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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

10
Mai18

Feriado.

Esta semana tivemos dois feriados aqui em França. Um na terça e outro hoje. 

 

Hoje de manhã fui trabalhar. Nada de mais, fico sempre com aquela sensação de não ter feito nada de extraordinário nas poucas horas que estive pelo Centro, mas um dia vi esta frase na internet e ficou-me na cabeça, guardo-a para quando acho que o meu trabalho não serve para muita coisa "se as minhas acções ajudarem, nem que seja uma pessoa, a respirar melhor, então tudo valeu a pena". Hoje ajudei 3 pessoas a respirar melhor, literalmente, por isso devo estar no bom caminho para a realização profissional, e acima de tudo, pessoal. Espero.

 

Ontem foi uma noite boa. Fomos ao kebab entre amigos e colegas de trabalho - já aprendi a diferenciar uma coisa da outra, estou mesmo a ficar crescida, dizem - e senti-me muito bem. Não culpabilizei por causa daquelas batatas fritas cheias de óleo e aproveitei bem o momento. Tenho-me sentido bem no momento presente, não sempre, mas mais frequentemente do que há uns dias atrás.

 

No entanto, ontem estava lá a minha antiga colega de trabalho - aquela das mamas grandes que me fazia a vida num inferno e que eu tão carinhosamente chamava de vaca - e não pude deixar de comparar a minha vida actual com a dela, uma vez que só temos um ano de diferença e temos a mesma profissão. Sei que prometi que me deixava de comparações, porque não levam a lado nenhum, mas não consegui impedir, e ao chegar a casa senti-me bastante mal. Acho que em muitos aspectos estou a ficar para trás. Ela conseguiu despedir-se e procurar um outro trabalho que lhe agrade mais, tem um namorado e parece ter imenso tempo para tudo. Apesar de ter um trabalho com uma carga horária maior que o meu parece estar mais próxima de realizar os seus sonhos e ter mais tempo para fazer o que gosta. Um exemplo de algo que me frustrou, eu andava super contente por ter um tomateiro-cereja a crescer na varanda, já ela tem vários tomateiros, e morangueiros e até alfaces, na varanda dela. Como é que alguns conseguem ter tempo para tanto, e outros não? Absurdo, eu sei.

 

Não invejo de todo a vida dela, não sonho com as mesmas coisas que ela, nem temos os mesmos objectivos de vida. Sei também que a vida de um dia para o outro dá uma volta de 180º, que estou todos os dias a uma decisão de mudar TUDO, e que se quisesse daqui a um ano não iria reconhecer nada na minha vida. Mas também sei que às vezes precisamos de fases mais "rotineiras", para parar, olhar e atravessar. Quem sabe ganhar balanço para outros voos maiores.

 

Sim, a comparação não leva a lado nenhum. E sei que se este post tivesse sido escrito ontem à noite quando cheguei a casa lavada em lágrimas, não teria, de todo, tido o mesmo conteúdo. Agora vendo as coisas a frio sei que não estou assim tão mal. Se efectivamente podia ser mais pró-activa na procura de algo melhor? Podia. Se podia contactar mais pessoas e tentar fazer mais networking? Podia. Se tenho um medo sufocante de acordar "tarde de mais" e achar que já sou demasiado velha para realizar os meus sonhos? Ó se tenho, todos os dias.

 

Mas isto é a ansiedade a falar. E não posso dar-lhe ouvidos. Caladinha. Hoje quem manda sou eu.

25
Abr18

Juízo.

Hoje é feriado, e foi aproveitado com a família (yeay!).

 

Sim, este ano vim passar o aniversário com a minha família em Portugal pela primeira vez em 3 anos. 2018 é o meu 4º ano em França. Desde que tinha 23 que não festejava esta data com a família. Fiquei contente, ah pois fiquei!

 

Pena esta situação do meu avô. Mas pronto, tudo se há-de resolver.

 

Queria escrever aqui aquelas coisas lindas sobre estar na terrinha, ir dar uma voltinha pelo campo, respirar o ar puro, sentir esta brisa que vem da Serra, ver os pastores, ganhar coragem para, pela primeira vez em anos, correr no centro da vila sem ter vergonha. Mas tinha tanto para dizer e ao mesmo tempo tenho tido tão pouca vontade de escrever. Eu sei que a vontade volta e que isto é só uma fase. Desta vez nem pensei em apagar o blog, como já o fiz anteriormente noutras fases off, por isso posso considerar que ando a fazer progressos na gestão da frustração e falta de inspiração para o blog.

 

Já vos disse que consegui ir correr no centro da vila onde cresci sem ter medo do julgamento dos outros? Ainda por cima durante um feriado em que havia pessoas a passear na rua? Estou orgulhosa de mim. E tenho a agradecer à corrida por ter entrado na minha vida nesta fase, é das poucas coisas que me tem motivado e mantido à tona de água. É das poucas coisas que anseio, a cada dois dias lá estou eu pronta para correr, e às vezes vários dias seguidos, porque esta porra faz-me bem, e ajuda-me a conseguir aguentar a escuridão que vai nesta cabeça.

 

Opah, e já vos disse que fiz 27 anos esta semana? Dizem que é o início da idade do juízo. Se for só o início então ainda tenho algum tempo disponível para fazer asneiras antes que o juízo a sério chegue.

 

 

07
Abr18

Diário de bordo 07.04.2018

ansiedade.jpg

 

Para vos fazer o ponto da situação, já ando há um mês a sair com o rapaz do Tinder, que daqui para a frente vou chamar de S. As coisas têm corrido globalmente bem, no início as diferenças fizeram-nos chocar um pouco, nomeadamente as visões sobre o dinheiro e as ambições na vida, mas temos conseguido encontrar um equilíbrio e as coisas estão a correr cada vez melhor. Acho que posso dizer que estamos numa relação! E não, não vos consigo dizer já se é o homem da minha vida, mas decidi deixar de procurar isso a qualquer preço e tentar aproveitar o momento presente.

 

Esta semana, tive alta crise de ansiedade com ele aqui. Ele veio cá jantar e depois meti-me a chorar já antes de irmos dormir. Alta crise de choro. Ele ficou meio abananado sem saber o que pensar ou dizer. Digamos que o moço não tem muito jeito com as palavras. Pediu-me para lhe explicar o que se passa e eu como é óbvio não conseguia, só lhe consegui dizer que andava muito triste e sem razão, que andava a pensar procurar uma psicóloga. Ele só me deu um conselho tão simples, mas mesmo tão simples, ao qual eu já pensei tantas vezes, mas nunca consegui meter em prática até ao dia em que ele me disse. 

 

Descansar e dormir mais. 

 

Foi isto. Que antes de procurar quem quer que seja, devia deixar de dormir só 5 horas todas as noites, devia tentar almejar as 7 horas de sono, sobretudo agora que faço muito desporto (mais de 4 vezes por semana de actividade física). Ele disse-me que não fazia sentido eu estar "tão mal", tendo uma "vida tão boa". Eu disse-lhe que era fácil falar quando não se está a passar por elas. Ele disse-me para experimentar descansar mais, e que depois falávamos. Se ainda estivesse mal, aí devia procurar ajuda...

 

Pois bem, desde que tive esta conversa com ele, em que quase recebi um pontapé na bunda para parar de ser parva, as coisas têm andado melhor. Deito-me antes da meia noite todos os dias, deixei de me meter aquela pressão estúpida de fazer montes de coisas antes de ir deitar, e cortei no meu vício do telemóvel. Afinal, seja o que for que se tenha passado nas redes sociais, ainda vai lá estar de manhã.

 

Isto é muito, muito parvo, eu sei. Mas há mais de 3 anos que não dormia tanto, desde terça-feira dormi em 5 dias o equivalente a uma semana e meia... e ando bem, não espectacularmente bem, mas bem. A ter uma vida normal. E como consegui? Pensei para mim própria "a partir de agora o sono é o meu medicamento para a depressão, e respeitar a dose diária é tão importante como comer bem, fazer desporto ou tomar outro qualquer medicamento essencial." Isto mudou o meu mindset, nestes últimos dias deixei de ver o sono como uma perda de tempo, e tem corrido muito bem. Será que é desta que começo a gostar da minha vida?

 

Não percam os próximos episódios 

 

02
Abr18

Exigência.

Isto é um diário e como tal despejo aqui, sempre que posso, o que me vai na alma. Vamos lá.

 

Fim-de-semana muito bom, passeio com os amigos portugueses que vieram morar temporariamente para a minha zona. Tem-me feito bem eles estarem cá, acho que sem eles esta fase tinha sido pior. Qual fase? Perguntam vocês... Já explico.

 

Tenho andando extremamente ansiosa, perdida mesmo, sem saber o que quero para a vida. Isto de ter que escolher entre várias opções dá cabo de mim. E o "problema" é que nunca uma geração teve tantas escolhas à sua frente. Largar tudo e ir conhecer o mundo? Optar por uma carreira mais profissional? Abrandar e concentrar-me mais na vida pessoal (casa, filhos, etc)? Hmmm... tudo questões pertinentes às quais não sei responder. E não devia querer responder. 

 

Muitas vezes fico com a aquela sensação de que quero ter tudo e que acabo por não ter nada. Já tentei várias vezes contactar uma psicóloga aqui na zona para me ajudar com estes sentimentos de incompetência, frustração e ansiedade. Às vezes acho que estou no início de uma depressão, depois há dias em que estou quase-eufórica, serei bipolar? Who knows... desisto sempre de ir ver a senhora psicóloga, tenho medo que ela pense que sou uma tonta, uma privilegiada que só sabe queixar-se. Isto tudo ainda é mais difícil quando nem o nosso cérebro percebe o porquê de estarmos infelizes... quando temos tanto e, apesar de tudo, achamos ter tão pouco.

 

Tenho medo de procurar ajuda e que isso ainda dê mais cabo de mim. Gostava de simplesmente não pensar, apagar tudo que tenho no disco duro da minha mente e simplesmente começar do zero, outra vez bebé, outra vez na barriga da minha mãe. Belo sítio para ir passar umas férias. 

 

Estou a passar por alguma crise de meia idade, mas ainda não estou na meia idade. Peço conselhos a pessoas mais velhas que me ajudam imenso, no momento sinto uma energia renovada, mas depois tudo volta ao mesmo. Sei que a felicidade não pode ser almejada o tempo todo, que a vida é feita de altos e baixos, que seria humanamente impossível estar sempre no pico de êxtase, que para a primavera existir (fase de construção) tem que haver um inverno (fase de destruição). Sei tudo isso e mesmo assim ainda sei tão pouco.

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas prevê-se que a programação do blog nos próximos tempos não vai ser a mais alegre... não porque não o queira, mas porque sinto que preciso de passar por esta fase de introspecção. E não tenho conseguido funcionar de outra forma. Apesar de as coisas à minha volta até estarem a correr bem e por fora parecer estar intacta. Por dentro estou partida e não sei o que me partiu.

 

Obrigada a quem se mantiver por aí.

21
Mar18

Aqui.

Descobri algo sobre mim... tenho muito medo do compromisso. Em muitos aspectos da minha vida comprometer-me é algo que me assusta.. E antes achava que não, que eu era só e simplesmente um "espírito livre". Agora começo a aperceber-me de que afinal há mais cá dentro do que aquilo que eu achava ser um desejo de liberdade. Tenho receio, muito receio de ficar presa a cidades, trabalhos e relações. Morro de medo do arrependimento. Há pessoas que tomam decisões de animo leve, muito leve. Epah, é para despedir? Despeço-me para a semana. É para casar? É já para o ano que vem! É para ter um filho? Faz-se já a criança e daqui a 9 meses está cá fora.

 

Eu não sou assim. Eu penso e repenso até à exaustão cada decisão. Como se o facto de pensar em todos os mínimos detalhes possíveis e imaginários fosse criar a situação perfeita para mim. Como se o facto de vivenciar todos os cenários que nunca existirão fizesse a realidade muito melhor do que aquilo que vai ser. Como se o facto de prever o que ainda não foi fizesse diminuir as probabilidades de errar. 

 

Tenho medo, muito medo de me arrepender. O meu maior pesadelo é nunca chegar a viver a melhor versão da minha vida. Acordar um dia num lar e pensar em tudo o que poderia ter sido e não fui. E isso assusta-me muito, bloqueia-me, e pior do que tudo, afasta de mim a oportunidade de aproveitar esse tesouro tão valioso que é o momento presente.

 

19
Set17

A precisar de uma boa dose de calma...

Não é por pura coincidência que me auto-intitulei de "A desarrumada". Eu sou mesmo desarrumada! É a casa, a cabeça e a vida no geral. Mas sobre as arrumações físicas que devo fazer falo mais tarde, hoje venho aqui para deprimir sobre a minha vida desarrumada neste meu cantinho de confidências.

Hoje estou num daqueles dias em que nada vai bem, é o trabalho, é com ele, é com a dieta (dei assim uma facadinha valente hoje depois de duas semanas a portar-me bem)... tenho alguns tags para meter em dia aqui no blog e umas respostas para dar a uns comentários... mas admito que tenho andado sem cabeça para nada. Nadinha.

Parece que nada vai bem, a ansiedade voltou, sinto que faço tudo mal, que só tenho ideias fracas, que não estou a perder o peso que queria, que nunca vou conseguir realizar os meus sonhos, e muito, muito, mais. Bem, uma verdadeira tempestade que aqui vai nesta cabeça.

Sei que já vos falei anteriormente da minha ansiedade, a qual tenho conseguido controlar bastante, mas hoje fraquejei, hoje não consegui controlar os pensamentos negativos, hoje passei o dia no trabalho com vontade de chorar e a dar respostas tortas. Ainda por cima parece que é sempre nestes dias que vêm falar connosco sobre coisas sérias e importantes. Depois chego a casa e rumino em tudo que disse, em tudo que devia ter dito em vez daquilo que disse, e em tudo que ficou por dizer e que tinha sido em "cheio". Ah pois é, tinha sido certeiro, mas não foi porque calei e respondi outra coisa qualquer. Gostava de desligar o botão ON da minha cabeça e entrar em modo OFF, nem que fossem só uns diazinhos...

Estou a desesperar, gostava de deixar de ser assim. Mudar de vez, mudar de aparência, de personalidade, de país, de amigos, de profissão, de vida, largar tudo e começar do zero. Hoje é um daqueles dias em que tudo me cansa. Mas a vida não pára... e tenho que voltar a acordar amanhã e fingir que aguento isto tudo.

 

22
Jun17

Só para dar notícias...

Recebemos hoje as notas do trabalho escrito e apresentação. Fiquei entre os 3 melhores... Se me estou a gabar? Um bocado. Mas, acho que depois de me terem aturado tanto tempo com posts sobre esta formação, mereciam saber que 50% foi hoje concluído com sucesso. Amanhã é o exame téorico. Não estou tão ansiosa como pensei que ia estar. Uma parte de mim sabe que domino o assunto, a outra parte de mim está a correr em cuecas e aos gritos. Desejem-me muita merda.

07
Fev17

Sobre a ansiedade.

De todas as coisas que já vos contei sobre mim, sabem também que sou extremamente ansiosa. Sofro de ansiedade por tudo e por nada, e acho que é isso que me anda a provocar estes problemas de intestinos, uma vez que o sistema nervoso e o sistema digestivo estão intimamente ligados. 


 


Ando a mudar a alimentação aos pouquinhos, a tentar comer gorduras boas, fazer tudo em casa e cortar no açúcar (mas com este meu vício por chocolate já tão conhecido não tem sido fácil!)


 


Para já o mês de Janeiro e início de Fevereiro têm corrido bem, tenho conseguido comer direitinho em casa, só no trabalho é que não tenho sido tão restrita... como tenho de comer na cantina de lá e não controlo os menus, acabo por comer muito glúten, ou comida congelada (eles fazem um ratatouille que é mesmo belhak, até eu que sou portuguesa consigo fazer aquilo melhor em casa!) ou produtos lácteos... e como sou uma preguiçosa do pior não consigo organizar-me para levar sempre uma marmita, eu sei, sei, não me batam!


 


Tudo isto para vos dizer que há uns meses andava a fazer meditação e andava muuuuito, mas mesmo muito melhor! Mas parei... e pouco a pouco os sintomas voltaram... a meditação é daquelas coisas que uma pessoa quando faz não sente os benefícios, anda melhor mas nem sabe assim muito bem que é por causa daquilo... só depois de parar é que vê a diferença! "Ah e tal mas eu até andava melhor da ansiedade... o que se passou?" Pois é, toma lá mais uns ataquezitos de stress para não seres parva!


 


Tenho planeado ir todos os fins de semana para um parque aqui perto meditar um pouco! Espero armar-me em blogger da moda e vir cá daqui a uns tempos dizer-vos que fui TODOS os fins de semana, e do quão bem me sinto, e como sou a pessoa mais calma do universo e arredores com os meus novos hábitos hiper mega saudáveis.


 


A ver vamos.


 


Beijo na bunda! 

12
Set16

Depois de chegar a casa de um fim de semana espectacular...

Só tenho a dizer que vale a pena sair de casa mesmo quando não temos vontade. Vale a pena aceitar aquele convite mesmo quando a casa está um nojo e queríamos ter o fim-de-semana para limpar. Vale a pena assistir a espectáculos que nunca tínhamos visto antes. Vale a pena. A vida vale a pena. Mesmo que este sentimento de não estar a fazer o suficiente a nível profissional me sufoque. Mesmo que a nível pessoal ache que podia dar mais de mim. Mesmo que este sentimento de estar "presa" devido à minha ansiedade me impossibilite de estar 100% presente no momento... vale a pena. Um dia hei-de descobrir a cura para isto.

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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