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Diário de uma desarrumada

Apostadinha em transformar isto num blog sério, mas não prometo nada.

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28
Ago17

O Inverno [ 16.09.2016 ]

Prometi que neste blog não iria ressuscitar posts antigos... mas vou quebrar a promessa. Já explico porquê.

Hoje foi um daqueles dias de chuva depois de um período de seca alargado... e segundo a minha mãe já não chovia aqui a sério quase desde Abril (vou confiar nela, mas ela exagera sempre um bocadinho, já sabem como são as mães).

O cheiro que se faz sentir na rua fez-me lembrar um dos meus posts preferidos do blog antigo. Este é o post (o único!) em que falei sobre o meu actual namorado como sendo uma boa recordação do passado, sem saber sequer que iríamos estar a namorar quase 3 meses depois.

A vida às vezes traz destas coisas. E aprendi assim que há momentos em que tudo muda e a vida como a conhecíamos antes deixa de existir para entrarmos numa fase com a qual nunca sonhámos. Os blogs estão cá para nos relembrar das imprevisibilidades da vida. E sabe tão bem saber que é assim.


O Inverno
16 de Setembro, 2016

 

Chega o dia em que chove pela primeira vez depois de alguns meses de calor, abres a janela e a casa é invadida por aquele cheiro bom de terra molhada. Recordações de infância pululam na tua mente.

Sabes que sentirás para sempre esta sensação, quer tenhas 30, 40, 50 ou 80 anos. E agradeces teres sentido o cheiro da terra quando eras pequena. Agradeces ter brincado no meio dela, teres feito castelos e bolos de terra. Teres chegado a casa suja vezes e vezes sem conta. Teres brincado com o teu irmão no meio da terra. Teres tido o teu primeiro amor de infância na aldeia dos teus avós, e o teu primeiro beijo ter sido atrás de um arbusto, precisamente num dia de final de verão em que cheirava a terra molhada. Agradeces teres essa recordação. Teres tido a oportunidade de viver nesses tempos em que a vida era vivida um dia de cada vez.

Tens saudades, tu sabes que sim, é inevitável. As tuas amigas dizem que é isso que faz de ti alguém com coração. Tu respondes que sim, concordas, mas no fundo sabes que o teu coração já não está no teu peito, ele ficou lá, naquele tempo em que o cheiro a terra molhada era só o marco do final do verão. 

Como será a vida sem coração? - pensas. Sabes que estás a viver os primeiros anos do resto da tua vida. Sabes que tudo que virá agora vai roubar-te essas recordações. Em breve esquecerás o nome do padeiro, como jogar à cabra cega, o calor da lareira acendida pelo teu avô, o caminho para o jardim secreto da tua infância, como foi aquele primeiro beijo e a cor dos olhos da tua avó.

Se antes o cheiro de terra molhada significava o final do verão, agora significa o início do inverno. Já não sabes o que é o outono e a primavera, porque só o verão faz sentido para ti. O resto é frio, distância, saudade. É o inverno no teu coração.

 

 

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