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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

31
Jul18

Nada(r).

Hoje fui à piscina com a H., como todas as terças-feiras. Normalmente vou lá e dou umas voltas, poucas, depois fico lá num canto a fazer exercícios das pernas e abdominais agarrada à beira da piscina. Costumo dar o meu dinheiro ali por mal empregue... se não fosse o jacuzzi nem metia lá os pés. Acabo sempre no jacuzzi e fico para lá a cozer naquela água quente. O bom do jacuzzi é que uma pessoa pode dar um pum discreto e ninguém dá conta. 

 

Hoje foi diferente. Hoje PRECISAVA de nadar, sentir-me a flutuar na água, gastar energias. Esquecer tudo, meter a cabeça debaixo de água e ouvir o vazio. Engraçado que quando estamos com a cabeça debaixo de água o silêncio é quase meditativo. E a sensação de falta de ar é algo que me deixa eufórica. Tenho uma tara com isto, e um medo imenso de morrer afogada. É como uma pessoa ter vertigens e atração pelo vazio em simultâneo. 

 

Nadei, nadei, nadei e no final não havia mais nada para pensar.

30
Jul18

Sonhos soltos.

Ultimamente tenho tido vontade de gritar

Muita mesmo

Gritar até me faltar o ar

E depois?

Escolher é renunciar

E eu tenho medo

Toda a vida esperei que a minha vida mudasse

Mas afinal sempre foi ela que esperou

Uma mudança da minha parte

E eu a insistir no mesmo erro

Vezes e vezes sem conta.

 

 

 

...

 

 

 

Vontade de esquecer tudo

De dizer foda-se para todos os projectos e sonhos

Que tinha há quatro anos atrás

Quando me vim embora

Sonhadora, pensei que ia ser fácil

Mas a vida não é fácil

E desistir não é opção

Nunca foi

Nunca será

Tenho que comprar asas para os meus sonhos

E deixá-los voar.

 

 

 

...

 

 

 

A verdade é que o mais difícil é perdoar

Esses erros do passado

Dizer ao meu eu mais novo que a culpa não é dela

Que ela fez o que podia com o que tinha

Que é injusto para ela eu hoje julgar que tudo foram más escolhas

Ela estava perdida

Tudo era nevoeiro

Hoje vejo mais claramente

Hoje sei que podia ter adaptado muitos sonhos

Podia ter moldado muitos desejos

Aprendido a aceitar o que tinha

Mas que piada isso teria?

 

 

 

...

 

 

 

É hora de deixar os sonhos voar.

27
Jul18

Carência.

Um dos meus maiores defeitos, sem dúvida.

Sou carente. E muito.

Conheço alguém que me pareça minimamente aceitável e já esqueço todos os meus padrões e exigências.

Contento-me com o "mais ou menos", com o "vamos ver no que isto dá", com o "benefício da dúvida", com o "antes isto do que pior", com o "ele até faz isto e aquilo que são coisas boas".

Depois todas as minha relações acabam da mesma forma. Eles afastam-se.

Escondo tanto do que sou ao início que quando começo a mostrar quem verdadeiramente sou eles ficam confusos. Mas quem é esta? E a minha carência deve ver-se a léguas de distância, que os moços nem têm coragem de me dizer "já não te acho interessante", "quero acabar".

Nada, fica ali um vazio, uma dúvida a pairar no ar: "será que ainda estamos a fazer isto juntos?", "será que ele ainda quer um relacionamento comigo?".

E depois sofro. Sofro bastante, porque não fui exigente, deixei-me levar pelo "mais tarde logo se vê" e anulei-me enquanto mulher e pessoa. 

Não se enganem, os narcisistas, manipuladores e coisas do género eu consigo topar, duram no máximo alguns meses e depois mando-os dar uma volta. 

O meu problema, o maior problema, são os rapazes "assim-assim", aqueles em que olho para eles e digo "nhé, nada de especial, mas vai ter que remediar".

Nunca arrisco naqueles que deixariam o meu mundo de pernas para o ar. Na minha cabeça um rapaz assim não iria apaixonar-se por mim, porque o faria ele? Eu não sou merecedora de uma grande história. Estou destinada a situações inacabadas, coisas por dizer, dúvidas eternas sobre "o porquê?" do afastamento. Afinal, eu tinha dado tanto à relação, porque tinha que acabar assim? Sem ter sequer direito a uma explicação?

E sofro, e volto a sofrer, e as coisas vão se tornando cada vez mais curtas, pois agora as "aplicações de encontros" permitem tornar tudo mais rápido... falas uns dias com a pessoa, 2 encontros depois estás em casa dele a fazer amor com ele, nos lençóis dele, e 3 semanas depois ele deixa de falar contigo gradualmente, só te responde por educação, e quando deixas de ser a primeira a meter conversa, nunca mais tens notícias dele.

E tu que já tinhas dado tanto.

Um ciclo repetitivo. Algo com o qual não vou conseguir lidar, não estou a conseguir lidar, nunca conseguirei aceitar. 

E no fundo, bem lá no fundo, sei que a culpa é minha. Não me amo, e atraio este tipo de situações para a minha vida. Em vez de estar sossegada a viver a minha vida, a acreditar que o que será meu, às minhas mãos virá parar. Não. Ando a forçar coisas, a querer ter nem que seja tirado a ferros, um romance do outro mundo.

Uma sonhadora. Uma rapariga carente. Alguém que cresceu a acreditar que não merecia ser verdadeiramente amada, que nenhuma das suas escolhas era a correcta, que precisava de alguém para decidir tudo. Alguém que pensa que é um homem que vai salvá-la desta solidão que sente todos os dias, deste vazio no peito, desta vontade de nunca estar onde está, de que podia estar melhor noutro sítio. Mas qual sítio?

A eterna insatisfeita hoje vai dormir com todas estas questões no peito. A questão aqui nunca foi receber o raio da mensagem, ou que ele se apaixona-se por mim, a questão aqui é não me amar o suficiente para saber que, mesmo que a mensagem não chegue, ou que o amor dele não surja, está tudo bem.

E ficará sempre tudo bem enquanto me tiver a mim.

Só preciso de amar mais esta pessoa que tenho sempre comigo.

Mas parece-me que isto vai ser um projecto para a vida toda.

 

22
Jul18

E hoje o jantar foi...

Olá malta desarrumada. Aqui estou eu a contar novidades alimentares. Hoje o jantar foi num restaurante português aqui em França para festejar o aniversário de uma colega portuguesa.

 

Leitão! Olhem para esta delícia! Sobremesa: mousse de chocolate e arroz doce. Eu e a H costumamos dividir as sobremesas, assim provamos sempre duas coisas diferentes! Mas não houve cá foto para ninguém... gulosas!

 

IMG_20180721_201827.jpg

 

18
Jul18

A minha vida tem sido isto!

 

Estudar francês! E só Deus sabe como eu detestava esta língua na escola... sempre convencidíssima de que, a emigrar, iria escolher o Reino Unido! (estive quase a tomar essa decisão by the way!)

Quis o destino que viesse parar a França e não me arrependo nada. Engraçado que... tenho sempre aquele receio de me arrepender das minhas decisões mas isso acaba por (quase) nunca acontecer!

Amanhã é o exame... e depois já posso relaxar! Desejem-me muita merda!

 

Bisous na bunda! 

 

 

17
Jul18

Nunca pensei ser capaz!

Mas depois deste post já lá vão 3 dias sem Instagram... e sobrevivi...!

 

Se penso constantemente nos stories que ando a perder e que vão ficar a flutuar na eternidade da minha ignorância?  Sim!

 Se acho que vou ultrapassar o vício e sair daqui mais fortalecida? Pois, claro!

 

Vamos lá! O que aguentar agora vai ser o meu record a ultrapassar... desde 2014, é a primeira vez que fico tanto tempo sem ir a esta aplicação... e esse " tanto tempo" são 3 dias... por isso imaginem o grau do meu vício...

 

 

Beijo na bunda! 

 

 

14
Jul18

Desinstalei a app do Insta.

Tenho andado com os níveis de ansiedade nos píncaros... por isso decidi apagar esta app que me deixa muito insegura, tanto fisicamente, como psicologicamente. Já me estou a imaginar o dia todo com sintomas de abstinência! Seja o que for, tempos desesperados pedem medidas desesperadas! Coração que não vê, olhos que não sentem... pode ser que isto seja o início de uma vida sem redes sociais... nem eu acredito nisto... mas quem sabe se lhe ganho o gosto?

14
Jul18

Diário de bordo 14.07.2018

Preciso de desabafar. Gritar até me rebentar as artérias! Como dizia o outro... mesmo que possa parecer injusta nas coisas que vou dizer.

Sinto-me mal, a férias não me fizeram bem, muito pelo contrário. Devia ter tirado menos tempo. 3 semanas, 2 das quais passadas com os meus pais, deixaram-me louca. Nunca mais volto a passar aqui tanto tempo! E deixo isto aqui escrito para consulta futura. 3 semanas sim, é uma das melhores formas de cortar com o stress do trabalho... adoro chegar ao trabalho e não me lembrar sequer dos nomes dos doentes, é sinal de que consegui desligar... mas em casa dos meus pais? Nunca mais!

 

Vou passar a enumerar os motivos pelos quais não volto a passar aqui mais do que uma semana de cada vez:

 

- os meus pais não saem de casa, eles não fazem literalmente mais nada para além de trabalho, casa, ir às compras (de comida ao supermercado);

 

- as conversas são sempre as mesmas, críticas e mais críticas: aos outros membros da família, aos vizinhos, à sociedade, à crise, etc. consigo contar pelos dedos das mãos as vezes em que houve uma conversa com um tema positivo;

 

- estão sempre, mas sempre a gritar e a mandar vir um com o outro;

 

- eles estão os dois com excesso de peso, então comem, comem, comem, até não parar. A minha mãe cozinha imenso, muitas das vezes carne... quando digo imenso é tipo 2 frangos para uma refeição (somos 3 pessoas!), ou 6 bifes daqueles grandes, ou 8 entremeadas, ou um estufado numa panela enoooorme... e a regra cá em casa é "não há restos, não se repetem refeições". Ou seja, sinto-me como um pato em que estão a tentar enfiar comida pela goela abaixo. Como sem vontade a maior parte das vezes. E se não quiser comer, lá vem o tal discurso da culpa "ai, fiz isto para ti, olha que vai para o lixo, não respeitas o que faço por ti, vens cá e nem comes "nada"..." atenção, que ouço isto já depois de ter comido meio frango sozinha ou dois bifes enormes de vaca;

 

- se aceito sobremesa, "ai que gulosa", se não aceito "lá estás tu com a mania das dietas". foda-se, sinto que tudo que como está a ser escrutinado ao mínimo detalhe e que a tendência é sempre a coisa pender para o "comer como uma vaca", obviamente, as calças que trouxe no início da viagem já não me servem. Vou ter que voltar para França de vestido, pois recuso-me a comprar roupa para este peso, que não é o meu...

 

- não há legumes. Já tentei fazer a minha própria comida, saladas, coisas saudáveis, não dá, simplesmente não dá. Para além de passar a refeição a ser criticada, "isso é comida de coelhos, não vais ficar satisfeita, para que te dás ao trabalho de fazer essas coisas? quando estás de férias devias relaxar e comer esta comida tão boa que a tua mãe faz!". Desisti da puta dos legumes. Não adianta, acabava por comer a minha comida e depois ainda tinha que comer a deles, e não adianta dizer que não, o meu pai mete a comida no meu prato e muitas refeições já acabaram connosco aos berros. Tenho que comer o que eles querem para bem da minha saúde mental. O que vão ganhar com isto é eu vir cá muito menos vezes;

 

- as conversas sobre o meu futuro vão sempre parar ao "ai filha estás a ganhar tão pouco, emigraste por causa disso? vê se no próximo trabalho arranjas algo a ganhar mais porque se não nem vale a pena estares lá fora. quando trocares negocia muito, não sejas totó como sempre!" E isto sendo que eu nem lhes disse quanto ganhava, mas acho que eles pensavam que vinha ganhar de 5mil euros para cima (hello?) e já lhes expliquei que na minha profissão há tabelas de remuneração e que eu não sou nenhuma super-pessoa vinda não sei lá de onde que vai ganhar mais do que os franceses, só porque sim, só porque os meus pais acham o meu salário pequeno e que devia ganhar o mesmo que um engenheiro (sim, porque o primo não sei das quantas que é engenheiro informático ganha uns 8mil euros... "ya, mas eu estou na área dos técnicos de saúde, e essas profissões fazem quase sempre parte das camadas mais mal remuneradas dentro de um país! apesar de estarem acima da média do país em questão, nunca fogem ali muito da média..."). Em Portugal ganhava cerca de 1/3 do que ganho neste momento, e eles mesmo assim acham que "compensava" voltar. Para que é que perco tempo a explicar-lhes estas coisas?

 

- depois há os dias em que tenho que ouvir um "estás lá tão bem, não voltes para cá, que vens para cá fazer? isto é uma pasmaceira, o país está tão mal, não te safavas..." Oh Deus... Às vezes acho que sou filha de pessoas bipolares, não admira eu ter ficado com problemas psicológicos. Minha gente, se querem filhos saudáveis, parem de opinar sobre cada área da vida deles, a saúde mental deles em adulto agradece;

 

- e por último... o melhor tópico! Alguém faz ideia??? Namorado! "Vê se arranjas alguém, estás lá tão sozinha... a filha da não sei quantas emigrou com o namorado, e agora já casaram. estás a ficar para trás. nem estás a poupar dinheiro nem te estás a fazer à vida." Como se eles soubessem TUDO sobre a minha conta bancária e vida pessoal. E a cereja no topo do bolo "ah e se for um português jeitosinho e filho único de pais ricos ainda melhor, era o ideal! não venhas cá parar com um francês, isso é que não!" Mal eles sonham...

 

Pessoal... resumindo, estou cansada destas férias... na segunda-feira apanho o avião e na terça começo logo a trabalhar. Vou chegar lá com a sensação de que precisava de umas férias das férias. Não fisicamente, porque não tenho feito nada (já vos disse que eles não saem de casa e qualquer coisa que eu proponha, ou é longe, ou é cara, ou não é interessante, ou não vai valer a pena a deslocação...) e relativamente ao desporto eu bem tento fazer, mas até nisso já ouvi bocas porque "tomar banho todos os dias faz mal e a conta fica muito cara..." então com o bafo que está nem faço desporto nem nada porque não conseguia deitar-me sem tomar banho.

 

Pronto, este foi o desabafo do dia... agora lembro-me bem porque é que saí de casa aos 18 anos sem intenções de voltar a meter aqui os pés. Infelizmente às vezes calham-nos pais tóxicos na rifa. Eu gosto muito deles,mas prefiro não morar com eles. Eles dão comigo em doida, é como se eu fosse um "alvo" e não me pudessem deixar sossegada 5 minutos seguidos. Por exemplo, enquanto escrevia este post aqui sossegada no computador, já vieram falar comigo 3 vezes. Não sei como é que (às vezes!) consigo ser um adulto funcional na sociedade!... e estes 7kg que já engordei? Que me estão a deixar tão em baixo? E a ouvir um... "ai filha quando aqui chegaste o teu rabo estava mais para cima, está a ficar com um aspecto tão mole..."... Cruzes, salvem-me deste filme!

 

Gostava de me ter tornado alguém com mais auto-estima e confiança. Tinha-me ajudado muito mais e a minha vida podia estar muito melhor, ao invés deste mar de críticas constantes que não ajudam nada e que sempre ouvi durante a minha vida toda... ainda assim escolho aplicar o princípio da gratidão e dizer que agradeço tudo que fizeram por mim e as oportunidades que tive na vida. E que isto tudo só me vai deixar mais forte. E que espero não ser assim com os meus filhos...

 

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