e mesmo assim tudo ficou marcado a ferro e fogo no meu coração. Para nunca mais sair. Marcas de uma vida que parece que foi noutra vida. Será que ele ainda pensa em mim? Arrependimentos que não consigo apagar e questões que teimam em martelar na minha cabeça, vezes e vezes sem conta... e se... e se tivesse arriscado tudo nele e por ele? Se tivesse ido preencher o meu coração e esperar que o destino fizesse o resto relativamente ao lado profissional da minha vida?

 

O meu pesadelo mais obscuro é comigo, num lar de idosos, a pensar nele.
E este pensamento teima em aparecer na minha mente antes de dormir.
Quase todas as noites.

 

Vida de merda cheia de decisões difíceis. E ainda assim foi tão fácil decidir amá-lo. Mesmo sabendo com certeza absoluta, desde o início, ainda antes de qualquer beijo ou carícia, ainda antes de qualquer amo-te, que tínhamos um prazo de validade. 


Água fresca.

Eram os teus beijos.

Água quente.

 

 

27
Ago18

Diário de bordo 27.08.2018

Escrevo isto no domingo à noite (muito tarde) mas vai sair no blog na segunda-feira de manhã, porque isto já não são horas decentes para postar algo - insónia, whatelse??? Este foi o primeiro domingo do verão em que esteve mais fresquinho. Dormi com um pijama de mangas e calças compridas, e acordei gelada às 6h da manhã. Levantei-me para colocar uma mantinha em cima de mim, enrolei-me toda em modo casulo e sabe-se lá como voltei a adormecer até ao meio dia.

 

Ontem, sábado, comecei um grande destralhe aqui por casa. Adivinhava-se um fim-de-semana sem actividades previstas, e para além de ir às compras de comida no sábado e dar uma corrida no domingo, não fiz mais nada para além de arrumar e destralhar. Estou a fazer com calma, ao meu ritmo. Pois só assim funciona comigo. Nunca fui uma pessoa de pressas no que à casa diz respeito, e aceito-me assim. Parei para ir lendo uns livros ou ver uns episódios de séries, já agora, This is us é SÓ uma das melhores series de sempre. Destralhei imenso. Mas ainda falta muita coisa.

 

Cancelei uns planos que tinha para o próximo sábado. Quero continuar nesta missão de arrumar tudo que acumulei ao longo de mais de 3 anos e meio em França. E pensar que cheguei cá só com a roupa do corpo e mais 30kg de mala. Agora tenho um apartamento T2 cheio de tralha, da qual me quero livrar.

 

No meio das arrumações encontrei uma caixinha de incensos que tinha trazido de Portugal. Comprei-a algures durante o meu último ano de estudos, na loja Natura, numa altura em que estava prestes a entrar em estágios e cheia de dúvidas sobre se tinha feito a escolha correcta ao vir para esta profissão, e decidi começar a fazer meditação. Com incenso e velinhas, porque era mais zen.

 

Sempre recorri a este incenso, não de forma regular, mas quando andava mais ansiosa. Especialmente no meu primeiro ano de trabalho, e único ano de trabalho em Portugal. Desde que o trouxe para França raramente o usei, primeiro porque no início não vivia sozinha, e segundo porque quando mudei de casa ele "perdeu-se" no meio da confusão aka buraco negro que é aquela divisão para tralha - ao que algumas pessoas gostam de chamar despensa. Acendi-o ontem. Ainda sobram alguns bastões (não sei qual é o nome oficial dos "pauzinhos" de incenso?).

 

Olhem, o meu apartamento está a cheirar a Portugal, ou pelo menos aquilo que ele era para mim quando me vim embora. A casa cheira aos meus últimos estágios. Cheira a esperança, a sonhos, cheira a tudo que fui e já não sou. Já lá vão 6 anos desde que o comprei, já lá vão 6 anos desde que o respirei pela primeira vez, já lá vão 6 anos desde que andei perdida e não sabia o que o futuro me trazia. Não é que agora não ande perdida - sinto-me mais perdida do que nunca - mas ao menos já sei o que não quero.

 

Ainda me lembro do meu primeiro trabalho. De estar a morar num estúdio de um sótão com uma área de 3x3m. Tinha uma única janela de Velux no tecto, que não abria. Lembro-me de ter começado a minha vida profissional muito por baixo, de ter arriscado tudo, de ter apanhado um comboio para trabalhar a 2h de casa, porque na minha zona não havia nada para mim e queria começar a trabalhar o mais depressa possível. Ganhava sensivelmente 3€ à hora, às vezes mais, outras vezes menos. Sentia uma pressão enorme no trabalho, colegas infernais, e uma depressão a começar. Deitava-me a chorar e acordava a chorar, deixei de ver um futuro, fiquei paralisada, sem conseguir agir.

 

Depois de algum tempo lembro de me dizer que a vida não podia ser só aquilo... vezes e vezes sem conta. E o raio do incenso deixava aquele mini-estúdio empestado, tinha que abrir a porta que dava para as escadas do prédio para o estúdio arejar. Vim embora, foi a solução que encontrei para sair daquela dormência em que estava. A trabalhar 12h/dia era difícil encontrar tempo para enviar CV's e ir a entrevistas. E despedir-me para encontrar trabalho com poupanças quase nulas e sem saber quanto tempo isso poderia demorar, na altura, estava fora de questão.

 

Portanto, este cheiro fez-me lembrar do meu início, e este post foi o resultado das reflexões que tive durante o dia todo. Fez-me pensar em tudo que imaginei para a minha vida e não aconteceu. O facto de pensar que iria ter uma oportunidade assim que saísse da universidade... depois apercebi-me que estava a ser ingénua, muito ingénua mesmo. Nada cai do céu, muito menos para alguém que não tem cunhas e não foi especialmente brilhante durante as aulas. Atenção, tinha boas notas, mas era marrona, não consegui cair nas boas graças de nenhum professor que me oferecesse um trabalho na sua clínica, ou me convidasse para dar aulas na escola, como aconteceu a alguns colegas. Isso a mim nunca me aconteceu.

 

Talvez não tenha acreditado com força suficiente, talvez não tenha confiado em mim própria o suficiente. Vim embora. Mas podia ter ficado e ter continuado a tentar. Foi uma escolha minha. Não o considero desistir, considero que trouxe a minha luta para outro país onde o salário que ganho me permite pagar as contas todas e ainda fazer algumas "extravagâncias". Sei que se tivesse ficado não teria vivido tudo que já vivi, teria de certeza vivido outras coisas espectaculares, mas diferentes. Não me arrependo nem por um segundo das decisões que tomei. Mas é impossível não pensar no que poderia ter sido. E não sentir esta vontade de voltar, mais para provar a mim própria que consigo, do que por outra coisa qualquer.

 

Os amigos que tinha em Portugal foram-se afastando pouco a pouco. Só falo com 3 pessoas lá, para além da minha família, e uma delas estou a pensar cortar relações porque só me fala quando lhe é conveniente (estão a ver aquele tipo de pessoas que só fala deles mesmos e que nunca pergunta como estamos? Ela é assim). Resumindo, se voltasse para Portugal teria que começar do zero, como se fosse outro país qualquer, excepto o facto de já falar a língua e conhecer a cultura.

 

É curioso, mas quando faço arrumações, é como se vasculhasse nas gavetas internas da minha mente e abrisse tudo outra vez, para as arrumar melhor. Sinto que tenho muitos assuntos internos que nunca ficaram verdadeiramente resolvidos. Só fechei a gaveta cheia de tralha e nunca mais pensei nela. Mas, está na altura de arrumar as minhas gavetinhas, uma a uma. Demore o tempo que demorar. Sei que quando tudo estiver arrumado, por dentro e por fora, serei mais eu. E poderei, finalmente, começar a viver a minha verdadeira vida. E mandar o seu rascunho para a reciclagem.

 

 

P.s: Este é o tipo de posts que não formato porque saiu tudo de uma só vez, sem reflexão. Se as ideias estiverem confusas ou sem nexo, não se preocupem que eu também não. Só queria mesmo tirar isto do peito.

 

P.s.2: Não justifiquei o texto porque no meu post sobre as dicas de como escrever num blog a Joana Rita disse que por cada texto longo que for justificado morre um unicórnio. E Deus me acuda se morrer algum unicórnio mai'fofo por minha culpa.

 

25
Ago18

Quantas coisas és capaz de acumular? O grande destralhe.

Meus unicórnios mai'fofos, tenho algo a contar-vos: sou desarrumada. Pronto, já disse.

 

Muito desorganizada, acumuladora, procrastinadora, uma deixa-andar do pior.

 

Com esta atitude acabo por ser pouco ambientalista, ou gerir mal as minhas finanças. Compro coisas que já tinha e não me lembrava, compro comida que acabo por não comer, não planeio as minhas compras e acabo por consumir de menor qualidade e mais caro. Não sei esperar, quero tudo e agora. 

 

Livros. A minha impaciência é flagrante com os livros. Compro, começo a ler, e mando para canto porque comecei a ler outra coisa. Tenho muitos livros começados e não acabados. Decidi instaurar a regra de comprar 1 depois de ler 3. No início do verão cometi a "loucura" de comprar 5 livros, alguns dos quais era suposto ler durante as férias. Li 2. E um deles comprei em Portugal, ou seja, nem sequer fazia parte da lista original que era suposto ler. Voltei para França com mais livros do que aqueles com que tinha ido embora. Pronto, instaurei a regra. Ainda não cumpri, não acabei 3 livros. Por enquanto.

 

Comida. A alface é algo que insisto em comprar. É desta que acabo uma alface inteira. Nunca é. Nem as famílias conseguem, porque é que eu hei-de conseguir comer uma sozinha? Pronto, neste aspecto que se lixe o lado económico, comecei a comprar salada de pacote. A tal da rúcula e agrião. Acabo os pacotes todos, mesmo quando o fundinho já está a ficar mole e com ar nojentinho, cheio de humidade e a agarrar ao pacote, eu acabo aquilo. Compromisso acima de tudo. Decidi comprar menos comida para conseguir ver tudo que tenho nas prateleiras e não deixar estragar nada. O facto de estar quase falida ajudou neste ponto. Espero ansiosamente o próximo salário para respirar um bocadinho.

 

Arrumações. Acumulo papéis e papéis. Olha aqui um panfleto com actividades, deixa-me cá guardar para me lembrar que tenho que visitar este jardim, ou castelo, ou feirinha. Nunca vou. Esqueço-me. Porque os papéis ficam perdidos na minha divisão para a tralha, dentro de sacos. Nos quais eu fico meses e meses sem tocar, até me cansar e querer deitar tudo fora porque estão desactualizados. Depois acabo por não o fazer porque "nunca se sabe". Hoje ataquei essa divisão. Andava a adiar há séculos. Acho que o facto de talvez já não andar por esta região no próximo verão está a ajudar-me a ser mais agressiva no destralhe. Das duas uma, ou mudo de região e tenho as mudanças facilitadas porque tenho menos coisas, ou fico na mesma região e vivo de forma mais leve, numa casa mais arrumadinha. Ambas as situações são situações de ganhar-ganhar. Já tenho 3 sacos à porta de casa prontos para ir para o "papelão". E ainda nem sequer arrumei metade da dita cuja divisão.

 

E vocês, também têm problemas de arrumação? Já alguma vez fizeram um "grande destralhe"?

 

 

24
Ago18

E quando visitamos aquela que pode vir a ser a nossa futura "casa"?

Daqui a exactamente duas semanas vou estar a chegar de comboio à cidade que pode vir a constar na parte final do meu futuro código postal. Vi uma oferta de trabalho que me agradou imenso numa cidade que não conheço e outra em Paris. Paris é extremamente caro para viver sozinha, por isso, apesar de estar sempre a pensar ir para lá, acho que acabaria por se tornar insustentável financeiramente.

Tenciono começar a enviar currículos em breve, mas antes quero ver se sinto "faísca" pela cidade da oferta em questão, se não gostar boto para canto e continuo à procura noutros sítios. Por isso, num ataque de loucura, comprei os bilhetes de comboio para essa cidade, apesar de estar completamente falida por causa de ontem. Tantas mudanças em vista. Tantas escolhas para fazer. Espero que se concretizem, espero que esta nova vida que tenho vindo a idealizar para mim se realize, ou pelo menos uma boa parte dela. 2019 vai ser O ano.

 

Beijo na bunda! 

10
Ago18

Lei da atracção

A Simple Girl tem razão... aquilo em que pensamos, acabamos por atrair! E vocês, também usam a lei da atracção na vossa vida?

 

Para mim amanhã o dia vai ser assim:

 

"Amanhã vai ser um dia calmo, sem atrasos nas sessões e sem correrias. Vai ser uma boa entrada para um fim-de-semana que se adivinha mais calmo do que o anterior, e em que possivelmente, vou ter o meu tão ansiado sofá!"

 

 

08
Ago18

Estar solteira e as suas vantagens tão priceless.

É verdade que desde Fevereiro estou "oficialmente" solteira. Mas, desde essa data, andei sempre com a impressão de que tinha que arranjar um moço à força toda. Depois de duas desilusões seguidas, primeiro o moço S. que era racista e só pensava em dinheiro e depois o moço C. que tinha tudo para ser perfeito, mas que ainda não superou completamente a relação anterior, que durou 5 anos, e que, decidiu "acabar" tudo ao tentar fazer-me um ghost - só não o fez porque eu peguei nos meus tomates e liguei-lhe a perguntar "Que merda é esta, deixas de me falar de um dia para o outro? Deves estar a confundir-me com outra rapariga qualquer". Eis então que estou solteira da silva, sem intenções de voltar a procurar um moço X, Y ou Z. Acho que vou literalmente ficar à espera que ele me caia do céu. Se não cair nada, que se lixe, hei-de sobreviver. 

 

Estão a ver quando uma pessoa vai a um casamento, come que se farta, enfarda até não caber mais comida e fica ali a vegetar e a jurar que "nunca mais come nada na vida" até à terça-feira da semana seguinte? Pois. Eu estou assim. Enjoadinha de todo no que diz respeito a rapazes. Com vontade de aproveitar masé a minha solteirice. Entre viagens e outras coisas planeadas, ando a planear a "great escape" - como eu gosto de carinhosamente chamar o momento em que vou bazar deste trabalho e vilazinha cidade! Faltam 10 meses para acabar o contrato de 2 anos que assinei com o Centro onde trabalho... a contagem decrescente começou, e eu mal posso esperar pelo dia D... tic... tac... tic... tac...

 

counting the days.jpg

 

Outra coisa, decidi adiar a minha candidatura para o voluntariado internacional (apesar de ter ido à reunião de informação e já ter CV + carta de motivação, em francês e em inglês, feitinhos e prontos a enviar), porque decidi ir visitar a J. à Austrália, e isso para além de ser uma viagem que envolve bastante planeamento, vai também trazer-me alguns gastos financeiros consideráveis. O voluntariado, posso sempre fazer mais tarde... enquanto que a oportunidade de fazer esta viagem com a J. - que está na Austrália a trabalhar como au pair por 6 meses e a viajar os 6 meses restantes - não sei se volto a ter. E como dizia a outra YOLO!

 

Quanto ao futuro, a longo prazo, tenho algumas ideias do que vou fazer depois da viagem à Austrália. Mas, como a vida está sempre a mudar, não vou estar praqui com planos fixos. Até porque tenho várias ideias em mente (e já sou conhecida por estar sempre a mudar de ideias, não é mesmo?). Entre outras, estão as seguintes ideias:

- arranjar um trabalho fixo numa cidade que goste muito e instalar-me por lá com um apartamento porreiro, morar perto de um ginásio e inscrever-me em aulas de Yoga ou cozinha, ou algo do género;

- fazer substituições de curta duração através de agências de trabalho temporário um pouco pela França toda, para conhecer várias formas de trabalhar e visitar umas cidades simpáticas;


- ir trabalhar meio ano ou um ano inteiro para os DOM-TOM - as ilhas francesas, como por exemplo: Martinica e Guadalupe (nas Caraíbas), Polinésia Francesa (no Pacífico), Reunião (no Índico)... - O céu é o limite, portanto.

 

Posso oficialmente dizer que - apesar de não ser nada fácil lidar com esta carência e insegurança toda e às vezes ainda dar por mim a chorar que nem um bebé - estou, aos pouquinhos, a apaixonar-me pela minha solteirice, por todos os caminhos que esta está a abrir para mim e pela coragem de "desbravar" mundo que tenho sentido! E isso é algo que não tem preço!

 

 

Beijo na bunda

para os meus desarrumados! 

 

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