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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

27
Nov18

Deixar a sua marca.

O colhão com pernas foi embora e eu pensava que ia ser assunto para várias semanas. Afinal já ninguém se lembra dele. Que vida madrasta esta que permite que uma pessoa trabalhe 22 anos num sítio e seja esquecida mal vira a esquina. Isto faz-me pensar muito. Às vezes penso demais. Gostava de acreditar que quando sair deste local de trabalho, deixarei uma marca. Que alguém, nem que seja uma pessoa, vai continuar a falar de mim. Isto tudo faz-me pensar no filme Coco. Para continuarmos a viver no "além" alguém tem que se lembrar de nós em vida. Mas não é fácil ser lembrado quando se sai de um local de trabalho. É preciso fazer-se algo de realmente especial. Eu tento sorrir todos os dias, mesmo quando estou cansada e quase a cair para o lado a olhar para aqueles colegas de merda que tenho. Opah... hoje estavam lá num canto a fazer exercícios com os halteres em frente aos doentes. Que falta de profissionalismo. Apetecia chegar lá e dizer "pagam-te para fazeres estas merdas no trabalho?". Crianças. Ainda bem que a maior parte se vai embora daqui a umas semanas. Sim, porque como não podíamos ir todos de férias de Natal ao mesmo tempo a malta toda decidiu despedir-se para deixar a entidade patronal em maus lençóis... 

Esta gente sente-se tão entitled, como se o mundo lhes devesse tudo. Como se fosse impossível continuar a viver enfrentando uma contrariedade. Tenho pena deles, exteriormente fico com a sensação que eles conseguem sempre levar a deles avante, mas por dentro devem ser miseráveis. Imagino-os em ponto pequeno, com 5 anos, a chorar enrolados em posição fetal porque os paizinhos não lhes deram o brinquedo para brincar, ou não serviram o jantar que eles queriam, ou tiveram o desplante de lhes dizer um "não".

Se a vida desmoronasse ou toda a gente se despedisse, só porque ouviu um não do chefe, este mundo estava todo fodido. Ainda mais do que aquilo que já está. O mais incrível nisto tudo, é que esta gente quando for embora vai deixar uma marca e os que fazem o bem são logo esquecidos.

22
Nov18

A precisar de umas férias destes gajos.

Esta semana acabou mais cedo. Hoje vou para Paris passar o fim-de-semana. Está um frio do caralho aqui em França... mas não tem chovido muito aqui na zona o que é óptimo. Frio sem chuva uma pessoa ainda tolera, frio molhado é aquela coisa horrível, é que para além de estar frio com'ós cornos uma pessoa tem tendência a ficar em casa sem fazer nada.

 

Enquanto estou aqui a fazer a mala - vou embora daqui a 3 horas e como de costume a mala não está feita - o telefone tocou 3 vezes. No outro dia fiquei a tarde toda de quinta-feira em casa (costumo ter a tarde livre) e o telefone tocou 8 vezes. Uma vez cheguei a casa e tinha mais de 30 chamadas não atendidas no fixo.

 

Empresas de publicidade.

 

Não sei quem vende o nosso número a estes caralhos, aliás, até desconfio. Mas deviam todos levar com um corno de rinoceronte no rabo. Tenho mais que fazer do que atender o telefone 30 vezes por dia para me venderem produtos-congelados-caros-que-até-dói ao domicílio, comprar o cartão de crédito-das-mil-maravilhas-ficas-endividado-até-ao-pescoço ou passar férias no clube da tia Amélia-de-baixo-e-já-gozas.

 

18
Nov18

Olá.

O colhão com pernas foi embora esta quarta-feira. Fiquei com lágrimas nos olhos o dia todo, e ele veio dizer-me adeus, deu-me dois beijinhos e tudo... houve pessoas a quem ele nem disse um simples adeus... por isso até fiquei contente por ter tido a honra de receber uma despedida oficial. Talvez o meu trabalho até tenha contado alguma coisa para ele. Já se sabe, sonhar não custa...

 

Foi tão estranho olhar para a secretária dele e ela estar vazia, sem as pilhas de papéis e tralha que costumavam estar em cima dela. Talvez seja uma espécie de síndrome de Estocolmo ou algo do género, mas até vou ter saudades dele, de o ver a pavonear-se todo lá pelo local de trabalho, com aquela farda cor-de-rosa que nós usamos. Foi o mais próximo que eu estive de ter um flamingo insuflável na minha vida. Inchado de orgulho para esconder a baixa auto-estima. Num cargo de poder que foi obrigado a aceitar. Sem ser talhado para o exercer.

 

Que pena quando pessoas, que até são boas pessoas, mas emocionalmente desequilibradas, acabam por ter cargos com poder a chefiar equipas. Não sabem gerir-se emocionalmente, não sabem lidar com os problemas da equipa nem gerir outras pessoas, deixam que um pequeno conflito se torne num drama de um mês, ou vários. Porque alimentam intrigas, porque entram no diz-que-disse. Pudessem todos os chefes ser íntegros e imparciais e o mundo do trabalho seria um lugar tão mais feliz. 

 

A verdade é que com flamingo ou sem flamingo tenho que continuar a ir trabalhar. E já "só" faltam 7 meses para acabar o contrato que assinei com eles. Tic-tac-tic-tac. O tempo está a passar e eu estou quase a pirar-me. Entretanto solteira e boa rapariga tenho andado concentrada em mim. Só em mim mais ninguém. Bem, talvez não esteja inteiramente sozinha, o António Vibrações tem sido um companheiro de todas as horas. Firme e hirto como só ele sabe ser, a animar-me quando mais preciso, tem sempre uma palavra amiga para me deixar feliz. Que sensação libertadora esta de saber que posso viver sem um homem...

 

Oh céus. Tantos projectos, tantas coisas que ainda quero fazer nesta vida. Talvez um mestrado, talvez uma formação de 5 anos, talvez um retiro espiritual no Nepal, talvez uma roadtrip na Europa. O cérebro fervilha de ideias de viagens, coisas para fazer, livros para ler. A ansiedade não tem morado aqui e que bem que sabe estar afastada desta moça, por uns tempos. Mas ela volta, e que volte, cá estarei de braços abertos para a receber e até lhe pago um café. É isto a verdadeira liberdade, estarmos conscientes de nós mesmos. Saber como vamos reagir a determinada situação e o que vai fazer disparar a ansiedade, e saber acalmá-la, sem a extinguir completamente, como se fosse uma amiga de longa data que de vez em quando passa só para dizer "olá".

11
Nov18

Píromano ou pirómano?

Que fim de semana de chuva do caralho. Uma pessoa está para aqui em casa, a única vez que saí foi ontem para ir fazer umas compras e ir ao cinema. De resto foi destralhe, limpezas e outras coisas do género. Estou a fazer uma cena à la Marie Kondo e estou a analisar as minhas roupas de fio a pavio para deitar fora / doar / dar, aquilo que já não uso! Não tem sido fácil. Mas o pior... o pior meus caros é o papel! Aiiiii... já disse isto várias vezes aqui no blog, o meu problema é os papéis! Juro que às vezes apetece deixar uma vela deliberadamente acesa ao lado de tudo que é facturas, recibos de salário, facturas de carro e outras coisas do género e deixar tudo arder. Olhar para aquilo qual pirómano sedento de chamas. Mas num posso. Sou, supostamente, um ser útil na sociedade que precisa de um dia enfrentar a autoridade tributária com uns 10 mil recibos de pagamento de salário debaixo do braço e provar por A + B que mereço receber mais 20€ de reforma porque eles se esqueceram de contabilizar o período compreendido entre abril de 2015 e outubro de 2017. Mas isto tudo é um suponhamos como dizia a outra. Pelo sim pelo não guardo tudo. 50€ dá jeito para comprar os medicamentos para as dores das cruzes quando me reformar. Tirando isto está tudo bem. Estou com um blogger's block do camandro e não me apetece escrever sobre nada sério. Ainda bem que a dESarrumada (essa foooofa!) está aqui para levar com as minhas neuras. Mas ovulei há uns dias e meu deus, um gajo, oh senhores, já anda a fazer falta. Não digo porquê. Vou deixar vocêses adivinharem. E com o o corrector do sapo aprendi que pirómano é com acento no "o" e não no "i" como eu sempre pensei. Passei 27 anos e meio da minha vida a dizer mal esta palavra. Crianças, fica aqui o conselho da tia dESarrumada, usem o corrector. Faz bem à saúde mental de quem escreve e à saúde ocular de quem lê. De nada.

05
Nov18

Desabafos sobre essa distância que me corrói a alma...

Não é fácil manter uma relação à distância... e isso é algo que infelizmente fui aprendendo com a emigração. Em 2016, depois de uma relação à distância falhada, tinha prometido que seria a última relação deste tipo. Mas conheci-o, e acreditei que podia ser ele "o tal". Decidi continuar e tentar mais uma vez. Há quase um ano que ando nesta vida de Whatsapp, Skype, etc. 

Juro. Tentei tudo, dei tudo que tenho, esvaziei a alma nestas tentativas. Juro que continuo a tentar. Mas não tem sido fácil lidar com a falta de respostas da parte dele... um simples está tudo bem não me chega, nem nunca vai chegar. Gosto de conversas mais completas, gosto de assuntos mais desenvolvidos, mas também sei que quanto mais tempo se passa longe, menos se tem a dizer. Depois chegam as dúvidas, e das duas uma, ou sou eu que sou muito carente ou há um afastamento que se está a instalar pouco a pouco, qual erva daninha que vai crescendo num terreno recém cavado.

Hoje, podia falar primeiro como tenho feito todas as noites, podia insistir mais uma vez, mas hoje não o vou fazer. Hoje vou deixá-lo ter saudades. E amanhã será um novo dia. E talvez eu, depois de uma noite de descanso, já esteja mais calma e veja a vida com outros olhos...

 

 

3 de Novembro, 2017.

Um post que estava aqui guardado nos rascunhos e que nunca cheguei a publicar...

...escrito 3 meses antes do fim.

Já se passou um ano desde que comecei a ter dúvidas.

O tempo passa mesmo depressa.

Nunca mais falámos.

Apesar de tudo, e da vida que tenho conseguido viver sozinha,

tenho saudades dele.

 

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