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Diário de uma desarrumada

Desarrumada na casa e na alma, sou eu, prazer. Um pensamento por dia. Ou quando me apetecer.

Diário de uma desarrumada

Desarrumada na casa e na alma, sou eu, prazer. Um pensamento por dia. Ou quando me apetecer.

29
Out17

Sobre Estocolmo, primeiro dia.

Estou estafada, andámos 22km hoje, vimos uma grande parte da ilha de Gamla Stan. Almocei um bagel com salmão fumado divinal. Caro mas bom. Fomos à biblioteca municipal e descobri que ela é redonda, muito bonita. Acabámos a noite num bar gay com boa música. Paguei 16€ por um cocktail de gin e grenadine que veio servido num copo do Ikea de vidro falso. Um gajo com o cabelo louro platinado disse-me que eu podia usar o urinol dos gajos porque as mulheres mijam para trás (whaaaaat???). Amanhã há mais.

28
Out17

Como vim parar a França.

Estou com vontade de divagar sobre algo que ainda não tinha falado neste blog (falei no meu antigo, mas quando passei para este blog não trouxe os posts comigo)...

Este post é programado, por isso quando ele sair espero estar a curtir milhões as belas vistas do arquipélago de Estocolmo e a beber um cafezão daqueles num momento bem hygge.

 

O porquê de estar a morar numa cidade em França que me agrada mais ou menos, mas com um trabalho que já não consigo suportar. Porquê? Pergunto eu todas as manhãs.

Na vida podemos escolher tudo, e quando digo tudo, parto do pressuposto que com a escolha da forma como me quero sentir também posso, de alguma maneira, modificar a minha realidade.

 

Sobre mim, vim para aqui através de uma proposta que vi na Internet... na altura pareceu-me bem começar por uma vila pequena, não sabia muito da língua, e estando o meu local de trabalho muito necessitado de profissionais com a minha formação, a forma para obter a autorização de trabalho seria facilitada. E foi o que aconteceu, foi muito fácil, num mês estava a decidir sair de Portugal e no outro mês já cá estava. Limpinho, limpinho.

Até aí tudo bem, já havia portugueses cá, vim com outra colega portuguesa, por isso, no primeiro ano em França digamos que não senti muito os efeitos de estar longe, era tudo novo, havia tanto para aprender, tinha muitas saudades, mas quando ia a Portugal sentia que estava tudo na mesma, os amigos estavam iguais, a família estava igual, nada tinha mudado. 

Ao fim de um ano fiquei a morar sozinha. Fiz várias amigas francesas do trabalho e 2 delas aproximaram-se mais, dou graças a Deus elas serem as melhores pessoas que o destino podia ter metido no meu caminho nesta fase da minha vida. Elas são espectaculares e são de uma paciência infinita, é engraçado como temos as 3 os mesmos problemas, e frequentemente damos por nós a desabafar sobre coisas que todas sentimos. Muita empatia, gosto mesmo delas. Foi com elas que vim viajar by the way...

 

 

27
Out17

Outono e bixos.

É impressão minha ou ando a ver teias de aranhas por todo o lado?? É no carro entre o retrovisor e o vidro, é nas escadas para chegar ao meu andar, é uma teia de aranha em cada canto (e são 4!) da minha sala, é no caminho do trabalho para casa, elas atravessam-se à minha frente e entram-me na boca sem eu estar à espera... fogo, de onde é que veio esta bixeza toda???

26
Out17

Sobre Estocolmo, a fazer as malas.

Querido diário, estou a fazer a mala para o fim-de-semana. Vamos embora amanhã, estou admirada comigo mesma por estar a fazer a mala no dia anterior à viagem e não antes de sair de casa como já vem sendo hábito. A J. e a H. já fizeram as malas delas. Sou sempre a mesma atrasada, mas estou a evoluir.

 

Por agora tenho uma constatação a fazer:


- Em Agosto consegui aguentar-me 3 semanas em Portugal com uma mala de cabine, mas para ir 5 dias de Outubro a Estocolmo estou a aperceber-me de que com apenas 3 camisolas de malha já enchi a mala. Onde vou enfiar o casaco, o gorro, as luvas e os 200 pares de meias que queria levar???

23
Out17

A sentir uma espécie de cansaço.

Pensei que já não vinha aqui mais hoje, mas tinha que desabafar isto antes de me deitar, e já são quase 2h da manhã, por isso vamos lá. Hoje passei o dia em casa a arrumar e a destralhar. Admito que ainda não acabei, mas já estava a ficar cansada. Cansada de ver tanta tralha, cansada de me aperceber que ao longo de 3 anos aqui gastei dinheiro em produtos que nunca acabei, que hoje deitei fora, em roupa que usei mas pela qual nunca fui verdadeiramente apaixonada. E não é só o dinheiro que gastei que me dá pena, podia ter sido utilizado de muitas maneiras melhores, eu sei, mas é a carga mental que todas estas coisas adicionam na minha vida. Por exemplo, hoje deitei fora 3 frascos de creme que nunca acabei e ainda deixei ali uns quantos para "ver se acabo", camisolas de má qualidade que comprei em ataques de loucura nas compras e que agora nem gosto nem correspondem ao meu estilo, calças nem se fala, para além das que deixaram de me servir quando engordei, das que comprei quando estava mais cheinha e que agora já não servem porque emagreci, isto está uma confusão, estar entre dois tamanhos é tramado. Aliás, acabo sempre por comprar roupa por impulso mais cara, porque não reflecti bem, ou mais barata só porque está em promoção, e isto faz com que não tenha nenhum estilo definido. Mas ás vezes acho que me estou a cagar para isso de ter um estilo, ou ser fashion, ou ser fit, ou estar bem penteada, bem maquilhada, bem parecida... mas meto-me uma pressão enorme para seguir determinadas tendências ou ser como determinadas pessoas. Estou farta de ser assim. Estou farta de querer ser alguém que não sou. Só sei que quero ser leve, leve de preocupações, leve de objectos que só ocupam espaço, leve de expectativas... quero viver uma vida frugal, sem medo do futuro, dar menos importância ao dinheiro, mas mesmo assim utilizá-lo bem e para meu benefício. Epah, muito provavelmente este post não vai fazer sentido nenhum, são 2:13 da manhã, mas foi o que se arranjou. Boa noite.

21
Out17

Só para avisar. Estocolmo e outras coisas.

Com as semanas que se avizinham, estou a ver pouco tempo para o blog no horizonte. O que é que vou fazer perguntam vocês? Acho que ninguém perguntou, mas eu digo na mesma. Vou concentrar-me mais na organização da minha vida e vou viajar para Estocolmo durante 5 dias no próximo fim-de-semana. Por isso não estranhem se agora ficar algumas semanas sem dizer nada. Mas prometo que vou tentar escrever umas parvoíces curtas com o telemóvel só para alegrar a malta. Vão vendo o Instagram do blog, pode ser que também meta lá umas bacoradas.

 

Na organização está a casa  e a compra de um sofá como prioridade. Mais o resto das consultas na ginecologista e dermatologista (esta conto depois). Mais organizar o computador que está a arrastar de tanta tralha e isso também prejudica a rapidez com que consigo editar posts neste e noutro blog que tenho.

 

Relativamente a Estocolmo, vou fazer o contrário daquilo que a avó Maria diz, em vez de ficar em casa e poupar dinheiro como uma boa emigrante, vou passear e estourar uns quantos euros... mas viajar vale a pena, vale muito a pena! Sobre a escolha do destino eu, a J, e a H, pegámos no Skyscanner, metemos um voo a sair de Paris com destino para toda a Europa, nas datas que queríamos, e escolhemos o voo que estava mais em conta com aeroporto mais perto da cidade.

 

Como podem ver, esta viagem não foi nada de muito planeado. Dizem que são as melhores viagens. Faltam 6 dias e ainda não fazemos ideia do que vamos fazer por lá... por isso se alguém já lá foi digam-me o que mais gostaram e aquilo que é mesmo, mesmo, imperdível!

 

 

Beijinhos da vossa dESarrumada! 

20
Out17

Tesourinhos ridículos #3

Estão a ver aquelas embalagens de abacates que já trazem uns 4 lá dentro? Comprei uma dessas. O que estava indicado na caixa é "abacates no ponto", mas eu gostava de saber onde esta gente foi buscar o conceito de maduro??? É que entre os 4, havia 3 que estavam podres. E quando digo podres, minha gente, não estou a exagerar, não era ligeiramente mais maduros do que o normal, nem sequer era mais pretos do que o normal, eles estavam podrinhos da silva! Eu abria a casca e ela amolava-se toda qual papel, e depois saia de lá uma gosma nojenta com bolor. O maduro deles deve ser o equivalente à juventude da Betty Grafstein do Castelo Branco, aquilo por fora até escapa, mas por dentro uma pessoa nem sequer sonha o que para ali vai.

19
Out17

Missão #em2018ficoboa | 2

Esta semana quase que voltava a entrar no ritmo errado. Explico, tenho andado a tentar prestar atenção ao meu corpo, introduzi mais hidratos de carbono e tenho feito afirmações para diminuir os meus binges (tentar cenas mais psicológicas não custa nada, comigo tem resultado!). No entanto, nesta última sexta tive o período, e como sempre, uma FOME ENORME a acompanhar o maldito.

 

Nestes dias não é fácil dizer ao corpo que ele tem tudo o que precisa e que está tudo controlado, é stress e mais stress, por isso permito-me sempre umas quantas asneiras nesta altura do mês... um chocolate, umas batatas fritas, algo do género. Mas este desleixo, mesmo que temporário e sem consequências no peso, traz um problema - tinha que haver um problema se não isto de ser super saudável na sociedade actual seria fácil - é que quando se dá mais açúcar ao corpo ele "gosta" (através de mecanismos de picos glicémicos, proliferação de certas bactérias intestinais "viciadas" em açúcar) e vai pedir mais e mais açúcar para se manter neste novo "equilíbrio" fictício... Relativamente a isto gostava só de também deixar aqui uma pequena achega ao "vício" cerebral que o açúcar provoca através de reacções de libertação de dopamina e da activação do sistema de recompensa...  Por isso, entre intestinos, cérebro, equilíbrio glicémico, há muitas razões para estarmos todos - ou quase todos, vá - viciados em açúcar!

 

Ora bem, o facto de saber isto tudo ajudou-me esta semana... porque basicamente desde sexta que ando a comer uma ou várias porcarias por dia. Hoje foi o dia todo a comer chocolates de caixa porque um estagiário lá no trabalho vai embora e trouxe umas quantas caixinhas (Parece que está oficialmente aberta a época das caixas de chocolates de Natal lá no sítio onde trabalho!) e quando saí do trabalho ia, como já vem sendo hábito há alguns dias e o foi constantemente há uns meses atrás, ao supermercado aqui do lado comprar um daqueles pacotes de bolachas com pepitas que tem a bandeira dos EUA na embalagem e mais um pacote de batatas fritas. Ia lançada na minha asneira até que passo pela secção de legumes e vejo os abacates, pensei, ora que raios, quando andei na minha fase de tentar ser 100% Paleo andava sempre a comer disto, agora mal lhes toco, alguma coisa mudou. E tive o click, "tens de acordar para a vida moça!". Ando a comer menos legumes do que antes, apesar de continuar a perder peso, a dieta Paleo ajudava a que eu me esforçasse para meter sempre legumes variados no prato, e esse aspecto do Paleo faz-me falta. Por isso bota, comprei uns quantos legumes, nomeadamente cenouras, abacates, tomates e uma alface, mais umas pernas de frango (já tinha outras coisas em casa). Hoje o jantar é Paleo e não se fala mais nisso.

 

Fiz este post para mostrar que a ignorância dos mecanismos do nosso corpo às vezes leva-nos a cair nas ratoeiras do cérebro... "olha, olha, só mais um pain au chocolat não vai matar ninguém", diz ele, "pois, mas já ontem comi um pacote de bolachas inteiro, vai lá com calma que aqui a je respeita muito a sua saúde." Amo-me e não posso andar sempre a ingerir porcarias, entretanto vou experimentando coisas novas e vendo qual o tipo de alimentação que resulta melhor para mim.

 

Hoje o jantar é clean, porque o dia todo não o foi (maldita caixa de chocolates de Natal) e logo já meto foto da janta no Insta.

 

E vocês, também têm uma missão relativamente à vossa saúde? Como anda a correr?  

17
Out17

Afinal...

... os meus pais estão bem. As comunicações foram cortadas em todo o concelho e nos concelhos vizinhos. De vez em quando não havia luz, o fumo entra quando se abre a janela, há pessoas a usar máscara e crianças a desenvolver problemas respiratórios. O cenário é negro, há cinzas por todo o lado, os telhados estão pretos e os muros estão cheios de fuligem. Foi assim que a minha mãe me descreveu o que estão a viver.

Algumas casas do concelho arderam, uns quantos negócios nos concelhos vizinhos foram ao ar. E assim se perde tudo pelo qual se lutou uma vida, pessoas resilientes que apostaram no interior do país encontram-se hoje sem nada. O meu pai não teve um único cliente ontem no negócio dele, e hoje ia pelo mesmo caminho. O meu avô materno perdeu um pinhal inteiro e o meu avô paterno perdeu a vinha. E assim se perdem negócios e sonhos. Os incêndios matam, os incêndios levam com eles a esperança em dias melhores, os incêndios estão a dar cabo das pequenas vilas e aldeias do país. Fala-se em desertificação, numa Serra da Estrela cada vez mais vazia, mas ninguém ajuda quem lá fica. Depois as pessoas vão embora para as cidades ou estrangeiro. Já ninguém consegue ficar na aldeia que os viu crescer. Por outro lado, os da cidade gritam aos sete ventos que a "sua" cidade não dá para todos, e têm razão, não vamos conseguir caber todos nas cidades, um dia a bolha rebenta. O meu pai tem quase 50 anos e já fala em voltar a sair do país ou mudar-se para uma cidade. Ninguém aguenta viver no campo com condições assim. Há zonas do país abandonadas, sem escolas com a centralização em cidades, sem hospitais com a centralização em cidades, com postos de bombeiros desprovidos de meios, obrigados a esperar que os "maiores" da cidade cheguem.

Meus caros, o que vou dizer é muito triste, eu não sei onde quero morar no futuro, se em Portugal ou no estrangeiro, visto que mudo de ideias como quem muda de cuecas, mas sei muito bem onde não quero voltar a morar nunca, numa aldeia qualquer perdida no meio de Portugal. Com muita pena minha, se algum dia tiver filhos, eles nunca vão respirar um ar tão puro como o que eu respirei durante a minha infância na Serra.

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