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Diário de uma desarrumada

Bom ano novo! Eu já estou a pensar no que vou comer no Natal de 2018...

18
Jan18

Diário de bordo 18.01.2018

Insónia. Cansaço e alguma raiva. Vou falar de um assunto há algum tempo esquecido aqui no blog. A minha vida amorosa.

 

 

Resumindo, ou sou eu que sou muito exigente, ou há situações que, simplesmente, não me enchem as medidas, por mais que tente, por mais que me esforce. Já se sabe que relações à distância são uma merda. Não há forma de negar, não vale a pena meter paninhos quentes. Alguns conseguem, alguns dão o litro para que resulte, conheço uma rapariga que gasta entre 150 a 300€ para ir a Portugal a cada 3 semanas ver o namorado, mas ela mora no Porto, não no interior do país, como eu, ela está em Paris, não no interior de França, como eu... apesar de parecerem detalhes, o facto de passar quase 12 horas em viagem para ver o "mais-que-tudo" já me tira qualquer hipótese de sonhar com voos mais altos que me possibilitassem ir à terrinha mais vezes.

 

Mas não estou aqui para me queixar da minha localização geográfica.

 

Isto seria facilmente contornável se ele quisesse fazer mais. Se ele quisesse ir até Lisboa ou Porto, ou simplesmente organizar algo, um pedacinho de interesse, sem que tenha que ser eu a pensar no assunto, eu a organizar as férias, eu a organizar as chamadas, que são cada vez mais raras. (Ouvir a voz dele a cada 2 meses parece-vos normal?)

 

A inércia de algumas pessoas dá cabo de mim, a sensação de que ele já desistiu e se esqueceu de me contactar, é coisa para destruir uma pessoa. Ao menos que me digam quando a coisa já deu para o torto. Nem que seja uma sms, já não te quero. Amigos na mesma, pá!

 

Eu tentei, juro que tentei, até sugeri voltar para Portugal como era meu desejo há uns meses atrás. Insisti nesta ideia durante meses. Martelei na minha cabeça vezes e vezes sem conta que seria a opção certa, que era o caminho a seguir. Agora já não sei o que quero. Se volto, se fico, ou se me calo para sempre. 

 

Quando as conversas começam a ser só à base de "está tudo bem?" ou "como foi o teu dia?", é hora de saltar do barco, certo? É o chamado - quero voltar p'ra ilha! - e eu já voltava toda contente para aqueles primeiros meses de sonho. Meses em que a relação parecia possível e tudo era palpável. Quando dizíamos "quem quer muito alguma coisa, consegue". Onde estão o raio dessas promessas? Onde se escondeu o optimismo? Onde está o querer avançar na mesma direcção??

 

Fuck. Já arranjaste trabalho aí, não queres que volte porque "estou muito bem aqui", segundo as tuas palavras, e ainda por cima não queres contar à família porque "eles não iam compreender o facto de termos uma relação e não estarmos juntos fisicamente"... moço, não sei que te diga, nem compreendem eles, nem compreendo eu.

 

Vou dormir, que o meu mal é sono. E, se calhar, no meio disto tudo, vai-se a ver e até sou eu que sou demasiado exigente. Mas cada um aceita o amor que acha que merece. E eu acredito que não mereço SÓ isto.

20
Dez17

O passaporte chegou.

Recebi o meu passaporte. Nele vem escrita a frase de Luís de Camões "Esta é a ditosa pátria minha amada". Isto fez-me pensar que muitas vezes os portugueses associam o seu país à palavra amor. E não vejo muita gente de outros países a fazer o mesmo.

 

Tenho colegas de várias nacionalidades, nunca ouvi nenhum dizer que quer voltar para o seu país por amor. Alguns dizem que é pela família, outros dizem que é pelos amigos, poucos dizem que é por amor, só. Não sei se me faço entender.

 

No outro dia em Paris conheci uma americana, andava a fazer uma viagem sozinha na Europa e a visitar vários países. Quando ela começou a falar da viagem ainda não sabia que eu era portuguesa. Atentem no que ela me disse. Em inglês ela lá me explicou que estava a achar Paris linda, as luzes, os monumentos, tudo, que também tinha apreciado bastante estar em Espanha. Mas que a cidade preferida dela tinha sido Lisboa, e rematou dizendo "I love Portugal, if I could I would live there".

 

E foi isto. Num primeiro instante ela não descreveu os monumentos, não falou do clima, da comida ou das pessoas. Como acabou por fazer depois quando soube que eu era portuguesa. Antes de saber o que quer que fosse ela disse de forma espontânea "Eu amo Portugal".

 

E é isto... o que é que este país tem que nos faz amá-lo tanto? Porque é que sinto que o amor por Portugal cresce na parte de dentro das pessoas de forma irracional, em vez de entrar calmamente com argumentos bem pensados e racionalizados? Falei recentemente com um casal de franceses reformados que vai mudar-se de armas e bagagens para Portugal. E quanto tempo estiveram em Portugal antes de tomar a decisão? Uma semana. Pois é meus caros, uma semana chegou para tomarem uma das maiores decisões da vida deles.

 

Quando se gosta de Portugal, gosta-se porque sim. É amor à primeira vista. E isso para mim é motivo mais do que suficiente.

 

A precisar de recarregar baterias. Faltam 2 dias.

 

15
Nov17

Eram os teus beijos.

Saudades dos beijos ao pôr do sol, saudades de sentir o calor a bater na cara, a brisa do mar nos meus cabelos. Saudades. Palavra usada para o que foi mas ainda está aqui. Quando voltas?

 

Saudades dos beijos na Praça do Comércio, saudades dos beijos em Montmartre, saudades dos beijos naquele comboio que fazia o trajecto de Lisboa a Faro. Saudades de te beijar, porra. Quando voltas?

 

Saudades do início, saudades de tudo que sonhei, saudades de tudo que acreditei que ia acontecer. Saudades dos beijos no pescoço. Saudades dos beijos na mão. Saudades dos beijos na testa, naquela escada rolante, quando tentei ficar mais baixa que tu. Saudades, muitas. Ainda estás aí? Espero que voltes.

 

13
Out17

Desejo.

A ouvir Joni Mitchell e a beber uma taça de vinho penso em todos os momentos que tenho vivido contigo, na minha imaginação. Sabes que gosto de conforto, meu querido. Eu e tu, no México ou noutro sítio idílico, um paraíso na terra só para nós. Um sítio onde nos pudéssemos perder de amor, águas azuis quase transparentes, tesão garantido, meu caro. Se tu soubesses quantas vezes já te olhei nos olhos e disse desejar-te para sempre.

 

Já me perdi na tua voz, já fui à lua e voltei, tudo sem tu saberes meu amor. Já estivemos juntos em lençóis de seda, brancos. Os teus pés a deslizar nas minhas pernas perfeitamente depiladas, os teus dedos a passarem ao de leve na parte lateral da minha barriga, aquela zona que me faz arrepiar. Ah, e os beijos, aqueles beijos no pescoço e naquele cantinho atrás do lóbulo da orelha. Se tu soubesses quantas vezes já te amei, quantos orgasmos já tive contigo, quantas vezes já me levaste ao céu. Quero-te, intensamente, perdidamente, como só eu sei querer. Sabes, não sei amar pouco, nunca soube. E hoje eu dir-te-ia tudo, se somente pudesse tocar-te, sentir a tua presença, esvaziar a minha alma.

 

Meu amor, eu e tu, numa cama king size, pétalas de rosa cor de veludo, champanhe fresco servido com carinho. Sabes que sou do signo touro e a minha gente ama a luxúria de uma noite bem passada. Não estou a pedir muito, nunca peço muito, só peço que seja bom e intenso. Porque só assim sei amar-te.

 

 

 

03
Out17

Sobre ele.

Mesmo quando estou em pânico, uma conversa com ele, por muito simples que seja, chega para me acalmar e trazer à vida real, saindo do cenário catastrófico que teimo em construir na minha cabeça vezes e vezes sem conta.

 

Ele é tão calmo, tão racional, é o tipo de pessoa que mesmo em situações de stress consegue ficar zen e olhar para o futuro com otimismo.

 

Este rapaz é um anjo que caiu do céu directamente na minha vida. Não podia pedir melhor namorado. Um lado de mim acha que não o mereço, o outro lado de mim tem a certeza que se não for ele "o tal" não haverá mais nenhum.

 

"E se não for contigo, 

Então eu desisto."

 

10 meses de ti... 

 

 

 

02
Set17

Posso?

Posso parar o tempo nesta semana? Posso continuar a aproveitar o calor, a cidade de Faro, os passeios nocturnos, os beijos dele, a pele bronzeada e salgada, até me cansar e talvez desejar, ou não, os dias tão frios que me esperam lá do outro lado? Posso ficar naquele momento em que ele disse "amo-te" pela primeira vez... para sempre? Posso nunca mais voltar e ficar aqui, com ele, até esquecer que o resto do mundo existe?

28
Ago17

O Inverno [ 16.09.2016 ]

Prometi que neste blog não iria ressuscitar posts antigos... mas vou quebrar a promessa. Já explico porquê.

Hoje foi um daqueles dias de chuva depois de um período de seca alargado... e segundo a minha mãe já não chovia aqui a sério quase desde Abril (vou confiar nela, mas ela exagera sempre um bocadinho, já sabem como são as mães).

O cheiro que se faz sentir na rua fez-me lembrar um dos meus posts preferidos do blog antigo. Este é o post (o único!) em que falei sobre o meu actual namorado como sendo uma boa recordação do passado, sem saber sequer que iríamos estar a namorar quase 3 meses depois.

A vida às vezes traz destas coisas. E aprendi assim que há momentos em que tudo muda e a vida como a conhecíamos antes deixa de existir para entrarmos numa fase com a qual nunca sonhámos. Os blogs estão cá para nos relembrar das imprevisibilidades da vida. E sabe tão bem saber que é assim.


O Inverno
16 de Setembro, 2016

 

Chega o dia em que chove pela primeira vez depois de alguns meses de calor, abres a janela e a casa é invadida por aquele cheiro bom de terra molhada. Recordações de infância pululam na tua mente.

Sabes que sentirás para sempre esta sensação, quer tenhas 30, 40, 50 ou 80 anos. E agradeces teres sentido o cheiro da terra quando eras pequena. Agradeces ter brincado no meio dela, teres feito castelos e bolos de terra. Teres chegado a casa suja vezes e vezes sem conta. Teres brincado com o teu irmão no meio da terra. Teres tido o teu primeiro amor de infância na aldeia dos teus avós, e o teu primeiro beijo ter sido atrás de um arbusto, precisamente num dia de final de verão em que cheirava a terra molhada. Agradeces teres essa recordação. Teres tido a oportunidade de viver nesses tempos em que a vida era vivida um dia de cada vez.

Tens saudades, tu sabes que sim, é inevitável. As tuas amigas dizem que é isso que faz de ti alguém com coração. Tu respondes que sim, concordas, mas no fundo sabes que o teu coração já não está no teu peito, ele ficou lá, naquele tempo em que o cheiro a terra molhada era só o marco do final do verão. 

Como será a vida sem coração? - pensas. Sabes que estás a viver os primeiros anos do resto da tua vida. Sabes que tudo que virá agora vai roubar-te essas recordações. Em breve esquecerás o nome do padeiro, como jogar à cabra cega, o calor da lareira acendida pelo teu avô, o caminho para o jardim secreto da tua infância, como foi aquele primeiro beijo e a cor dos olhos da tua avó.

Se antes o cheiro de terra molhada significava o final do verão, agora significa o início do inverno. Já não sabes o que é o outono e a primavera, porque só o verão faz sentido para ti. O resto é frio, distância, saudade. É o inverno no teu coração.

 

 

24
Ago17

Aos sons que me arrepiam...

Estas férias em Portugal tornaram-se num voltar às origens, uma onda de recordações e saudade. Saudades, essa palavra maldita que só a língua portuguesa tem. Confesso que sou muito saudosista e que gosto de manter certos aspectos presentes na minha vida. A música portuguesa é um deles. E a guitarra portuguesa, que som vindo do céu, que arrepios que isto me provoca... afinal, sempre gostei deste som, e o engraçado é que nem sabia que gostava tanto.

 

Ouçam e digam de vossa justiça:

 

Emigrei, sim, mas não por ódio a Portugal ou vontade de "nunca mais lá voltar" como ouço muitos emigrantes a dizer ao desbarato (mas depois vêm para cá de férias emborcar cervejas nas praias do Algarve e jurar a pés juntos que Portugal é o melhor país do mundo).

 

Emigrei para ter uma progressão profissional que em Portugal seria difícil obter como recém-licenciada. E como ambiciosa que sou, nunca o escondi, na altura preferi sair. E cresci muito, hoje sei que teria feito tudo diferente enquanto cá estava, mas também sei que sem o que sei agora nunca saberia que havia outro caminho disponível. É um dos problemas que tenho encontrado na vida: às vezes as oportunidades chegam quando ainda não estamos prontos para elas e por isso deitamos tudo a perder, por falta de experiência.

 

Apesar de gostar do que faço e do que tenho em França, não me sinto feliz, não me sinto em paz. Parece que me falta sempre algo, há um vazio que permanece apesar de tudo. Tenho reparado que esse vazio parece um pouco mais preenchido quando estou em Portugal. E não sei explicar porquê, nunca pensei que fosse ser desses emigrantes que só falam em voltar, mas aqui estou eu, a admitir que o quero fazer e a dizer que não me imagino a ter uma vida 100% feliz fora deste país. Não sei quando nem em que circunstâncias o poderei fazer (voltar após alguns anos fora e começar tudo do zero sem ter uma rede de network criada assusta-me um pouco), mas quero e isso já vale alguma coisa, já me deixa um pouquinho mais em paz. Ao menos isso.

 

08
Ago17

Como posso não querer isto?

Estou apaixonada pelo meu amigo de infância, é oficial. Tudo mudou desde o último verão e esta última semana confirmou o meu sentimento.  

 

Espero que o momento de voltarmos a estar juntos chegue rápido, rápido. 

 

A almofada ainda tem o cheiro dele, vou só encostar a cabeça nela e sonhar mais um bocadinho com um mundo onde relacionamentos à distância não existam.

 

Logo, logo, volto às parvoíces do costume. Hoje só quero pensar nele. Até amanhã.

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