Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de uma desarrumada...

Uma experiência como tantas outras... histórias verdadeiras sobre a minha vida, ou não.

Diário de uma desarrumada...

Uma experiência como tantas outras... histórias verdadeiras sobre a minha vida, ou não.

27
Jul17

Arrancar-lhe a cabeça.

Já lá vai quase uma semana que não venho aqui dar-te novidades. Pois bem, tenho andado super bem! Até acho estranho, visto que tenho o período daqui a 3 dias. Nunca tal coisa me tinha acontecido nesta semana do mês... Mas tenho aproveitado sendo super produtiva, ando a meter umas leituras em dia e uma quantas ideias em prática. Talvez, se tudo correr bem, venha aqui dar-te umas boas notícias daqui a uns meses.

 

Não tem estado sol, nem calor, muito pelo contrário... estou com aquela impressão de que o Verão foi em Junho, e Julho tem sido mais uma espécie de Outono mal amanhado. Já fui para o trabalho de casaco de couro (falso), imagine-se! E tive que ir de carro que estava a chover e o guarda-chuva anda perdido em algum buraco negro desde Abril.

 

No trabalho anda tudo bem, mas já se sabia, com a colega mais complicada de férias, isto uma pessoa quase que festeja! Não vou exagerar, mas anda tudo muito zen, animado e sem stresse. Parecendo que não a rapariga mete-nos a todos em stress. É preciso ter uma paciência de anjo para a aturar a ela, aos problemas dela, aos que ela inventa e aos que ela acha que vão acontecer! Ainda falta uma semana e meia de férias para o meu estado mental... aproveitemos.

 

Relativamente ao peso nada feito, engordei os 2kg que tinha perdido em Junho e ainda ganhei outro de bónus. Ando sem força de vontade para fechar a boca. É que comer é só tipo a melhor coisa do mundo! Mas depois do Verão trato disto... já ando a pensar inscrever-me no mesmo ginásio em que me inscrevi quando comprei o carro. De Setembro não passa! Juro, juro.

 

O menino vem aqui passar uns dias. Vamos lá ver como corre. Nunca fiquei tantos dias seguidos a morar com um gajo. Estou com tanto medo de espantar o peixe que nem te conto nada... é que estando a morar sozinha há 4 anos, já me transformei num bicho do mato, daqueles que comem homens aos pequeno-almoço e até lhes arrancam a cabeça à dentada. 

20
Jul17

Em pelota.

Quando estava no apartamento antigo não tinha vizinhos muito próximos com janelas viradas para as minhas, por isso, digamos que andava "à vontadinha" em pelota depois do duche. Agora que estou neste apartamento, sem querer, os hábitos antigos surgem assim sem uma pessoa querer e hoje dei por mim toda nua a passear pela sala enquanto o vizinho de baixo, que costuma andar no seu quintal a regar os tomates ao final do dia, olha para cima todo contente. É que estou no quarto andar, mas este prédio é muito mais baixo que os outros, e entre a horta dos vizinhos da frente e o meu prédio ainda há um relvado, o que acaba por afastar-nos e tornar a tarefa de ver o que se passa nos apartamentos de cima mais fácil para os vizinhos cuscos que estão lá em baixo.

 

O mesmo se passa agora à noite enquanto escrevo isto. Como tenho as persianas da janela da varanda da sala escancaradas, isto com a luz vê-se tudo que se passa aqui dentro. Como ando numa de tentar ser minimalista - tentar! porque viver sem sofá está a dar cabo de mim! - nem cortinados ou cortinas meti. É uma tristeza é o que é, excepto para o vizinho reformado que gosta de cuidar dos seus tomates ao final do dia, esse deve andar consolado de todo.

 

18
Jul17

Aos colegas de trabalho.

O tal jantar correu muito bem. Soube bem sair e estar com uma colega que, muito provavalmente, nunca mais vou voltar a ver ou falar com...

 

No sítio onde trabalho há muitos emigrantes e alguns só estão cá por um ano, aprendem o francês, e bazam para outros sítios mais "atractivos", como grandes cidades, ou zonas próximas de aeroportos... não os censuro, assim que puder faço o mesmo, só censuro a falta de carácter de alguns, que cospem de boca cheia numa instituição que tanto os ajudou - alguns dos mais mal agradecidos tiveram direito a curso de francês pago à chegada em França - eu nunca cheirei nenhum desses, foi o démerde-toi completo nos primeiros meses.

 

A verdade é que tem sido um vai-vem de colegas, eles chegam a falar zero da língua, com hábitos de outros países, tal como eu cheguei é claro, e uma pessoa lá vai fazendo o esforço de ser compreensivo, explicar uma e outra vez como funcionam as coisas no trabalho, mostrar uma e outra vez os cantos à casa, traduzir em inglês, escrever o mais importante em francês com traduções ao lado, às vezes, em situações desesperadas, até desenhos faço!

 

Uma pessoa afeiçoa-se, pensa estar a trabalhar num sítio onde existe uma verdadeira equipa... e quando a coisa corre bem, quando já dá para ter conversas fluídas sem parar a cada 5 minutos para traduzir algo, eis que chega a demissão. Eles vão embora, eu fico - já levo quase 3 anos deste sítio, o que faz de mim a mais "antiga" da minha equipa - e vira o disco e toca o mesmo, c'est parti para mais uma fornada de colega novos. E os que vão, raramente falam ou dão novidades, quando meto conversa com alguém pelo messenger mandam-me passear (não directamente, mas quase, que vai dar ao mesmo!).

 

Não admira que esteja cansada e a desistir completamente de fazer amigos no trabalho, pelo menos neste trabalho.

 

18
Jul17

A resmungona.

Super cansada dos últimos dias hoje dei por mim especada à frente da entrada a tentar abrir a porta do apartamento, rodava a chave e nada... quase a desesperar e a desistir reparei que a etiqueta colada na campainha não era a mesma do costume! Parva, parva, fiquei parva. Estava a tentar entrar no apartamento equivalente ao meu no terceiro andar, só para saberes, eu moro no quarto! Fiquei com vergonha, subi logo as escadas e rezei para que os inquilinos do apartamento que eu tinha estado a tentar assaltar durante os cinco minutos anteriores não dessem conta de nada.

 

Sim, tenho andado estafada. A precisar de férias, digo eu. Já há seis meses que não sei o que é descansar mais do que dois dias seguidos, se tanto. Um doente lá no trabalho tem andado a dar-me cabo do juízo, não porque seja chato, coitado, mas porque a condição dele se tem vindo a deteriorar e o serviço tem andado em alvoroço a responder às necessidades dele. Morreu hoje. Infelizmente para a família, felizmente para ele, a hora dele chegou. Sofreu muito e, em certo aspecto, até acho que foi melhor assim. Estará com certeza num sítio melhor, se acreditarmos que há outra vida depois do fim.

 

Não me digas nada, também acho que nos últimos tempos só tenho cá vindo para te chatear, ou com os meus problemas, ou com a morte de alguém. Mas não adianta vir cá quando estou feliz, sinto que nesses dias não tenho nada de jeito para escrever e que iria deixar a folha em branco. Paciência, paciência. Mas sabes que mais? Sinto-me presa dentro de mim e da minha ansiedade. Tenho andado outra vez a pensar no futuro sem parar. Que mal fiz eu para ser assim? Só queria abrir a minha cabeça, virá-la para baixo, despejar para o chão todos os pensamentos maus e varrê-los para debaixo do tapete. No pasa nada, no pasa nada. A Queen of Hearts no seu jardim da Disneyland Paris, há duas semanas atrás, estava presa e a resmungar, sem ninguém para a ouvir. É assim que me sinto, só que dentro da minha cabeça.

 

 

queenofhearts.jpg

 

queenofhearts1.jpg

 

 

12
Jul17

Um p.s. para vocês.

O lado negativo de uma pessoa abrir o seu coração num blog como se fosse um diário é a diminuição abrupta no número de visualizações em cada post. Posts com mais texto são difíceis de ler até ao fim, bem sei. 

O lado positivo é saber que as poucas visualizações são de pessoas que realmente leram o que estava escrito. E isso vê-se nos comentários amorosos que tenho recebido. Sei que vou continuar a ser a despassarada que não responde sistematicamente a todos os comentários, acho que isto já não vou conseguir mudar, mas leio todos, todinhos, e agradeço, do fundo do coração o apoio que têm dado.

O tal jantar com as colegas de trabalho para o qual quase não aceitei ir por causa de um mal-entendido é hoje. Sair de casa faz-me sempre tão bem... 

11
Jul17

Água fresca.

Hoje saí do trabalho apressada, como se tivesse um rendez-vous algures. Mas não tinha, pelo menos com outra pessoa. Estou cansada, cansada de ficar sempre mais meia hora do que o meu horário, às vezes porque tenho imenso trabalho para redigir, outras vezes porque já é hábito ser das últimas e sinto que há olhares "reprovadores" quando saio a horas e deixo "as do costume" a fechar a sala de trabalho. Trabalhar com muitas gajas é tramado... Quem me manda ter escolhido a área da saúde...! Não, estou a brincar, eu adoro a minha profissão! Pena não me ter permitido ter uma vida digna em Portugal, mas isso já são outras histórias.

 

Tinha rendez-vous comigo própria. Sim, às vezes acontece! Peguei nos phones, meti umas músicas novas - já agora a Thunder dos Imagine Dragons está óptima - e fui correr. Corri até me cansar, o que aconteceu após 20 minutos, mas já não é nada mal para quem deixou o ginásio em Abril, tem comido chocolates sem parar e não tem tido os cuidados que costumava ter com o corpo. Confesso que já nem me lembro da última vez que esta pele viu um creme hidratante ou uma esfoliação. Tristeza, tenho que cuidar mais de mim.

 

Ando a pensar em algo mais alegre para te contar porque ultimamente têm sido só tristezas... e talvez o último fim de semana seja adequado. Estive 2 dias com ele, em Paris. Eu sei, eu sei, já devia ter escrito aqui algo... mas ainda estou a digerir tudo, ainda ando na minha nuvem de algodão doce, nesta onda de viver de "amour et eau fraîche".

 

Ele vai voltar para Portugal e não sei que vai ser de nós... só sei que sinto que estou nisto de pedra e cal. Se tivesse a certeza que me desenrascava a arranjar um trabalhito na minha área que me pagasse razoavelmente bem era desta que voltava. Mas como não sei o que me tornaria profissionalmente, prefiro ficar, cumprir com o contrato de dois anos que assinei para receber a tal formação que acabei de fazer e lá vamos nós arriscar uma relação à distância. Pode ser que ele volte a arranjar trabalho aqui, mais perto da próxima vez, por favor. Obrigada.

 

10
Jul17

Perspectivas.

Sobre o tal jantar para o qual não fui convidada, um problema horrível que afligiu a minha vida nos últimos tempos... Na sexta-feira uma das colegas mais próximas da rapariga em questão veio falar comigo para me convidar pessoalmente durante uma pausa lá no trabalho. Por isso, embora relutante, aceitei ir. Fiquei um pouco magoada, admito, mas em conversa com ela percebi que as coisas foram feitas um pouco em cima do joelho e que provavelmente não estive a par de tudo desde o início porque tinha estado uma semana ausente em formação, o que é verdade, tal como é verdade que andei um pouco desligada para o mundo social que me rodeava durante o tempo de estudo para a formação.

 

Resumindo, neste últimos meses de trabalho fiz o que me competia, sem pensar muito em nutrir relações fora do trabalho com estas pessoas que me rodeiam todos os dias. Gostava que fosse sempre assim, sendo eu um ser que prefere fazes amigos fora do trabalho mas, infelizmente estou sozinha nesta terrinha, sem grandes actividades sociais fora do trabalho... e ninguém consegue ser uma ilha, somos todos seres sociais e precisamos dos outros para viver bem. Por isso, voltei a sair da gruta em que andei metida! Tem custado um pouco, era tão mais fácil usar a desculpa de ter que estudar para não me sentir obrigada a ser sociável, mas essa desculpa já não pega.

 

Entretanto ando há alguns dias preocupada com estes assuntos fúteis e a vida encarregou-se de me trazer de volta ao que é realmente importante. Caí aos trambolhões na vida real, digamos assim. Às vezes uma pessoa precisa de uma patada na boca para acordar e ver que a vida são dois dias e que não podemos passar o terceiro a arrependermo-nos do que não fizemos. Até me custa escrever isto meu querido diário, sei que não vou ter palavras para o descrever como deve ser, tudo que escrever não vai ser suficiente para exprimir a dor que estou a sentir... mas aí vai... esta noite em conversa telefónica com a minha mãe soube que o bebé mais pequenino da família, o primeiro em muitos anos, filho de um primo afastado da minha mãe, tem uma doença grave. E os médicos, que sabem sempre tudo, só lhe dão sensivelmente 6 meses de vida. As lágrimas correm pelo meu rosto enquanto escrevo isto... ninguém devia ter que dizer adeus ao seu filho antes mesmo de ele ter vivido.

 

E de repente, todos os problemas com os quais me tenho debatido ultimamente parecem tão insignificantes.

07
Jul17

Questão...

Imaginem a seguinte situação: uma colega de trabalho foi embora porque se despediu. E na semana passada organizou um jantar para a próxima segunda-feira,do qual vocês só tiverem conhecimento esta quinta-feira, 3 dias antes, através de outras colegas de trabalho que foram convidadas pela própria, mas que juram a pés juntos que vocês também estão convidados...

Sabendo que o jantar já está a ser organizado há duas semanas o que se passou foi: quando disse às minhas colegas de trabalho, que também são minhas amigas, que não gostei de saber sobre o jantar da colega que foi embora por "vias travessas" e que sem convite pessoal dela não ia, elas insistiram que estou a ter a atitude errada, que não devia ser assim tão picuinhas, culpabilizando-me por estar talvez a criar mau ambiente onde não o há. Vocês fariam o quê na minha situação? É que se há coisa que nunca gostei é de ir a jantares "de balde" sem ter sido convidada directamente pela pessoa que organiza... ainda por cima quando essa pessoa fala connosco todos os dias no trabalho.

04
Jul17

Redes sociais.

Nos últimos anos, talvez três, tenho andado a viciar-me gradualmente em tudo que é redes sociais. Acho que esta situação piorou bastante desde que emigrei. A solidão fez-me recorrer às redes sociais como um "aconchego", uma forma de ver o que os amigos estão a fazer e o que tem acontecido por lá... 

 

Mas a verdade é que esta situação me tem feito mais mal do que bem. Uso abusivamente de tudo que seja redes sociais, na falsa esperança de que isso me aproxime de alguém, mas a verdade é que só me tem afastado da pessoa mais importante da minha vida: EU. 

 

Passo a explicar... antes de ser tão dependente de redes sociais eu era aquele "bichinho" solitário que adorava ler, desenhar, pintar, inventar histórias, ir para a rua simplesmente passear e olhar para a natureza. Hoje em dia já não sou assim. Dou por mim a entrar numa espiral diária de comparações, a tentar tirar uma boa foto para o Instagram, a só fazer coisas que possa mostrar nas redes sociais, talvez numa tentativa de mostrar aos que estão no Bali ou em Ibiza, que eu cá também tenho uma vida interessante. Nos raros dias em que pego num livro ou começo a desenhar qualquer coisa fico com aquela sensação de ter uma vida miserável e solitária, que podia estar a fazer algo de espectacular, como eles, aqueles que estão ali no stories ou no daily vlog

 

Não me sinto nada satisfeita com a vida que tenho levado.Sinto-me desconectada de mim mesma, sinto-me perdida dentro de mim. Deito-me sempre tarde porque fico a fazer scroll down até às duas da manhã ou a ver vídeos no Youtube... mas eu sei perfeitamente (ou acho que sei!) que se não estivesse tão desorganizada conseguiria fazer as coisas que me interessam em horários decentes, até porque não chego a casa assim tão tarde como isso. Costumo estar em casa por volta das 18h... O que me anda a bloquear então??? Porque não consigo ser mais produtiva?

 

Vou continuar nesta introspecção à espera de uma solução milagrosa. Mas a verdade é que já cortei um pouco no uso das aplicações do telemóvel... para tentar reduzir aos poucos esta dependência. Isto não é uma tentativa de ser hipster e dizer "ai, as redes sociais são uma porcaria, vou desistir de vez", não, isto é só um grito para mim própria, um grito de "PÁRA, RESPIRA E NÃO TE PERCAS". Quero voltar a ser quem era antes, não é pedir muito pois não? 

 

03
Jul17

La La Land.

Acabei de ver o filme La La Land.

 

Agora estou aqui a chorar baba e ranho.

A pensar em todos os amores que poderiam ter sido,

E não foram.

A pensar em tudo que poderia ter acontecido,

E não aconteceu.

 

Será que naquele momento antes de morrermos,

A vida que nos passa à frente dos olhos é aquela que vivemos?

Ou aquela que deveríamos ter vivido?

Um dia teremos encontro marcado...

Num mundo perfeito.