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Diário de uma dESarrumada

Diário de uma dESarrumada

30
Jul20

Foi hoje.

Hoje conheci a famosa ex-namorada do meu namorado. Ela é muito bonita e simpática, mas estou contente de estar a fazer este trabalho de introspecção e desenvolvimento pessoal, para conseguir aceitar esta situação.

Não há ali ameaça. Senti que eram mesmo só grandes amigos. O meu espírito está tranquilo. Estou confiante que, mesmo que esteja enganada, vou saber lidar com a situação.

 

Vamos lá, mais uma etapa complicada ultrapassada! 

 

Beijo na bunda! 😘

29
Jul20

Montanhas.

Há exactamente cerca de um ano atrás comecei a fazer sessões ao domícilio a uma velhinha acamada. A senhora não vê, a vida dela consiste em encadear dias infinitos, com o pescoço em hiperextensão e os olhos fixos no tecto, enquanto emite sons indistintos ou palavras soltas em árabe. De vez em quando lá diz uma palavra em francês, para chamar a filha... filha essa que a vai visitando, uma vez por mês, se tanto.

Eu vou vê-la duas vezes por semana, durante 1 ano inteiro só falhei uma semana em Dezembro de 2019, a única semana de férias que tive desde que me mudei para Paris.

Durante a sessão a auxiliar da senhora, Madame Dembele, uma senhora africana que veste aqueles vestidos típicos com mil cores e que tem sempre um sorriso na cara, pega numa cadeira e fica sentada aos pés da cama, a ver a sessão enquanto me conta coisas da vida dela e de outrém, de França ou de além-mar.

Esta senhora é positiva, sempre de bem com a vida, já passou por muita merda, e mesmo assim está ali, com um sorriso na cara e palavra leve para tornar o quotidiano daquela velhinha acamada, o melhor possível...

Hoje cheguei lá, como todas as terças e quintas-feiras meti a minha mala no chão, tirei os sapatos e fui lavar as mãos (cenas pós-corona, os sapatos, as mãos já lavava antes), e a Madame Dembele veio atrás de mim para a casa-de-banho para me dizer que na quinta-feira não ia haver sessão. Era o último dia daquela senhora naquele apartamento, a filha tinha anunciado que ia mudá-la para um lar de idosos. 

Fiquei em choque. Talvez pela naturalidade com que ela me disse aquilo, como se a rotina fosse continuar a ser a mesma, como se nada fosse mudar para ela. Adoro quem consegue aceitar as mudanças da vida assim, num piscar de olhos aceita-se a nova realidade que está ali, sem questionar, sem resistir.

Fiz a minha sessão sem dizer nada à frente da senhora, porque não é suposto ela perceber que vai deixar a sua casa dos últimos 50 anos para ir morrer viver um lar. Não querem preocupá-la, palavras da filha, diz-me a Madame Dembele. Quanto ao apartamento, este será provavelmente vendido por um milhão de euros antes do final do verão. 

No fim da sessão, lavei as mãos, peguei na minha mala, calcei os sapatos e antes de sair pela porta fora disse à Madame Dembele "obrigada por este úlitmo ano, aprendi muito consigo, desejo-lhe uma boa continuação". Sorri-lhe, mas estava com máscara e ela não viu.

Ela sorriu-me de orelha a orelha, estava sem máscara, por isso eu vi-lhe o sorriso branco a sobressair, em parte, graças à pele escura.

"Tenho a certeza que ainda nos encontramos por aí! O mundo é pequeno, só as montanhas é que não se voltam a encontrar."

 

Muito obrigada Madame Dembele.

 

montanha_blog_desarrumada.jpg

 

27
Jul20

18 dias.

Estou há exactamente 18 dias sem vir aqui. Não porque não tivesse vontade, porque tinha, muita, mas porque não sabia o que escrever.

Muita coisa aconteceu entretanto. O trabalho voltou a carburar como antigamente, tenho trabalhado mais do que antes do confinamento, muito mais, mas nem dou por isso, porque mudei de horários, estou a trabalhar das 8h às 18h. Por isso quando saio do trabalho ainda está de dia. E que bem que sabe... a França tem esta coisa incrível de ter dias intermináveis no verão. Às 23h ainda é de dia, o que dá aquela impressão de se aproveitar um bocado mais a vida durante a semana.

 

Decidi não ir a Portugal no verão... por motivos vários: não me apetece enfiar-me de máscara num avião, para isso já basta sair de casa às 7 da manhã com ela posta e voltar às 20h ainda com máscara na fuça (não é a mesma, eu troco-a, calma, não me batam!), e porque os meus pais moram numa vila pequenita lá na Serra. Imaginem que eu chego e 2 semanas depois aquilo transformou-se em cluster e uma centena de velhotes morrem por minha culpa??? Eu sei que a malta da Serra a comer queijo, chanfana e beber vinho como bebe, é rija que se farta, mas... mas... e se...??? Andamos numa época de muitas incertezas, prefiro jogar pelo seguro. Fico em França, e já gozo. 

 

Com o Titi as coisas andam bem! Muito bem mesmo! Mas ali no início de Junho tivemos uma crise... ele mentiu-me, para poder ir beber café com a ex. Disse-me que estava com outro grupo de amigos, só que não estava. Eu descobri, passei-me, saí de casa dele a correr enquanto ele me pedia desculpas a chorar, depois gritei-lhe "vai-te foder" em francês, no meio da rua, às 22h da noite.. Liguei para uma amiga enquanto estava no tram a voltar para casa. Yah, eu sei, estão a ver aquela pessoa que está nos transportes públicos ao telefone, a gritar a plenos pulmões todos os detalhes da vida pessoal dela enquanto chora baba e ranho? Pois. Eu fui essa pessoa. Acho que, mais tarde ou mais cedo, acabamos sempre por ser essa pessoa.

E depois percebemos que não temos controlo emocional nenhum. E que a nossa capacidade mental de resolução de problemas é equivalente à de uma adolescente de 15 anos. E isso dói. Ai se dói.

Ficámos sem falar 5 dias. Ele insistiu para nos voltarmos a ver porque queria explicar a história. Jurou a pé juntos que não dormia com ela, que há mais de 4 anos que não se passa nada entre eles, mas que ficaram amigos, e que a considera a melhor amiga dele. E que não pode deixar de falar com ela só porque conheceu alguém novo, que basicamente não lhe posso pedir isso... E que ficou com medo de me contar que ia estar com ela porque tinha receio da minha reação, por isso escolheu a hipótese mais cobarde para resolver um problema, a mentira. E pediu-me desculpa, e disse que não voltava a mentir-me nunca mais. Em contrapartida eu fiquei de aceitar essa amizade, e pedi-lhe para me apresentar a moça. Ainda não aconteceu... mas vamos lá ver, vai ser super estranho conhecer a ex do meu namorado... mas tenho que lidar com isso... afinal, todos temos um passado, não é?

Alguns deixam tudo lá atrás, outros não.

No que me toca a mim, seja o que o destino quiser. Na pior das hipóteses descubro que foi um erro confiar nele outra vez, na melhor das hipóteses, não deitei tudo a perder com um rapaz com o qual me sinto bem, e dei-me uma oportunidade de ser feliz. É indo e vendo...

 

 

Beijo na bunda! 

03
Jul20

La vie en rose.

"voir la vie en Rose" era o prometido. Essa vida cor-de-rosa que ia naufragar antes de o ser. De todas as cores me falaste, e com todo um arco-íris fui tua. 

Deslizei na tua mente, passei a minha mão entre as tuas pernas. Senti o teu calor no meu pescoço, e vim-me, em cor-de-rosa, em azul, na cor que me quiseste dar.

E fomos só um. Depois fomos dois. Juntos, numa cama molhada de transpiração e fluídos.

Sei que esperas por mim, nessa cidade de luz, e que já não estou só, apenas apaixonada. Por ti. Por este sítio. Por esta vida cor-de-rosa.

01
Jul20

Colega de casa #1

Só vivo com ele há um mês. Tenho tanto a dizer sobre ele que sinto que isto vai ser uma das rubricas mais lidas do blog... mas para já deixo-vos com estas duas informações imprescindíveis :

 

Ele come sempre a mesma coisa ao jantar : salada de endívias com cenoura ralada e cogumelos crus cortados em lâminas.

 

Tem tantas velas no quarto dele que mais parece que assaltou uma igreja. E acende pelo menos metade delas todas as noites.

 

Aspira a casa todos os dias. Deve ficar possesso com a quantidade de cabelos que deixo em todo o lado... 

Bem-vindos ao meu diário, um lugar seguro onde podemos falar sobre tudo. Já comentaram hoje? Bisou, da vossa dESarrumada.

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