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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

Diário de uma desarrumada

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27
Out18

Como perder uma amiga.

Ultimamente a forma que tenho usado para tomar decisões racionais e menos emocionais é perguntar-me a mim própria: "se tu fosses a tua amiga, que conselho lhe darias nesta situação?" Infalível. Este pensamento já me impediu de instalar apps de encontros vezes e vezes sem conta, e o facto de estar longe delas tem-me feito um bem do caraças.

 

Epah, prontos, a modos que a pensar assim fiz asneira. E não considero que tenha feito asneira, segui o que o meu coração dita para a minha vida, mas apliquei-o na vida dos outros. E só podia dar merda.

 

Recentemente ajudei uma amiga minha (melhor amiga do mundo) a vir trabalhar para cá. No início trabalhámos no mesmo sítio mas agora ela mudou para a cidade ao lado, uma pequena distância que se faz facilmente de carro.

 

Ela veio com o namorado, alguém de quem nunca gostei, é machista, misógino, agressivo, egocêntrico. Tudo que se possa encontrar de negativo num homem ele tem. É a típica pessoa que quando vamos sair é ele que tem que fazer os planos todos, e se alguém quiser, nem que seja por uns segundos visitar algo diferente, ele faz birra a dizer que "ninguém o ouviu, que é um ignorado", etc. E a hora de ida ou volta é decidida por ele, se alguém estiver atrasado já fica de trombas a viagem toda, se alguém quer voltar mais tarde ele vai para o carro e diz "eu vou para o carro, quem quiser que venha comigo, quem não quiser que apanhe um táxi". Pronto. Eu ouço estas merdas e o meu cérebro explode, fico com o coração a mil e na maior parte das vezes (quase todas) calei.

 

Naquele dia, azar dos azares, e como o menino andava a fazer birra porque é sempre ele a conduzir, levei eu o meu carro. Deu merda.

 

Tínhamos saído com com colegas de trabalho e estagiários meus e da minha amiga a um restaurante. Ele não trabalha connosco por isso não tem muita afinidade com as pessoas que estavam lá. Mas já saiu várias vezes connosco e já conhecia as pessoas. Não era um estranho portanto. Epah, não abriu a boca o jantar todo. Estava de birra, como já é habitual nele. Uma pessoa já nem liga, faz a sua vida e ele fica ali num canto agarrado ao telemóvel durante o jantar todo. A minha amiga é uma santa por aturar aquele energúmeno.

 

No fim do jantar, estávamos à entrada do restaurante a conversar, ele sempre agarrado ao telemóvel, vira-se para toda a gente:

"estou cansado, vou para o carro" e virou costas sem dizer boa noite, nem nada...

 

Mas... o carro era meu. E eu nem mexi uma palha quando ele disse aquilo, estava determinada a deixá-lo esperar. A minha amiga que tem medo dele (epah desculpem, mas ter medo do próprio namorado não é para mim). Vira-se para mim e diz em português "olha é melhor irmos embora se não ele fica à espera e já sabes como ele é, vai ficar chateado e depois tenho que o aturar durante semanas".

 

Respirei fundo 10 vezes, contei até 100 mentalmente e despedi-me à pressa de toda a gente e lá fomos. E ele encostado ao carro de braços cruzados a olhar para o relógio a dizer que demorámos muito... disse mentalmente para mim própria "nunca mais me apanhas num jantar contigo". Nesse dia não disse nada, mas no dia seguinte, contra o pedido da minha amiga de não dizer nada, fiz questão de dizer-lhe que não gostei da atitude dele, que o carro era meu e que eu é que decidia quando voltávamos e que a forma como ele se foi embora foi uma falta de respeito para toda a gente.

 

Epah, saiu-me tudo que me andava a passar pela cabeça. Mas... isto correu mal, desde esse dia nunca mais saí com a minha amiga. Ou porque tem coisas para fazer com ele, ou porque ele é que tem o carro, ou porque isto ou aquilo. Há sempre uma desculpa. E todas as coisas que fizemos em grupo só veio ela. Ok, já percebi que o energúmeno não me quer ver. Tudo bem, concordo! Eu também não o quero ver nunca mais à minha frente. A merda da questão é que sinto que "perdi" a minha amiga. Moramos na mesma região, finalmente não estamos em países diferentes, e ele faz sempre alguma merda para que eu não a consiga ver.

 

Estou farta disto, às vezes acho que não devia ter aberto a boca. Mas porra, não podia ficar calada numa situação destas. Foi mais forte que eu. Hoje são ameaças e birras mas... e se amanhã ele lhe bate? Anseio pelo dia em que eles acabem e a minha amiga possa voltar a ser uma mulher livre para escolher os seus amigos. Acabei de escrever esta frase em vésperas de 2019, juro que isto não era um rascunho escrito em 1973.

24
Out18

Ao telefone com a minha mãe #7

Lembram-se do furacão Leslie, certo? O maroto, depois de passar em Portugal, veio fazer uma visitinha a França, com algumas inundações, destruições, feridos e outras coisas mázinhas que só um furacão sabe fazer.

 

Estava a falar com a minha mãe ao telefone sobre os estragos que o Leslie provocou no sul de França e ela sai-se com isto:

 

Mãe: Oh, fiquei triste por não ter sabido com mais antecedência que o furacão Leslie ia passar em França.

Eu: Então porquê mãe?

Mãe: Se soubesse tinha-lhe dado um Queijo da Serra para ele te entregar!

Eu:  

 

dESarrumada,

a ficar sem resposta desde 1991

 

 

 

 

 

Outros telefonemas épicos:

#1 A segurar a vela

#2 O panaché 

3# O estetoscópio 

4# O botão 

5# O cavalo manco

6# Isto é tudo muito bonito

 

 

 

Beijo na bunda! 

 

16
Out18

Onde estás amor?

Eu estava a entrar no metro.

Tu estavas na plataforma de embarque.

Os nossos olhares cruzaram-se.

Senti um arrepio na espinha.

Tu sorriste-me.

Eu devolvi-te o sorriso.

 

 

Começaste a levantar o braço na minha direcção.

Eu queria tanto tocar-te.

Mas a porta fechou-se de repente.

E nunca mais te vi.

 

 

 

Por favor, se estás a ler isto, contacta-me.

 

 

 

Tenho a tua mão direita.

 

 

15
Out18

Aquele orgulho macabro.

Imaginem uma pessoa que tem um filho bebé. Essa pessoa pensa que a criança não percebe nada do que ela diz. Digamos que essa pessoa tem o hábito de dizer "caralhos t'a fodam" a toda a hora. A todo e qualquer momento lá lhe sai essa pérola da boca, em frente à dita cuja criança.

Eis que o dia chega, o dia em que a criança, do nada, talvez num jantar de família ou no meio do supermercado, solta um alto e sonoro "caralhos t'a fodam" em frente a toda a gente. O progenitor, envergonhadíssimo, vai dizer ao filho "não digas isso, é feio!", virando-se para toda a gente com um "não sei onde é que ele aprendeu a dizer tal coisa!". Mas no fundo está super orgulhoso da criatura e até pensa bem forte "assim é que é, sai aqui ao paizinho/mãezinha!"

Hoje eu senti-me assim. Foi dia de avaliar uma estagiária de 2º ano que é uma fofa, mas ainda não sabe grande coisa. Eis que surge o momento em que ela faz um exercício igualzinho a um que eu faço todos os dias, com outro paciente, com outra patologia. Eu, orgulhosa da criatura, digo "oinnnn, esse exercício é excelente!", cá para os meus botões "caralhos t'a fodam, não era adequado para essa pessoa!".

14
Out18

Para todas as pessoas que andam por aí no dating.

 

Sigo o Matthew há imenso tempo. O conteúdo dele tem ficado cada vez melhor e não podia deixar de partilhar estes dois vídeos dele para quem anda aí no real dating ou no online dating. Ele tem tanta razão! Por estas e por outras é que decidi fazer uma pausa no Tinder e coisas do género.

 

 

E este vídeo estilo musical que me deixou viciada na música uns bons meses. O final é simplesmente priceless, you go girl!

 

 

 

  

Beijo na bunda 

09
Out18

Sobre os heterónimos da vida.

Como eu compreendo o Fernando Pessoa. 

 

Nesta coisa dos blogs nem sempre tenho vontade de ser a dESarrumada a tempo inteiro.

 

Há dias em que quero escrever artigos sérios sobre saúde. Outras vezes só quero escrever poesia e chorar com as palavras. Nunca estou constante e não o quero ser, nem na vida nem na escrita. Sou a instabilidade em pessoa, por vezes isso chateia-me, por vezes sinto-me reconfortada na ideia de saber que a vida muda de um dia para o outro. E que está tudo bem.

 

 

Sou feita de altos e baixos, de palavras inteiras, meias-palavras e leituras nas entrelinhas. Também gosto de fotografia, de fazer pesquisa, de ler livros, visitar lugares comuns. Nem sempre me apetece escrever com humor. Mas às vezes, muitas, demasiadas, só me apetece escrever treta, daí ter nascido este espaço.

 

linha_cardíaca.jpg

 

Compreendo o outro senhor que dividiu a sua escrita em várias personagens, conferindo a cada uma delas uma personalidade e história de vida diferentes. Eu também sou assim, eu também queria fazer isso. Sonho em ter um blog grande, seja lá isso o que for, e este projecto da dESarrumada já não me provoca batimentos cardíacos acelerados como antigamente. Tem sido uma vivência de quatro anos com muitas mudanças, minhas e no mundo dos blogs. Vi blogs chegar e desaparecer. Apaixonei-me perdidamente por uns, sentei-me no ameno das frases várias vezes, seguindo um caminho calmo sem muitos solavancos e também deixei muita gente partir. Fugi, perdi-me, também eu desapareci algumas vezes. Mas voltei sempre. Dizem que os blogs estão a morrer, mas eu continuo a gostar disto, muito. No entanto, também gosto de ajudar pessoas, na vida profissional e na vida pessoal. Gosto de vários assuntos, que nem sempre consigo exprimir aqui. E queria tanto, se o tempo disponível me permitisse, ter um blog para cada faceta da minha personalidade.

 

Tudo tem um início, um meio e um fim. E por aqui, creio que se entrou em fase terminal. Uma fase de cronicidade acrescida, onde a qualquer momento o monitor cardíaco que nos monitoriza a vida pode deixar de emitir um pi-pi-pi contínuo e uma linha com altos e baixos para passar a ser um longo piiiiiiiiiiii que acompanha uma linha plana. E eu adoro recomeços. Têm sabor a esperança, a sonhos, a partidas e regressos.

 

Por aqui agarro-me à vida bloguística com as forças que me sobram. Não sei por quanto mais tempo até começar um novo projecto. Obrigada a todos que têm visitado este blog nos últimos anos. Sem vocês isto não teria sido a mesma coisa. Espero ver-vos noutro endereço, um dia. Até breve.

 

adesarrumada@sapo.pt

05
Out18

Follow Friday | Para todas as solteironas, solteirões e os outros!

Epah, agora que recomecei isto da Follow Friday não quero outra coisa.

 

Hoje trago-vos o blog da LegoLuna. Um blog que já sigo há alguns aninhos e que tantas gargalhadas me tem proporcionado. Ela fala sobre ser solteira, ser mulher e desmistifica uns quantos disparates que vamos ouvindo por aí. Um blog diversificado que lemos sempre com um sorriso no rosto.


Dêem uma vista de olhos e vejam lá se o blog não é espectacular!

Ainda solteira

 

Beijo na bunda! 

04
Out18

Barcelona.

 

Vou estar um pouco ausente nos próximos dias. É por uma boa causa 

 

Divirtam-se por aí, não façam nada que eu não fizesse !

 

 

Leituras aconselhadas a quem lhes quiser meter os dentes:

 

A história do AVC do meu avô.

Por uma vida com mais sabor.

Carência.

Sobre os desenhos animados gays.

Telefonemas estapafúrdios.

 

 

* dentes era a palavra para o desafio da escrita do dia 3 da Totó! Os outros dias farei quando regressar e prometo meter tudo no mesmo post ou eu não me chame dESarrumada Maria Cristina!

02
Out18

Quem sou eu?

Uma pessoa passa uma vida a acreditar em várias coisas.

 

Elas são frases que nos são ditas repetidamente, conceitos abstractos, críticas que ouvimos vezes e vezes sem conta, por vezes elogios às nossas capacidades que só os outros conseguem ver. E uma pessoa acaba por dizer para si própria: "se os outros pensam isto sobre mim, então é porque deve ser verdade".

 

Inconscientemente todas as decisões que tomamos têm por base estas crenças. Se escolho este emprego é porque me vejo desta forma, se escolho aquele companheiro é porque me vêem com alguém deste género, se vou para determinado país é porque esperavam que tomasse essa decisão, se troco de vida é porque é o que é suposto eu fazer.

 

Ultimamente, apercebo-me que pouca coisa na minha vida foi uma escolha minha. Escolhi muito pouco para mim porque me conheço muito pouco. Limitei-me a fugir da prisão em que me meti ao longo dos anos. Mas continuo acorrentada. Desta vez com correntes ainda mais compridas que as anteriores, com milhares de quilómetros entre elas.

 

Quem sou eu? Para onde vou? Não sei. Porque, e isto só o soube recentemente, nunca me dei oportunidade de me conhecer. Sempre me vi através dos olhos dos outros e sempre esperei a validação de terceiros para tomar as minhas decisões.

 

Quando choro não é por tristeza por causa da minha vida estar onde está, choro porque não tomei algumas decisões que queria ter tomado, choro porque não sei qual das decisões é a correcta. E hoje escrevo este post porque ando a martirizar-me com a procura de respostas que simplesmente não existem.

 

Não há decisões definitivas. Não há uma verdade absoluta. A minha verdade não é a tua. A minha verdade hoje pode ser uma e amanhã será outra.

 

Hoje disseram-me: "Falhar não existe. Falhar é um conceito abstracto."

 

E era tudo o que precisava ouvir hoje.

 

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