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Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

Diário de uma desarrumada

. desarrumações . emigração . humor parvo . lifestyle . badalhoquices . coisas de gaja .

30
Abr18

Eu num autocarro, durante 22 horas.

Tanto ouvi falar na Eurolines que decidi experimentar. Os preços dos vôos "low cost" estavam pela hora da morte (sim, meti entre aspas de propósito, porque não é nada low cost pedirem-me mais de 200€ para um vôo durante o feriado) e lá fui eu toda contente comprar um bilhete de autocarro de 62€, que me deixa praticamente à porta de casa lá nas Franças.

 

A única desvantagem é mesmo ter que passar 22 horas sentada num banco de autocarro (e o risco de ter uma úlcera de pressão nas nalgas??? Ah pois, disso eles não falam!)

 

O que vale é que isto tem carregadores com entrada USB e casa-de-banho. Só faltava serviço de bar com caipirinhas à descrição e tinha tudo para ser a viagem perfeita!

29
Abr18

Aventuras num hostel em Lisboa.

Depois de uns dias impecáveis em Aveiro lá fui eu rumo a Lisboa. 

 

"Tirem-me deste filme!!!" foi o que a minha mente gritou bem alto depois de um lanche e jantar com os doidos varridos aqui da blogosfera! TriptofanoDavid e Tatiana

Fátima e Coiso, abraço para vocês que estiveram ausentes, fica para uma próxima!

Um beijinho especial para o cara-metade (quando é que ele faz um blog, mesmo?). Sim, Triptofano, o teu cara-metade merece uma linha especial neste post porque foi o condutor e tu sabes que nem eu e tu gostamos lá muito dessa coisa chamada "conduzir"!  E era preciso que me pagassem uma boa nota preta para eu conduzir na capital de qualquer país!

 

Chegada ao hostel fiquei, como é óbvio, no beliche de cima! Num quarto com 10 pessoas, entre as quais havia muitos gajos (não vos consigo dizer a percentagem exacta) mas sei que praí 3 ressonavam e passaram a noite toda a fazer um concurso secreto de "vamos lá ver quem ronca mais num menor período de tempo!"

 

E hoje de manhã ainda meia bêbada de sono ia a descer aquela traquitana e dei um passo em falso num degrau, quase que me esbardalhava cá em baixo, no chão do quarto. O que vale é que só fiz um barulhão enorme e acordei toda a gente, podia ter sido pior! Foi a vingança pelos roncos!

 

Entretanto estou aqui a escrever isto na sala do hostel, que fica no caminho para a casa-de-banho, e já passaram uns quantos jeitosões em boxers com uma toalha na mão, a maior parte brasileiros (já vos falei da minha vontade de um dia provar um bom salpicão brasileiro?). Será que precisam de ajuda para esfregar qualquer uma das suas partes anatómicas? Quando digo qualquer coisa, é mesmo qualquer coisa. Eu cá não sou esquisita e gosto de pessoas limpinhas.

26
Abr18

Pensamentos no comboio.

Estou aqui no comboio regional da CP (a evolução na eficiência da CP é notável, hoje só estão com 20 minutos de atraso). Levo os ouvidos quase a sangrar porque vai aqui um gajo a ouvir reggaeton com o telemóvel em altos berros (só em Portugal é que esta merda é permitida, em França já tinha levado com o pica em cima para desligar aquela bodega por desrespeito com os outros passageiros).

A paisagem linda da zona do Dão, Beira Alta e afins está toda destruída, as árvores estão todas queimadas e só agora parecem começar a recuperar as folhas verdes. Até quando? O verão está quase aí.

Estava a ver as redes sociais (apesar de ter um livro espectacular na mala à espera para ser lido) e a pensar em que como a vidinha de toda a gente é tão perfeita. Depois olhei para a minha conta instagram com muita atenção, e efectivamente, se alguém se basear só naquilo para avaliar a minha vida, vão dizer que ando felicíssima. O que não é o caso. As redes sociais são uma farsa, e andamos todos presos naquilo, eu incluída.

25
Abr18

Juízo.

Hoje é feriado, e foi aproveitado com a família (yeay!).

 

Sim, este ano vim passar o aniversário com a minha família em Portugal pela primeira vez em 3 anos. 2018 é o meu 4º ano em França. Desde que tinha 23 que não festejava esta data com a família. Fiquei contente, ah pois fiquei!

 

Pena esta situação do meu avô. Mas pronto, tudo se há-de resolver.

 

Queria escrever aqui aquelas coisas lindas sobre estar na terrinha, ir dar uma voltinha pelo campo, respirar o ar puro, sentir esta brisa que vem da Serra, ver os pastores, ganhar coragem para, pela primeira vez em anos, correr no centro da vila sem ter vergonha. Mas tinha tanto para dizer e ao mesmo tempo tenho tido tão pouca vontade de escrever. Eu sei que a vontade volta e que isto é só uma fase. Desta vez nem pensei em apagar o blog, como já o fiz anteriormente noutras fases off, por isso posso considerar que ando a fazer progressos na gestão da frustração e falta de inspiração para o blog.

 

Já vos disse que consegui ir correr no centro da vila onde cresci sem ter medo do julgamento dos outros? Ainda por cima durante um feriado em que havia pessoas a passear na rua? Estou orgulhosa de mim. E tenho a agradecer à corrida por ter entrado na minha vida nesta fase, é das poucas coisas que me tem motivado e mantido à tona de água. É das poucas coisas que anseio, a cada dois dias lá estou eu pronta para correr, e às vezes vários dias seguidos, porque esta porra faz-me bem, e ajuda-me a conseguir aguentar a escuridão que vai nesta cabeça.

 

Opah, e já vos disse que fiz 27 anos esta semana? Dizem que é o início da idade do juízo. Se for só o início então ainda tenho algum tempo disponível para fazer asneiras antes que o juízo a sério chegue.

 

 

12
Abr18

Tesourinhos ridículos #5

No que toca a carro tenho uma tendência a fazer acumulação de tralha e muuuuito lixo. É tanta tralha que nem vos passa pela cabeça... ao ponto de ter pacotes de batatas fritas pelo chão, garrafas de água incontáveis vazias, recibos de compras e outros papéis diversos, etc. Conhecem alguém assim, certo?

 

O "pior" disto tudo é que, quando finalmente vejo que aquilo é uma pocilga com rodas, decido limpar tudo e chego a passar tardes inteiras de volta daquilo... hoje foi um saco do lixo inteiro fora, mais aspirador e paninho no tablier. No fim, uma pessoa sente-se super bem com um carro a "brilhar". É nesse momento que prometo a mim própria que nunca mais vou deixar o carro chegar ao estado caótico em que estava.

 

Está bem está, nem eu acredito nisto.

 

#souumasemvergonha

#pocilgacomrodas 

11
Abr18

O meu avô é o mais forte.

O meu avô é aquele homen forte e corajoso, muinto maior do que eu. O meu avô sobe às oliveiras com o pau de varejar para fazer cair a azeitona. O meu avô poda a vinha toda de alto a baicho sozinho sem ajuda. O meu avô condus um tractor sozinho, e nunca quis tirar a carta de condução porque o tractor sempre lhe chegou para ir onde precisa. Eu gosto de ir na parte de tras do tractor quando vou à vinha com ele. Às vezes ele senta-me à frente do volante, naquele banco minúsculo, entre as pernas dele, e diz que se a polícia o apanha podem o chatear muito porque é proibido levar meninos e meninas de 5 anos na parte da frente do tractor. O meu avô esteve 11 anos emigrado na Suisa para dar de comer à mamã e ao tio, porque me disseram que só avia uma lata de atum para 3 pesoas na mesa. Mas depois voltou para Portugal porque tinha muintas saudades da avó Maria e do monte.

O meu avô enervase facilmente e manda nos falar mais baicho quando quer ver o jogo de futebol na televisão, às vezes chateia-se mesmo muinto e sai de casa para ir ver o resto do jogo no café. O meu avô gosta de comer broa de milho com queijo da serra, às veses com chouriça, outras veses com presunto e muitas veses come um papo-seco com marmelada. O meu avô gosta de cortar uma masã aos pedaços com a navalha que traz sempre no bolso e dá me um bocado cada vez que vou com ele ao monte. O meu avô fez-me um ancinho pequenino com paus de madeira e pregos para ir com ele apanhar caruma à mata. Ouvi diser que construiu a casa da avó Maria sozinho. O meu avô é o mais forte e o melhor do mundo! Quando for grande quero ser corajosa como ele!

 

 

O meu avô cresceu muito, hoje já é um senhor crescido e cheio de força, apesar de, com o passar dos anos, ter ficado mais baixo do que eu em altura. Festejei muitos aniversários com ele, mas nos últimos 3 anos não pude estar em nenhum fisicamente. O meu avô às vezes esquece-se do meu aniversário, mas fica muito contente e fala horas e horas a fio quando eu ligo para lhe desejar um bom dia de anos, apesar de já ser uma menina grande e estar muito longe. Ainda há duas semanas festejou os seus 75 anos, e que alegria foi quando eu lhe liguei "das Franças". Ele fala alto para eu o conseguir ouvir bem aqui, e porque está a ficar "môco", como ele diz.

O meu avô é muito forte, no entanto, ontem teve um AVC e está numa cama de hospital sem conseguir falar e mexer-se. O meu avô é aquela pessoa que toda a gente devia ter na sua vida de criança. E mesmo mais tarde, nunca se é demasiado crescido para ter um avô tão forte e corajoso como o meu.

07
Abr18

Diário de bordo 07.04.2018

ansiedade.jpg

 

Para vos fazer o ponto da situação, já ando há um mês a sair com o rapaz do Tinder, que daqui para a frente vou chamar de S. As coisas têm corrido globalmente bem, no início as diferenças fizeram-nos chocar um pouco, nomeadamente as visões sobre o dinheiro e as ambições na vida, mas temos conseguido encontrar um equilíbrio e as coisas estão a correr cada vez melhor. Acho que posso dizer que estamos numa relação! E não, não vos consigo dizer já se é o homem da minha vida, mas decidi deixar de procurar isso a qualquer preço e tentar aproveitar o momento presente.

 

Esta semana, tive alta crise de ansiedade com ele aqui. Ele veio cá jantar e depois meti-me a chorar já antes de irmos dormir. Alta crise de choro. Ele ficou meio abananado sem saber o que pensar ou dizer. Digamos que o moço não tem muito jeito com as palavras. Pediu-me para lhe explicar o que se passa e eu como é óbvio não conseguia, só lhe consegui dizer que andava muito triste e sem razão, que andava a pensar procurar uma psicóloga. Ele só me deu um conselho tão simples, mas mesmo tão simples, ao qual eu já pensei tantas vezes, mas nunca consegui meter em prática até ao dia em que ele me disse. 

 

Descansar e dormir mais. 

 

Foi isto. Que antes de procurar quem quer que seja, devia deixar de dormir só 5 horas todas as noites, devia tentar almejar as 7 horas de sono, sobretudo agora que faço muito desporto (mais de 4 vezes por semana de actividade física). Ele disse-me que não fazia sentido eu estar "tão mal", tendo uma "vida tão boa". Eu disse-lhe que era fácil falar quando não se está a passar por elas. Ele disse-me para experimentar descansar mais, e que depois falávamos. Se ainda estivesse mal, aí devia procurar ajuda...

 

Pois bem, desde que tive esta conversa com ele, em que quase recebi um pontapé na bunda para parar de ser parva, as coisas têm andado melhor. Deito-me antes da meia noite todos os dias, deixei de me meter aquela pressão estúpida de fazer montes de coisas antes de ir deitar, e cortei no meu vício do telemóvel. Afinal, seja o que for que se tenha passado nas redes sociais, ainda vai lá estar de manhã.

 

Isto é muito, muito parvo, eu sei. Mas há mais de 3 anos que não dormia tanto, desde terça-feira dormi em 5 dias o equivalente a uma semana e meia... e ando bem, não espectacularmente bem, mas bem. A ter uma vida normal. E como consegui? Pensei para mim própria "a partir de agora o sono é o meu medicamento para a depressão, e respeitar a dose diária é tão importante como comer bem, fazer desporto ou tomar outro qualquer medicamento essencial." Isto mudou o meu mindset, nestes últimos dias deixei de ver o sono como uma perda de tempo, e tem corrido muito bem. Será que é desta que começo a gostar da minha vida?

 

Não percam os próximos episódios 

 

02
Abr18

Exigência.

Isto é um diário e como tal despejo aqui, sempre que posso, o que me vai na alma. Vamos lá.

 

Fim-de-semana muito bom, passeio com os amigos portugueses que vieram morar temporariamente para a minha zona. Tem-me feito bem eles estarem cá, acho que sem eles esta fase tinha sido pior. Qual fase? Perguntam vocês... Já explico.

 

Tenho andando extremamente ansiosa, perdida mesmo, sem saber o que quero para a vida. Isto de ter que escolher entre várias opções dá cabo de mim. E o "problema" é que nunca uma geração teve tantas escolhas à sua frente. Largar tudo e ir conhecer o mundo? Optar por uma carreira mais profissional? Abrandar e concentrar-me mais na vida pessoal (casa, filhos, etc)? Hmmm... tudo questões pertinentes às quais não sei responder. E não devia querer responder. 

 

Muitas vezes fico com a aquela sensação de que quero ter tudo e que acabo por não ter nada. Já tentei várias vezes contactar uma psicóloga aqui na zona para me ajudar com estes sentimentos de incompetência, frustração e ansiedade. Às vezes acho que estou no início de uma depressão, depois há dias em que estou quase-eufórica, serei bipolar? Who knows... desisto sempre de ir ver a senhora psicóloga, tenho medo que ela pense que sou uma tonta, uma privilegiada que só sabe queixar-se. Isto tudo ainda é mais difícil quando nem o nosso cérebro percebe o porquê de estarmos infelizes... quando temos tanto e, apesar de tudo, achamos ter tão pouco.

 

Tenho medo de procurar ajuda e que isso ainda dê mais cabo de mim. Gostava de simplesmente não pensar, apagar tudo que tenho no disco duro da minha mente e simplesmente começar do zero, outra vez bebé, outra vez na barriga da minha mãe. Belo sítio para ir passar umas férias. 

 

Estou a passar por alguma crise de meia idade, mas ainda não estou na meia idade. Peço conselhos a pessoas mais velhas que me ajudam imenso, no momento sinto uma energia renovada, mas depois tudo volta ao mesmo. Sei que a felicidade não pode ser almejada o tempo todo, que a vida é feita de altos e baixos, que seria humanamente impossível estar sempre no pico de êxtase, que para a primavera existir (fase de construção) tem que haver um inverno (fase de destruição). Sei tudo isso e mesmo assim ainda sei tão pouco.

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas prevê-se que a programação do blog nos próximos tempos não vai ser a mais alegre... não porque não o queira, mas porque sinto que preciso de passar por esta fase de introspecção. E não tenho conseguido funcionar de outra forma. Apesar de as coisas à minha volta até estarem a correr bem e por fora parecer estar intacta. Por dentro estou partida e não sei o que me partiu.

 

Obrigada a quem se mantiver por aí.

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